Gestão
Setor soma 18 mudanças no comando desde 2022; trocas equivalem a 28% das 64 companhias do Ibovespa no período.
Redação TN Petróleo/Assessoria Flow Executive Finders
Os setores de petróleo, gás e energia lideraram as trocas de CEOs entre as empresas do Ibovespa nos últimos cinco anos, em um movimento que reflete a crescente renovação das lideranças corporativas. Levantamento exclusivo da Flow Executive Finders, consultoria estratégica especializada na seleção de executivos C-level para grandes companhias, mostra que, entre 2022 e maio de 2026, foram registradas 18 mudanças no comando de empresas desses segmentos, equivalente a 28% das 64 trocas de CEOs realizadas por companhias integrantes do principal índice da bolsa brasileira no período.
Somente em 2026, até maio, já foram anunciadas três mudanças no topo de empresas ligadas a esses segmentos: Brava Energia, Cemig e Axia Energia, cujo processo de sucessão será concluído somente em 2027. Em apenas cinco meses, o número supera todo o ano de 2022, quando foram duas trocas, e se igualam ao total de 2024. Nos anos de 2023 e 2025 foram cinco mudanças em cada ano.
O sócio da Flow Executive Finders, Igor Schultz (foto), explica que entre 2021 e 2026 os setores passaram simultaneamente por mudanças relevantes de natureza regulatória, política, operacional e estratégica, o que aumentou a pressão sobre as estruturas de liderança.
“No setor de petróleo e gás, o principal vetor foi a instabilidade estratégica associada a empresas com influência estatal, além de processos de reestruturação, pressão por eficiência e adaptação à agenda de transição energética. Isso elevou a sensibilidade das companhias à mudança de gestão e reduziu o ciclo médio de permanência de alguns executivos”, avalia. “Já em energia elétrica, houve uma combinação de fatores. Parte das trocas está associada a empresas com influência estatal, mas também houve renovação geracional relevante em posições de liderança”, pontua Schultz.
Desafios estruturais
Além disso, ele explica que o setor energético vem enfrentando desafios estruturais importantes. Um dos principais é o chamado curtailment, situação em que projetos de energia renovável deixam de gerar ou têm sua produção reduzida por limitações na capacidade de transmissão.
“O Brasil possui dimensões continentais e, embora tenha ampliado fortemente a geração eólica e solar nos últimos anos, grande parte desses investimentos ficou concentrada nas regiões Norte e Nordeste. Como a infraestrutura de transmissão não avançou no mesmo ritmo, surgiram gargalos para levar essa energia aos grandes centros consumidores do restante do país. Na prática, isso significa que há momentos em que existe oferta de energia disponível, mas ela não consegue ser escoada”.
O executivo afirma que, diante desse desequilíbrio, a agência reguladora e o governo determinam cortes na geração excedente, o que reduz a receita das empresas do setor. “Esse cenário trouxe impactos relevantes para as geradoras e também provocou mudanças no perfil dos executivos demandados pelo mercado. Passou a haver maior valorização de CEOs e lideranças com experiência em gestão de projetos, controle de custos, eficiência operacional e reestruturação financeira”.
O ponto comum entre os setores é que todos passaram por mudanças relevantes no ambiente competitivo e regulatório em um intervalo relativamente curto. Em contextos como esse, aumenta a tendência de revisão de liderança, principalmente quando há necessidade de reposicionar estratégia, revisar governança ou acelerar transformação operacional. “É nesse ponto que o trabalho de executive search deixa de ser sobre preencher uma vaga e passa a ser sobre entender o que o próximo ciclo vai exigir dessa liderança e buscar lideranças prontas para o ciclo”, finaliza Schultz.
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