Negócios

MP vai apurar denúncias contra MMX

Valor Econômico
08/06/2011 09:54
Visualizações: 674
O Ministério Público de Minas Gerais irá apurar se a mineradora MMX, do empresário Eike Batista, está causando danos ambientais ao retirar resíduos de mineração na área da Fazenda dos Quéias, em Brumadinho (MG), na região de Serra Azul. A MMX está sendo acusada publicamente, em uma campanha de anúncios pagos na televisão e na imprensa nacional e mineira, pela Emicon, a proprietária dos direitos de lavra da reservas de minério de ferro, de ter agravado os problemas ambientais da região. A empresa se defendeu ontem, publicando uma nota de repúdio em que afirma ser a Emicon a única responsável pela degradação do lugar.


A mineração da Emicon está interditada judicialmente desde 2003, por explorar a área sem licenciamento ambiental. Quatro anos depois, o Ministério Público autorizou que a Emicon fizesse um contrato para que a AVG, empresa que foi comprada pela MMX, explorasse os rejeitos de fino de minério que estavam assoreando a barragem e ameaçando o seu rompimento. Para poder retirar os rejeitos, a AVG depositou em juízo R$ 6,9 milhões, que ficaram reservados para a cobertura do passivo ambiental da Emicon.


No ano passado, a Justiça finalmente arbitrou o tamanho dos danos ambientais: cerca de R$ 31 milhões, sendo aproximadamente R$ 30 milhões de responsabilidade da Emicon e menos de R$ 1 milhão a serem pagos pela MMX. O acordo estabelecia também que a Emicon precisaria requerer o licenciamento ambiental da mineração para poder vender os ativos minerários. A empresa afirma ter 1,2 bilhão de toneladas de minério em reservas. A MMX se comprometeu a fazer o licenciamento especificamente da retirada dos rejeitos.


"Este foi o acordo judicial de maior valor na região da Serra Azul e a primeira vez no Estado em que se estabeleceu uma caução a ser paga pelas mineradoras. Mas não deveremos mais autorizar que uma empresa possa fazer retirada de rejeitos sem que esta atividade passe por um novo licenciamento", afirmou o coordenador das promotorias de Justiça e de Defesa das Bacias do rio das Velhas e Paraopeba, Carlos Eduardo Ferreira Pinto. Segundo Ferreira Pinto, mesmo que seja constatado que a MMX não cumpriu sua parte no acordo, não há qualquer hipótese dos termos serem revistos. "Este tema transitou em julgado. Caso as acusações sejam verdadeiras, um procedimento inteiramente novo poderá ser aberto", disse.


A Emicon acusou a MMX de ter elevado o assoreamento da barragem de rejeitos e de estar fazendo extração de minério sem licença. "Eles estão fazendo vinte vezes mais as mesmas coisas que levaram à interdição de 2003", afirmou um porta-voz da companhia, Geraldo Monteiro, que se auto-define como "consultor independente".


O sócio da Emicon que assinou o acordo chama-se Sérgio Duarte. Monteiro disse que os anúncios foram pagos para quebrarem um suposto bloqueio da imprensa sobre o assunto. "Depois do que fizemos, as emissoras de televisão mandaram até equipes com helicópteros para filmagens", afirmou. Monteiro afirmou que a Emicon não contesta o acordo que a obrigou a pagar R$ 30 milhões.


Procurada pelo Valor, a MMX enviou outra nota em que afirma: "Causa perplexidade o fato de estas denúncias terem sido feitas pela Emicon. Todos os problemas ambientais citados são de responsabilidade daquela empresa e foram causados antes do início das atividades da MMX no local." A empresa controla por Eike Batista também afirma ter assumido "alguns compromissos no acordo apenas como condição para a retirada de finos de minério" e que está cumprindo os termos da decisão.


A mineradora afirmou ainda ter todas as licenças ambientais para realizar a atividade e que alteou a barragem para "corrigir e proporcionar segurança à estrutura, que se encontrava em estado de completo abandono". A MMX termina afirmando que tomará medidas judiciais não apenas contra os responsáveis pelas informações mas também contra "o financiador dessas ações".
Mais Lidas De Hoje
veja Também
IBEM26
iBEM 2026 reúne especialistas e discute futuro da energia
23/03/26
Crise
Conflito entre EUA e Irã: alta do petróleo pressiona cus...
20/03/26
P&D
Pesquisadores da Coppe desenvolvem técnica inovadora par...
20/03/26
Leilão
TBG avalia como positivo resultado do LRCAP 2026 e desta...
20/03/26
Macaé Energy
Lumina Group marca presença na Macaé Energy 2026
20/03/26
Resultado
Gasmig encerra 2025 com lucro líquido de R$ 515 milhões ...
20/03/26
Combustíveis
Fiscalização nacional alcança São Paulo e amplia ações s...
20/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 encerra com público recorde de 15 mil ...
19/03/26
Exportações
Firjan manifesta preocupação com a oneração das exportaç...
19/03/26
Energia Solar
Newave Energia e Gerdau inauguram Complexo Solar de Barr...
19/03/26
Combustíveis
Diesel chega a R$ 7,17 com conflito entre EUA e Irã, apo...
19/03/26
Petrobras
Museu do Petróleo e Novas Energias irá funcionar no préd...
19/03/26
Pesquisa e Inovação
MODEC impulsiona inovação e P&D com ideias que apontam o...
19/03/26
Etanol
Geopolítica e energia redesenham o papel do etanol no ce...
19/03/26
Energia Elétrica
Copel vence leilão federal e vai aumentar em 33% a capac...
19/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy: debates focam no papel estratégico do gás ...
18/03/26
Economia
Firjan vê início da queda da Selic como positivo para a ...
18/03/26
Internacional
Petrobras confirma nova descoberta de gás na Colômbia
18/03/26
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23