Negócios

Enseada do Paraguaçu assina com Sete Brasil

Valor Econômico
26/04/2012 11:36
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O Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), projeto da Odebrecht, OAS e UTC na Bahia, assinou carta de intenção com a Sete Brasil para construir seis navios-sonda utilizados em perfuração de poços de petróleo, em encomenda de US$ 4,8 bilhões. O estaleiro também acertou contrato de licenciamento com a holandesa Gusto, que vai fornecer o projeto das sondas, e está em fase adianta de negociações, embora não fale sobre o assunto, com a japonesa Kawasaki para tê-la com sócia estratégica.

A carta de intenção é um instrumento jurídico que permite à Sete BR e aos seus fornecedores antecipar etapas para mitigar eventuais atrasos até a assinatura do contrato firme. A Sete Brasil, holding financeira dedicada a gerir portfólios de ativos, prevê contratar, em um primeiro momento, 28 sondas junto a estaleiros nacionais em um investimento total estimado em US$ 27 bilhões, valor que inclui custos de construção e de financiamentos.

João Carlos Ferraz, presidente da Sete BR, disse que ainda há etapas a serem cumpridas antes da assinatura dos contratos de afretamento das sondas entre a empresa e a Petrobras. "Ainda há um check-list a ser preenchido pela Sete [para assinar os contratos de afretamento com a Petrobras]", disse Ferraz.

A partir do acordo com o EEP, a Sete BR soma cartas de intenção com quatro estaleiros, incluindo 19 sondas de perfuração, que deverão se transformar, se todas as condições forem cumpridas, em contratos firmes de construção de cerca de US$ 15 bilhões, segundo estimativas de mercado.

Os quatro estaleiros com cartas de intenção assinadas são EEP (seis sondas), BrasFels (cinco), Estaleiro Rio Grande (três) e Jurong (cinco). Só com a KeppelFels, dona do Brasfels, o valor total dos contratos, se a carta de intenção for bem-sucedida, pode chegar a US$ 4,2 bilhões.

Além desses pré-contratos, a Sete BR fechou contratos firmes para outras nove sondas, das quais sete com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), uma com Jurong e outra com a Brasfels. O contrato com o EAS é de US$ 5,2 bilhões.

A Keppel havia anunciado, em dezembro, assinatura de contrato de US$ 809 milhões com a Sete BR para construir uma sonda semi-submersível.

O EAS vem tentando definir um novo sócio estratégico para o estaleiro depois da saída da coreana Samsung, mas ainda não há decisão sobre o novo parceiro em discussões que envolvem grupos japoneses (Mitsui associada à IHI e a Mitsubishi). No caso do EEP, o 'Valor' apurou que as negociações com a Kawasaki passam por entendimento segundo o qual os japoneses tendem a assumir fatia de 30% no estaleiro baiano. Hoje o EEP é controlado pela Odebrecht, com 50%, e OAS e UTC, com 25% cada uma.

Em um provável acerto com a Kawasaki, seria formado um bloco de controle no qual os três sócios atuais teriam 70% do estaleiro e os japoneses, 30%, mas participando das oportunidades e dos riscos do negócio. No EAS uma das críticas do mercado foi de que os coreanos da Samsung tinham 6% e não participavam dos ônus e bônus do projeto, como comentou uma fonte. Outro executivo citou a cingapuriana Jurong, com projeto de estaleiro para o Espírito Santo, onde serão construídas as cinco sondas. Neste caso, a Jurong, dona de 100% do estaleiro, é também a sócia estratégica do projeto, lembrou.

Fernando Barbosa, diretor-presidente do EEP, não fala sobre as negociações envolvendo o sócio estratégico do estaleiro baiano. Segundo ele, a carta de intenções assinada com a Sete BR representa compromisso firme do estaleiro de entregar as sondas nos prazos e nos preços combinados. A previsão do EEP é entregar a primeira unidade em abril de 2016. A segunda sonda deve sair do estaleiro dez meses depois e as unidades restantes serão entregues, segundo o plano, a cada oito meses.

Barbosa disse que espera concluir as negociações com a Sete BR em maio para assinar o contrato definitivo em junho. Inicialmente, o EEP pretendia contratar o projeto das sondas com a LMG Marine. Barbosa disse que o estaleiro terminou optando pela holandesa Gusto em função de facilidades de detalhamento do projeto. No mercado, a avaliação é que a escolha foi determinada por questões comerciais.

O EEP entra agora na fase de obras de terraplanagem e de desenvolvimento do projeto-executivo do estaleiro, tema que está ligado à escolha do sócio estratégico. O sócio japonês, por sinal, poderá participar de outros projetos do estaleiro como a conversão dos cascos de quatro navios para o pré-sal, concorrência da Petrobras na qual os sócios do EEP apresentaram a melhor proposta, de US$ 1,73 bilhão. Os cascos serão convertidos no estaleiro Inhaúma, no Rio.

As obras civis do EEP estarão a cargo do consórcio Estaleiro Paraguaçu, formado pelos mesmos acionistas do EEP. O investimento previsto na construção do estaleiro baiano é de R$ 2 bilhões, dos quais R$ 1,7 bilhão será financiado pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), linha de longo prazo para o setor.
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