Negócios

Exportação de etanol ao Caribe definha

Atualmente, janelas de negócios para usinas brasileiras mudam rapidamente.

Valor Econômico
26/09/2012 11:35
Visualizações: 1044

 

Por alguns anos, a melhor alternativa das usinas brasileiras para fugir das barreiras à importação de etanol impostas pelos Estados Unidos era exportar o biocombustível para o país via Caribe e América Central. Mas esse caminho perdeu grande parte do sentido com o fim da tarifa de importação americana, em janeiro deste ano. Beneficiados por acordos que os isentam de tarifas na venda ao mercado dos EUA, mercados caribenhos ou centro-americanos chegaram a ter uma capacidade conjunta de reprocessamento de 3,1 bilhões de litros de etanol hidratado, agora reduzida a pouco menos de 1 bilhão, de acordo com estimativas do mercado.
Durante o período de vigência da tarifa americana de importação, de 54 centavos de dólar por galão (3,785 litros), a viabilidade econômica da exportação e desidratação do etanol no Caribe e na América Central tinha como base a diferença de preços (spread) entre o hidratado e o anidro no Brasil, historicamente em torno de 12% a 15%. Isso porque o custo total de se levar esse etanol do Brasil até esses países fica entre 60 e 65 centavos de dólar por galão (frete, seguros e reprocessamento) - ou seja, praticamente o mesmo valor da tarifa.
Agora, com o fim da taxa americana, esse spread precisa ser bem superior a 12% para compensar a desidratação e o reembarque aos EUA a preços competitivos. Há dois meses, isso até aconteceu, dizem especialistas. A diferença de preço entre os dois tipos de etanol no Brasil chegou a 24% e alguns negócios voltaram a ser fechados. Segundo estimativas do mercado, um volume de 350 milhões de litros de hidratado deve ser embarcado aos países do Caribe e da América Central para desidratação e posterior exportação aos Estados Unidos nesta temporada 2012/13.
Em média, os importadores pagaram este ano às usinas no Brasil US$ 30 por metro cúbico de etanol hidratado, acima da remuneração naquele momento no mercado doméstico brasileiro - o equivalente a R$ 0,06 por litro.
Mas o fato é que esse mercado agora passou a ser conhecido como "liga e desliga", uma vez que as janelas de oportunidades de negócio tendem a abrir e a fechar muito rapidamente. Por isso, apenas três das nove plantas de desidratação das duas regiões ainda estão operando, segundo estimativas do mercado. Tecnicamente, a desidratação significa retirar 5% de água do etanol hidratado, que tem um teor alcoólico de 95,1% nas especificações brasileiras.
A maior parte dos investimentos nessas unidades industriais foi feito por grupos locais, em parceria com governo. Em 2008, auge da operação de desidratação, havia três unidades na Jamaica, duas em El Salvador, duas em Trinidade e Tobago, uma na Costa Rica e outra na ilha de Saint Croix (mar do Caribe) - os países do Caribe são beneficiados pela Iniciativa da Bacia do Caribe (Caribbean Basin Initiative) e El Salvador, pelo Cafta (Acordo de Livre Comércio com a América Central). Ambos isentam essas regiões de tarifas de importação no mercado americano.
Algumas tradings de etanol do Brasil apenas arrendaram unidades locais para garantir a transformação de etanol hidratado em anidro e reexportar sem tarifa aos Estados Unidos. A exceção foi a extinta trading Cristalsev, que investiu numa planta de desidratação em El Salvador em parceria com a Compañía Azucarera Salvadoreña SA.
Ocorre que o mercado não acreditava que a tarifa de importação americana poderia não ser renovada, diz um especialista. "Algumas unidades foram inauguradas seis meses antes de expirar o imposto de importação dos Estados Unidos", recorda.
Assim como as exportações brasileiras de etanol, a operação de "desidratação" do hidratado brasileiro via Caribe e América Central para reembarque aos EUA sempre oscilou. Mas atingiu seu auge em 2008, quando do total de 5,1 bilhões de litros de etanol exportados pelo Brasil, 1,1 bilhão foram para esses países, conforme informações do Ministério da Agricultura, com base em dados da Secex/MDIC.

Por alguns anos, a melhor alternativa das usinas brasileiras para fugir das barreiras à importação de etanol impostas pelos Estados Unidos era exportar o biocombustível para o país via Caribe e América Central. Mas esse caminho perdeu grande parte do sentido com o fim da tarifa de importação americana, em janeiro deste ano. Beneficiados por acordos que os isentam de tarifas na venda ao mercado dos EUA, mercados caribenhos ou centro-americanos chegaram a ter uma capacidade conjunta de reprocessamento de 3,1 bilhões de litros de etanol hidratado, agora reduzida a pouco menos de 1 bilhão, de acordo com estimativas do mercado.


Durante o período de vigência da tarifa americana de importação, de 54 centavos de dólar por galão (3,785 litros), a viabilidade econômica da exportação e desidratação do etanol no Caribe e na América Central tinha como base a diferença de preços (spread) entre o hidratado e o anidro no Brasil, historicamente em torno de 12% a 15%. Isso porque o custo total de se levar esse etanol do Brasil até esses países fica entre 60 e 65 centavos de dólar por galão (frete, seguros e reprocessamento) - ou seja, praticamente o mesmo valor da tarifa.


Agora, com o fim da taxa americana, esse spread precisa ser bem superior a 12% para compensar a desidratação e o reembarque aos EUA a preços competitivos. Há dois meses, isso até aconteceu, dizem especialistas. A diferença de preço entre os dois tipos de etanol no Brasil chegou a 24% e alguns negócios voltaram a ser fechados. Segundo estimativas do mercado, um volume de 350 milhões de litros de hidratado deve ser embarcado aos países do Caribe e da América Central para desidratação e posterior exportação aos Estados Unidos nesta temporada 2012/13.


Em média, os importadores pagaram este ano às usinas no Brasil US$ 30 por metro cúbico de etanol hidratado, acima da remuneração naquele momento no mercado doméstico brasileiro - o equivalente a R$ 0,06 por litro.


Mas o fato é que esse mercado agora passou a ser conhecido como "liga e desliga", uma vez que as janelas de oportunidades de negócio tendem a abrir e a fechar muito rapidamente. Por isso, apenas três das nove plantas de desidratação das duas regiões ainda estão operando, segundo estimativas do mercado. Tecnicamente, a desidratação significa retirar 5% de água do etanol hidratado, que tem um teor alcoólico de 95,1% nas especificações brasileiras.


A maior parte dos investimentos nessas unidades industriais foi feito por grupos locais, em parceria com governo. Em 2008, auge da operação de desidratação, havia três unidades na Jamaica, duas em El Salvador, duas em Trinidade e Tobago, uma na Costa Rica e outra na ilha de Saint Croix (mar do Caribe) - os países do Caribe são beneficiados pela Iniciativa da Bacia do Caribe (Caribbean Basin Initiative) e El Salvador, pelo Cafta (Acordo de Livre Comércio com a América Central). Ambos isentam essas regiões de tarifas de importação no mercado americano.


Algumas tradings de etanol do Brasil apenas arrendaram unidades locais para garantir a transformação de etanol hidratado em anidro e reexportar sem tarifa aos Estados Unidos. A exceção foi a extinta trading Cristalsev, que investiu numa planta de desidratação em El Salvador em parceria com a Compañía Azucarera Salvadoreña SA.


Ocorre que o mercado não acreditava que a tarifa de importação americana poderia não ser renovada, diz um especialista. "Algumas unidades foram inauguradas seis meses antes de expirar o imposto de importação dos Estados Unidos", recorda.


Assim como as exportações brasileiras de etanol, a operação de "desidratação" do hidratado brasileiro via Caribe e América Central para reembarque aos EUA sempre oscilou. Mas atingiu seu auge em 2008, quando do total de 5,1 bilhões de litros de etanol exportados pelo Brasil, 1,1 bilhão foram para esses países, conforme informações do Ministério da Agricultura, com base em dados da Secex/MDIC.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
Logística
Benel investe R$ 45 milhões em novos transportes no prim...
14/10/26
Margem Equatorial
Governo do Amapá tem acordo formalizado com Transpetro e...
14/10/26
PD&I
Tereos amplia alcance de tecnologia própria para impulsi...
14/10/26
Investimento
ABPIP apresenta propostas ao Governo da Bahia para destr...
14/10/26
Biometano
ANP credencia B3 S.A. como entidade registradora de Cert...
14/10/26
Bacia de Pelotas
TGS retoma pesquisa sísmica na Bacia de Pelotas com foco...
13/10/26
Aviação
Avanço do combustível sustentável de aviação reforça imp...
13/10/26
Sustentabilidade
Vallourec Avança na Sustentabilidade com Tecnologia que ...
13/10/26
PD&I
ANP fará consulta e audiência públicas sobre credenciame...
09/10/26
Combustível
ANP retoma restrição à venda de biodiesel entre distribu...
09/10/26
Logística
Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano ...
08/10/26
Pessoas
CEO da Necta assume presidência do Conselho do CIBiogás ...
08/10/26
Oferta Permanente
PPSA passa a gerir 36 contratos de partilha após resulta...
08/10/26
Resultado
Oferta Permanente de Concessão (OPC): 6º Ciclo tem maior...
08/10/26
Leilão da ANP
Firjan destaca os resultados positivos do leilão de Part...
07/10/26
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.