Meio ambiente

Fapesp e Shell: caverna de estocagem de gás carbônico pode começar a operar em 2022

Redação/Assessoria Fapesp
13/02/2019 09:47
Fapesp e Shell: caverna de estocagem de gás carbônico pode começar a operar em 2022 Imagem: André Julião - Julio Meneghini, professor da Poli-USP e coordenador do RCGI, durante a FAPESP Week London Visualizações: 1875

Um conjunto de tecnologias, que deve ter seus primeiros resultados aplicados em quatro anos, tem como objetivo resolver um dos maiores problemas da exploração de óleo e gás no mundo hoje: a emissão de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) na atmosfera.

Resultado de uma patente depositada no ano passado, a inovação consiste em injetar o CO2 e o CH4 que sai dos poços durante a extração de petróleo em cavernas de sal, de forma a abater o gás carbônico da conta das emissões.

A primeira “caverna-piloto” pode estar pronta em 2022 e é resultado de pesquisas realizadas no Centro de Pesquisa para Inovação em Gás (RCGI), constituído pela FAPESP e pela Shell, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O RCGI é um dos Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE) financiados pela FAPESP em parceria com empresas.

“Esse é um conceito conhecido como carbon capture storage (CCS). Nesse caso, o CO2 fica estocado em grandes cavernas na própria camada de sal. Essa talvez seja uma das melhores formas de obter energia limpa de um combustível fóssil durante o processo de produção”, disse Julio Meneghini, professor da Poli-USP e coordenador do RCGI.

Meneghini foi um dos palestrantes do primeiro dia de reuniões da FAPESP Week London, que se realiza em Londres nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2019.

O local da caverna que vai receber os primeiros testes ainda não está definido, mas deverá ser em alguma das áreas do pré-sal. Nessa primeira fase, ela deve ter metade do tamanho das cavernas que serão usadas quando a tecnologia estiver funcionando em sua capacidade total: 450 metros de altura por 150 metros de largura.

Segundo Meneghini, o Brasil será o primeiro lugar no mundo em que esse conceito vai ser aplicado, e o modelo poderá ser exportado para outros países. Além de estocar CO2, a caverna poderá estocar ainda metano e separar os dois gases por gravidade. Por ter uma densidade menor, o CH4, também chamado de gás natural, fica no volume superior na caverna e pode ser explorado posteriormente. O dióxido de carbono fica embaixo. O pesquisador prevê que até 2022 comecem pelo menos os primeiros testes ou se inicie a construção da caverna. No cenário mais otimista, será o ano do início da operação da caverna.

Captura de gás carbônico

“A novidade não é só a caverna, mas as várias inovações que orbitam em torno dela, como separadores supersônicos de gases, compressores projetados com otimização topológica, membranas de nanotubos de grafeno para a separação dos gases, entre outros”, disse o pesquisador.

Os novos compressores de CO2 são vitais para o funcionamento do projeto, já que as cavernas contam com condições extremas de pressão. Só de lâmina d’água, distância da superfície até o solo marinho, são de 2 mil a 3 mil metros de profundidade. Essas e outras variáveis deixam o gás no chamado estado supercrítico.

“Ele tem a densidade de um líquido e a viscosidade de um gás. Por isso, é necessário um projeto de compressor para essa condição específica. Criamos uma nova metodologia que consiste em otimizar o compressor exatamente para as condições do fluido supercrítico”, disse Meneghini à Agência FAPESP.

Outra tecnologia relacionada às cavernas de dióxido de carbono são os separadores de gás. Também devido às condições do pré-sal, estão sendo desenvolvidos os chamados separadores supersônicos com geometria variável para cada composição da mistura de CO2 com metano.

Além disso, estão sendo desenvolvidas membranas de nanotubos de grafeno, também para separação desses gases com a menor perda de energia possível.

A captura de gás carbônico pode ocorrer ainda na geração de etanol. “O gás capturado pode ser estocado ou aproveitado na indústria alimentícia, na produção de bebidas gaseificadas como refrigerantes. Com isso, pode-se chegar inclusive a valores negativos de emissões”, disse Meneghini. "Os experimentos ainda são realizados em pequena escala", acrescentou.

As tecnologias surgem num contexto em que há um aumento da demanda de energia per capita no mundo e a necessidade de mitigar emissões, por conta das mudanças climáticas globais.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
Logística
Benel investe R$ 45 milhões em novos transportes no prim...
14/10/26
Margem Equatorial
Governo do Amapá tem acordo formalizado com Transpetro e...
14/10/26
PD&I
Tereos amplia alcance de tecnologia própria para impulsi...
14/10/26
Investimento
ABPIP apresenta propostas ao Governo da Bahia para destr...
14/10/26
Biometano
ANP credencia B3 S.A. como entidade registradora de Cert...
14/10/26
Bacia de Pelotas
TGS retoma pesquisa sísmica na Bacia de Pelotas com foco...
13/10/26
Aviação
Avanço do combustível sustentável de aviação reforça imp...
13/10/26
Sustentabilidade
Vallourec Avança na Sustentabilidade com Tecnologia que ...
13/10/26
PD&I
ANP fará consulta e audiência públicas sobre credenciame...
09/10/26
Combustível
ANP retoma restrição à venda de biodiesel entre distribu...
09/10/26
Logística
Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano ...
08/10/26
Pessoas
CEO da Necta assume presidência do Conselho do CIBiogás ...
08/10/26
Oferta Permanente
PPSA passa a gerir 36 contratos de partilha após resulta...
08/10/26
Resultado
Oferta Permanente de Concessão (OPC): 6º Ciclo tem maior...
08/10/26
Leilão da ANP
Firjan destaca os resultados positivos do leilão de Part...
07/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25