Nordeste

Eólicas já respondem por mais de 60% do abastecimento de energia do Nordeste

Redação/Agência Brasil
30/08/2017 17:50
Eólicas já respondem por mais de 60% do abastecimento de energia do Nordeste Imagem: Luiz Eduardo Barata, diretor-geral do ONS Visualizações: 1419

A estiagem que há mais de seis anos atinge a Região Nordeste, com forte impacto nas usinas da Bacia do São Francisco e afetando a geração de energia hidrelétrica, levou a fonte eólica a responder por mais de 50% da energia fornecida à região. No último dia 16 de julho, a energia eólica respondeu por 12,6% de toda a energia demandada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). No Nordeste, um novo recorde: 64,2% da energia consumida na região, no último dia 30 de julho, foram provenientes dos ventos.

A afirmação foi feita hoje (30) pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, ao participar da conferência e exposição Brazil Windpower 2017, que discute até amanhã (31), no Rio de Janeiro, os rumos e avanços da energia eólica. Energia eólica é aquela resultante da força dos ventos.

O diretor lembrou que até 2008 e 2009 todo o suprimento energético do Nordeste decorria de fontes hidrelétricas, provenientes das usinas da Bacia do São Francisco.

“Com a redução das chuvas e das afluências, tivemos que buscar nova fonte e foi aí que apareceu a fonte eólica. O resultado tem sido excepcional, até porque a região é acometida por ventos excepcionais e razoavelmente constantes, o que proporciona uma capacidade de geração que se situa entre as melhores do mundo”, explicou.

Para Luiz Eduardo, é exatamente em decorrência da forte estiagem na Bacia do São Francisco que hoje a energia eólica tem “importância capital para a Região Nordeste, situação que deverá continuar por muito tempo, uma vez que não vislumbramos, a curto prazo, uma mudança das característica atuais”.

Ele disse, ainda, que é possível imaginar que, no futuro, com a chegada de outras fontes de energia, como a térmica, por exemplo, o sistema poderá oferecer alternativas e responder mais rapidamente ao principal problema decorrente da forte dependência da geração eólica que, por depender dos ventos, e, portanto, ser intermitente, precisa de outras fontes que compensem as variações dos ventos.

“A geração termoelétrica de rápida resposta é uma fonte boa, assim como a hidroelétrica, só que a estiagem está travando a fonte hídrica em razão da falta de chuva na região. Com a recuperação da cascata do São Francisco, que só será possível no médio e no longo prazos, poderemos usá-la como mitigador da intermitência da fonte eólica”, afirmou.

Fornecimento de energia garantido para o Nordeste

Luiz Eduardo, no entanto, garantiu que o fornecimento da energia para o Nordeste está assegurado. Embora hoje a solução de maior garantia para a região passe pela energia eólica, há ainda, segundo disse, uma contribuição significativa da energia hidroelétrica importada do Norte e do Sudeste.

“Hoje podemos dizer que o abastecimento do Nordeste, na maior parte do tempo, está sendo garantido pelos mais de 50% da energia eólica produzida na região. Depois, entra aí nesta equação a fonte térmica, além da energia hídrica que vem do Norte e Sudeste. Mas é evidente que embora assegurado, a complexidade da operação para viabilizar o abastecimento aumentou bastante”, acentuou.

Crescimento

O diretor do ONS disse que a energia proveniente de fonte eólica já responde em torno de 6% da capacidade da matriz energética brasileira, percentual que tende a se expandir até chegar em torno de 10% a 12% em 2021. “Este percentual deverá expandir dos atuais 10 mil megawatss para algo em torno de 14 a 15 mil megawats em 2021, o que é um crescimento significativo”.

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