Energia
Valor Econômico
A estratégia era comprar estatais quebradas ou em dificuldades financeiras, dar um choque de gestão e ganhar dinheiro com a distribuição de energia, como aconteceu com a Cemar, no Maranhão. Era, até que percebeu que os governos estaduais e federal, donos desses ativos, iriam manter-se avessos às privatizações no setor. Foi assim que a Equatorial Energia, que há três anos pertence aos ex-sócios do banco Pactual, mudou sua estratégia e abriu seu leque de avaliações para partir em busca de empresas elétricas no setor privado, mesmo as já consolidadas em seus mercados. E também passou a investir em geração. Hoje é dona de parte da Light e de duas termelétricas no Maranhão.
Exemplos de empresas públicas de distribuição em sérias dificuldades financeiras não faltam, e não poder comprá-las frustra o principal executivo da Equatorial, que reestruturou a Cemar, Carlos Piani, com 36 anos de idade e desde 2005 presidente da empresa. As principais oportunidades de negócios estavam nas estatais do Norte do país que acabaram sendo federalizadas e agora estão nas mãos da Eletrobrás. E não há grandes esperanças de que sejam privatizadas, a não ser que o governo decida relicitá-las com o fim da concessão em 2015. Mas a intenção oficial é de prorrogar as concessões.
Algumas estatais de distribuição que poderiam ser privatizadas também têm recebido uma atenção especial do governo federal, como é o caso da Celg. Mesmo no setor privado tem sido difícil buscar oportunidades. Um dos grupos mais visados é o Rede Energia, que tem uma dívida muito grande, sofreu uma série de rebaixamentos de avaliação de crédito e tem um ativo que especialmente interessaria à Equatorial: a empresa de distribuição do Pará, a Celpa, vizinha da Cemar. A Equatorial poderia replicar a administração feita no Maranhão, que rendeu bons resultados para os acionistas. Só que hoje o grupo Rede Energia discute uma solução para a Celpa com a Eletrobrás, e não aceitou ofertas que já recebeu, segundo algumas fontes próximas à empresa.
Uma outra possibilidade em aberto é a compra da Coelce, no Ceará, que pertence à Endesa. A empresa espanhola está hoje nas mãos do grupo italiano Enel, que precisa levantar € 10 bilhões no mundo para fazer caixa e pode, dessa forma, desfazer-se de seus ativos no Brasil.
Piani diz que o foco da Equatorial continua sendo a distribuição e acredita que nos próximos dois anos o grupo vai estender sua atuação no país. "Haverá uma consolidação porque é exagerado termos hoje no país 64 distribuidoras", diz Piani. Em todos os futuros negócios, entretanto, a Equatorial quer ser majoritária como é na Cemar, que hoje tem também a Eletrobrás como sócia. Os sócios são importantes, até porque elimina-se a competição na hora de adquirir um ativo, segundo Piani. Mas na gestão, essa pode ser uma dificuldade no modelo agressivo que existe hoje na Cemar. Na Light, por exemplo, a Equatorial é sócia em iguais condições da Cemig, Andrade Gutierrez e Aldo Floris.
Enquanto isso não acontece, a companhia estuda projetos no setor de geração, mas esse não será o foco da companhia. São investimentos meramente de momento, segundo Piani.
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