Lançamento

Grand Siena, da Fiat passará a sair de fábrica movido a gás natural veicular

O Tempo (MG), 09/04/2019
09/04/2019 13:14
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A Fiat será a única montadora do país a oferecer um carro que sai de fábrica podendo ser abastecido de quatro formas – só etanol, só gasolina, a mistura de ambos ou com gás natural veicular (GNV). O lançamento desse veículo deve acontecer até o fim deste mês, segundo o presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Pedro Magalhães. Em um primeiro momento, o modelo que terá essa possibilidade de abastecimento será o Grand Siena. “Depois, a Fiat vai passar a fabricar outros modelos. E a intenção, no futuro é que, além dos veículos leves, o GNV possa abastecer ônibus e caminhões”, diz o executivo.

Procurada pela reportagem, a montadora não confirmou as informações até o fechamento desta edição.

Além de ter mais possibilidades de escolha na hora de abastecer, o consumidor deverá ter a vantagem de isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o que, segundo ele, não vai prejudicar a arrecadação do Estado. “Isso seria compensado pelo aumento da arrecadação do ICMS”, diz.

A lei nº 23.174/2018, que permite a isenção do IPVA para o consumidor que comprar um carro a gás ou a energia elétrica produzido em Minas Gerais, foi aprovada no último dia 21 de dezembro No primeiro ano, a perda com a renúncia do IPVA é estimada em R$ 1,6 milhão, de acordo com o presidente da Gasmig. Só que com a venda dos carros, a arrecadação do ICMS é projetada em R$ 700,7 milhões. O saldo para o governo do Estado seria de R$ 699,1 milhões.

Segundo o executivo, a previsão é de vendas de 100 mil unidades tetrafuel no primeiro ano de produção, sendo 10 mil destinadas a Minas Gerais e o restante a outros Estados.

De acordo com Magalhães, há momentos em que o gás chega a ser 50% mais barato que os demais combustíveis. “Atualmente, o GNV é 30% mais em conta que o etanol e por volta de 45% melhor, na comparação com a gasolina”, analisa.

Ainda de acordo com o presidente da Gasmig, cerca de 40 mil veículos usam GNV no Estado atualmente, mesmo número do Espírito Santo, que tem população e frota bem menores que as mineiras. O maior mercado é o do Rio de Janeiro, com cerca de 1 milhão de veículos movidos a GNV. “Antes da nossa campanha de estímulo ao uso do gás, Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, tinha mais carros com GNV que Minas Gerais”, conta.

No ano passado, a companhia lançou uma campanha que ofereceu bônus de R$ 2.000 aos motoristas que optassem pelo GNV. O valor corresponde a cerca de metade do custo para implantação do kit, que gira em torno de R$ 3.800 a R$ 4.300, de acordo com o modelo do veículo. “Tivemos um resultado acima do esperado. A previsão era conseguir converter 4.000 veículos em 18 meses, e chegamos a este resultado em dez meses”, conta.

Otimista, o presidente da Gasmig calcula que até 50 mil carros que podem ser abastecidos com GNV estarão circulando em Minas Gerais até o fim deste ano, considerando as vendas dos carros da Fiat da modalidade tetrafuel e mais os convertidos que já estão no mercado.

Rede de postos precisa aumentar

Além da produção do carro tetrafuel para o mercado de GNV crescer, segundo o presidente da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), Pedro Magalhães, é necessário aumentar a rede de postos no Estado – hoje, são apenas 55 que oferecem o GNV, e 16 oficinas convertedoras.

De acordo com o executivo, para oferecer gás aos motoristas, um empresário deve investir cerca de R$ 300 mil no posto de combustíveis. “Se ele já tiver oferecido GNV e parou, mas quiser voltar, o procedimento é rápido. Leva por volta de 30 dias para religar. Já para estrear no mercado, o tempo médio é de 90 dias”, explica.

Hoje, o GNV representa 4% das vendas da Gasmig. Com a produção de carros tetrafuel da Fiat, além dos que são convertidos nas oficinas especializadas, a participação, de acordo com o presidente, deve chegar a 10% em um ano.

Atualmente, são comercializados 130 mil m³ de GNV por dia. “Há dez anos, eram 280 mil m³ por dia. Em até quatro anos, queremos voltar neste patamar”, diz.

 

 

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