Refino

Esperados para negociar refinaria no Espírito Santo, executivos da Agol não aparecem

Governo endurece discurso e condiciona projeto a apresentação de pacote financeiro concreto da Agol. Secretário Júlio Bueno diz esperar por sinalização do grupo anglo-árabe. Analistas acreditam em esfriamento das conversas.


04/11/2004 00:00
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Cansado de esperar por sinalizações mais concretas dos executivos da Arabian Gulf Oil (Agol), que ficaram de trazer no início deste mês uma proposta financeira definitiva para construção de uma refinaria de US$ 2,5 bilhões em território capixaba, o governo do Espírito Santo decidiu mudar o tom e endurecer as negociações com o grupo de origem anglo-árabe.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e Turismo do estado, Júlio Bueno, afirmou para a TN Petróleo que só após a apresentação de um projeto financeiro completo pelos executivos é que marcará uma reunião com o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, para discutir, em Brasília, um pacote de isenção fiscal, que inclua impostos federais como IPI e Imposto de Renda (IR).
O secretário não quis confirmar, no entanto, qual teria sido o motivo do adiamento da visita dos representantes da Agol, originalmente prevista para a primeira semana deste mês. Perguntado, disse apenas não ter sido informado dos motivos pelo corpo diretivo da companhia, que também não teria remarcado nova data. Para financiar o empreendimento, que prevê a produção de 200 mil barris de derivados, o grupo teria acenado, a princípio, com um financiamento de um fundo de investimentos de private equity de origem árabe. No teria, no entanto, dado maiores detalhes sobre sua composição e prazos de desembolso.
O adiamento representa, segundo analistas do setor, apenas mais um ingrediente no já apimentado debate sobre o investimento. Previsto para produzir derivados no estado do Espírito Santo, a refinaria teria por objetivo abastecer o mercado externo. Sua construção estaria condicionada, segundo exigências dos árabes, a um pacote de incentivos fiscais que inclua não só isenção de tributos estaduais, mas principalmente federais.
Criticado por ceder a tais exigências, o governo do Espírito Santo admite a complexidade do negócio, mas argumenta que sua viabilização proporcionaria a criação de um novo pólo de desenvolvimento econômico no estado, em função do poder multiplicador de uma refinaria. Segundo o governo, tal empreendimento, por visar o mercado externo, em nada se conflitaria com as pretensões de outros estados como Rio de Janeiro e Pernambuco nessa área. Tampouco, argumenta Bueno, haveria necessidade de capital da Petrobras no negócio.
Esses mesmos analistas, que preferiram não se identificar, demonstram estranheza com o não-cumprimento da agenda pelos executivos da Agol. Segundo eles, tal fato poderia indicar um esfriamento nas conversas do governo capixaba com o grupo anglo-árabe. Tal fato, no entanto, não é confirmado por Júlio Bueno, que diz esperar pela sinalização de uma nova data pelos executivos.
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