Artigo

Marco regulatório do pré-sal deixará legado negativo ao país

Recentemente, o Congresso aprovou o projeto de lei que introduz modificações no marco regulatório do setor petrolífero no país. Segundo as novas regras, haverá um regime duplo para a exploração de petróleo no país. Nas á

Folha de S. Paulo
15/12/2010 08:18
Visualizações: 982
Recentemente, o Congresso aprovou o projeto de lei que introduz modificações no marco regulatório do setor petrolífero no país. Segundo as novas regras, haverá um regime duplo para a exploração de petróleo no país. Nas áreas do pré-sal, ou naquelas definidas pelo governo como estratégicas, vigorará o novo regime de partilha da produção, enquanto nas demais áreas permanecerá o regime vigente, que é o de concessão.
 
 
 
O novo regime deve introduzir mudanças profundas no setor e, dado seu peso na economia, sérias implicações para o país.
 
 
Apesar disso, o debate no Congresso e a cobertura da mídia se concentraram em torno da distribuição dos recursos arrecadados com a exploração do pré-sal entre os entes da Federação.
 
 
Há uma clara inversão de valores em prejuízo do conjunto da sociedade. A divisão das rendas do pré-sal deveria estar subordinada à questão da melhor forma de se empregar os recursos em favor da melhoria sustentada das condições de vida da população.
 
 
Os recursos do petróleo são finitos e, se forem mal empregados, podem não produzir mudanças estruturais duradouras na sociedade brasileira.
 
 
Os impactos do novo marco regulatório do setor de petróleo não estão restritos à utilização e à distribuição das riquezas do petróleo.
 
 
Sob o argumento de que, com a descoberta do pré-sal a parcela dos recursos a ser apropriada pelo Estado deveria ser ampliada -diagnóstico acertado, a nosso ver-, o marco regulatório aprovado pelo Congresso (e que espera sanção presidencial) introduziu ainda uma série de mudanças que devem representar grandes retrocessos institucionais.
 
 
Em linhas gerais, as novas regras ampliam significativamente o grau de ingerência estatal no setor -inclusive no nível operacional da exploração do petróleo- e cria privilégios para a Petrobras e para os fornecedores nacionais, ampliando a margem para a prática de favorecimentos, uso político do aparato petroleiro nacional e ineficiências econômicas.
 
 
O mais grave, contudo, é o fato de que as novas regras conferem grande discricionariedade e tornam o setor dependente das orientações e condutas dos governantes em exercício.
 
 
As regras aprovadas pelo Congresso deixam no ar uma sensação de déjà-vu.
 
 
Não é necessário retroceder muito no tempo para encontrar exemplos negativos para o processo de desenvolvimento do país deixados pelo modelo calcado no Estado intervencionista.
 
 
Resta indagar quais serão os custos da adoção desse marco em um país caracterizado por um histórico de favorecimentos, captura do Estado pelo setor privado e por instituições fracas, ainda em consolidação.
 
 
Sem dúvida, um retrocesso que será maquiado pelas riquezas do pré-sal, mas deixará um legado negativo para as gerações futuras.
 
 
WALTER DE VITTO é mestre em economia e analista do setor de energia da Tendências Consultoria Integrada.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Navegação
Shell obtém licença inédita como Empresa Brasileira de N...
09/01/26
Resultado
Petróleo é o principal produto da exportação brasileira ...
09/01/26
Petrobras
Revap irá ampliar em 80% produção de diesel S-10
09/01/26
Reconhecimento
ENGIE Brasil obtém nota máxima no CDP, entidade global q...
08/01/26
Ceará
Empresas cearenses lideram projeto H2MOVER-Pecém, seleci...
07/01/26
Apoio Marítimo
Ambipar realiza mais de 600 atendimentos no ano em respo...
06/01/26
Santos
Petrobras celebra 20 anos da Unidade da Bacia de Santos
06/01/26
Bacia de Pelotas
TGS disponibiliza aplicativo de segurança marítima para ...
06/01/26
Diesel
Petrobras e Vale avançam com parceria no fornecimento de...
05/01/26
ANP
Em novembro o Brasil produziu 4,921 milhões de barris boe/d
05/01/26
Negócio
KPMG: fusões e aquisições em petróleo têm recuo de quase...
05/01/26
Etanol
Anidro e hidratado iniciam o ano em alta pelo Indicador ...
05/01/26
Pré-Sal
Com a FPSO P-78, Petrobras inicia produção de Búzios 6
02/01/26
Pré-Sal
Seatrium conquista primeiro marco do escopo completo da ...
02/01/26
Biometano
Edge e Orizon obtêm autorização da ANP para comercializa...
02/01/26
Biodiesel
ANP prorroga suspensão da comercialização de biodiesel e...
30/12/25
Portos
Governo Federal aprova estudos finais para arrendamento ...
30/12/25
Petrobras
Brasil avança para atender demanda de combustível susten...
29/12/25
Leilão
Petrobras coloca em leilão online as plataformas P-26 e P-19
29/12/25
Automação
A capacitação da tripulação e a conectividade são os ver...
29/12/25
Royalties
Valores referentes à produção de outubro para contratos ...
24/12/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.