Petrobras

Estuda trocar dutos por navios de GNL no pré-sal

Gazeta Mercantil
18/03/2009 05:46
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Os navios de gás natural liquefeito encomendados pela Petrobras deverão substituir gasodutos submarinos em campos de petróleo. A diretora de Gás e Energia da empresa, Graça Foster, afirmou ontem que há uma disputa interna na companhia entre a construção de gasodutos e o transporte de GNL, mas a “decisão final será econômica”. A estatal estuda como aproveitar as gigantes reservas do insumo associado ao óleo do pré-sal sem a necessidade de contruir dutos.

 


“Vamos ter que tirar a paixão e usar a racionalidade”, disse, ao comentar a possibilidade de substituição de gasodutos por GNL. A nova modalidade ficará mais clara, no trimestre do próximo ano, quando a direção da Petrobras baterá o martelo sobre o assunto baseada em estudos que estão em andamento. “O negócio é puramente comercial”, completou a executiva.

 

A ideia é transformar o gás do estado gasoso para o líquido em unidades de liquefação instaladas nos campos produtores, sobretudo no pré-sal de Santos. “Até porque quando as reservas dos campos acabam, os dutos ficam sem utilidade”, disse Graça à Gazeta Mercantil. O gás seguirá por navios até unidades de regaseificação, onde o produto voltará a seu estado natural, perto dos centros consumidores.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugura hoje o maior terminal de regaseificaçao da Petrobras. Com investimentos de R$ 819 milhões, a unidade, instalada no meio da Baía de Guanabara, no Rio, poderá transformar 14 milhões de metros cúbicos por dia de GNL, capacidade que deve aumentar para 20 milhões de metros cúbicos nos próximos anos. O primeiro terminal, instalado em Pecém, terá capacidade para 7 milhões de metros cúbicos por dia. Iniciada em dezembro de 2007, a construção e a montagem do terminal na Baía de Guanabara foram concluídas em janeiro de 2009 com a geração de 1,7 mil empregos. O consumo de gás natural voltou a crescer em março, depois de várias indústrias migrarem para o uso de óleo combustível. Em janeiro, a demanda pelo insumo havia recuado em mais de oito milhões de metros cúbicos diários. A diferença em março diminuiu para pouco mais de seis milhões de metros cúbicos. Graça informou que tem disponível no mercado cerca de 15 milhões de metros cúbicos por dia, volume que poderia estar atendendo a térmicas da região Nordeste se o GNL já estivesse funcionando. A previsão é o terminal da Baía de Guanabara começar a funcionar em maio. O consumo hoje chega a 46,2 milhões.

 

Indústrias deixaram de consumir cerca de de três milhões de metros cúbicos porque migraram para óleo combustível, que está mais barato atualmente. Mas Graça avalia que os consumidores voltarão a comprar gás natural porque o preço cairá com o aumento da oferta do produto.

 

Segundo comunicado da Petrobras, o gás regaseificado no terminal da Baía de Guanabara atenderá, prioritariamente, as usinas termelétricas da região Sudeste. O volume de 14 milhões de metros cúbicos/dia é suficiente para gerar cerca de 3.000 MW. O gás natural regaseificado na Baía de Guanabara será enviado às termelétricas por meio de um gasoduto de 15 quilômetros de extensão.

 

Construído para interligar o terminal ao Gasduc II, em Duque de Caxias, o gasoduto tem dez quilômetros de trecho submarino e cinco quilômetros, em terra.

 

“Nas proximidades da Ilha do Boqueirão, no Rio de Janeiro, foi montada uma espécie de “ilha de concreto”, com 65 metros de comprimento por 60 metros de largura. Assim como em Pecém, na Baía de Guanabara foram instalados seis braços de GNL e dois de GNC (Gás Natural Comprimido). Os braços de GNL pesam 70 toneladas cada e os de GNC, 85 toneladas. A plataforma de concreto construída para abrigar o terminal foi instalada sobre 266 estacas, com 80 centímetros de diâmetro cada uma, cravadas a até 50 metros de profundidade, a partir do fundo da baía.

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