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Logística esquece crise e fecha mais contratos

<P>Apesar da crise econômica que ocasiona queda na demanda mundial de cargas, as empresas nacionais de logística conseguem celebrar grandes contratos dentro deste cenário turbulento. </P><P>Com as operações voltadas ao setor ferroviário, a MRS Logística inicia, até a metade do ano, uma opera...

DCI
15/04/2009 21:00
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Apesar da crise econômica que ocasiona queda na demanda mundial de cargas, as empresas nacionais de logística conseguem celebrar grandes contratos dentro deste cenário turbulento.

Com as operações voltadas ao setor ferroviário, a MRS Logística inicia, até a metade do ano, uma operação para transportar o produto da CSN Cimentos da nova fábrica em Volta Redonda (RJ) a Minas Gerais e São Paulo, enquanto a América Latina Logística (ALL), em parceria com a Standard Logística, anunciou um corredor entre o Mato Grosso e o Portos de Santos, onde devem captar como clientes os maiores players de frigorificados do país.

Outra que vê a possibilidade de anunciar mais negócios é a Log-In Logística Intermodal - operador especializado em soluções integradas para o transporte de contêineres. No mês passado, Mauro Oliveira Dias, diretor presidente da Log-In, anunciou a conquista de duas operações de peso, uma para a Monsanto no Nordeste e uma para a Braskem, no Rio Grande do Sul, porém a expectativa é de que venham novidades por aí.

Estamos em conversas bem adiantadas que indicam o fechamento de novos contratos nos meses a seguir, comentou, com o DCI, Marcelo Machado Arantes, da Diretoria de Logística Log-In. O executivo não pôde confirmar quem serão os próximos clientes, mas sinalizou que a empresa está de olho em segmentos como o siderúrgico, o petroquímico, o alimentício e o de construção.

Arantes garantiu que os aportes de R$ 1,5 bilhão previstos pela Log-In para os próximos cinco anos estão garantidos e que a companhia está preparada para enfrentar o complicado momento econômico. Estamos em uma posição privilegiada, com financiamentos de longo prazo fechados e dinheiro em caixa, analisou. Hoje, a empresa tem crédito garantido do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a construção de navios, além de R$ 180 milhões em caixa registrados no último balanço financeiro, medido até dezembro de 2008.

Mesmo com a queda apresentada na demanda de cargas, o diretor crê que a opção de apresentar projetos logísticos completos que ocasionem redução de custos aos clientes pode ser uma aliada para as empresas de logística fecharem contratos. A cabotagem, por exemplo, é competitiva em rotas de longo curso. O percurso de Manaus a Santos, de navio, demora praticamente os mesmo dez dias que leva um caminhão, a uma redução de custo média de 10% a 15%, explicou.

Trilhos

Com a maior parte das operações voltadas ao minério de ferro, que sofreu com a retração na demanda, a MRS deve duplicar sua atuação no mercado de cimentos, ao assumir o transporte da produção da nova fábrica da CSN no Rio de Janeiro. O cálculo é que vamos transportar 500 mil toneladas até o final do ano, sendo que há a possibilidade de elevar isto para 1,4 milhão até 2011, comentou Valter Souza, diretor comercial da MRS, durante a Intermodal South America, feira do setor de logística que termina hoje em São Paulo.

Para começar os trabalhos foram investidos R$ 8 milhões, dos quais R$ 2,4 milhões foram aplicados pela MRS na reforma de vagões e, os mais de R$ 5 milhões restantes, investidos pela CSN em terminais ao longo do percurso e e acessos de ferroviários. Para a operação será utilizado um trem com 40 vagões totalmente dedicados a este transporte. Proporcionalmente, ele pode substituir 120 carretas.

Para Maurício Baptista, gerente-geral da CSN, o mercado de cimentos deve crescer, apesar do cenário econômico. Esse setor ainda não sofreu com a crise e, com esse pacote lançado pelo governo, pode crescer ainda mais, disse. Os executivos das duas empresas falaram em um incremento de 8% nos cimentos este ano.

O gerente da CSN admitiu ainda que, de acordo com o incremento observado na produção, a empresa pode até construir outro terminal mais à frente, enquanto o diretor da MRS colocou que intenção da empresa é acompanhar o avanço dos negócios do cliente, podendo incrementar a insfraestrutura gradativamente para encorpar o negócio.

Outro operador logístico ferroviário que abre novas possibilidades de negócios é a ALL, em parceria com a Standard, empresa focada no transporte de alimentos congelados. Com a união das empresas, começará em julho a operação do Terminal de Contêineres em Alto Taquari (MT), com destino ao maior porto do País.

Com vocação para o transporte de carga seca e frigorificados por contêiner, o trecho já tem dois clientes fechados, confirmou Sérgio Nahus, diretor de Industrializados da ALL, que não pôde revelar os nomes por sigilo contratual. Mas o executivo concordou em sinalizar que tipo de cliente atende o perfil da rota. Estamos em conversas com empresas como Friboi, Sadia e Perdigão, clareou. Parte dessas empresas já é cliente da ALL.

A entrada das novas operações garantirá à ALL um crescimento de 150% na área de contêineres este ano. O objetivo do trecho Mato Grosso-Santos é atingir, nos três primeiros meses, 600 contêineres transportados por mês, podendo elevar essa marca para três mil unidades mensais.

Só o novo terminal de Taquari corresponderá por 40% das atividades da ALL ligadas aos contêineres, sendo que a empresa pode viabilizar mais terminais, em cidades como Araraquara (SP), Campinas (SP), Ponta Grossa (PR), Telêmaco Borba (PR), Passo Fundo (RS) e Cruz Alta (RS), para dar vazão ao avanço das cargas secas e frigorificadas. Foram investidos R$ 15 milhões pela Standard, e cerca de R$ 40 milhões pela ALL em vagões-plataforma, sendo R$ 100 mil em 400 vagões. Também em março passado a ALL fechou contratos de longo prazo com a Cosan, para transportar açúcar por ferrovia.

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