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Não há espaço para estaleiro, segundo IACE

<P>Os planos do Governo do Estado, já revelados pelo governador Cid Gomes, de trazer para o Ceará um estaleiro de grande porte — segundo informado com exclusividade pelo Diário do Nordeste na edição do dia 25/4/2008 — podem estar equivocados. De acordo com o diretor presidente da Indústria...

Diário do Nordeste
26/06/2008 21:00
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Os planos do Governo do Estado, já revelados pelo governador Cid Gomes, de trazer para o Ceará um estaleiro de grande porte — segundo informado com exclusividade pelo Diário do Nordeste na edição do dia 25/4/2008 — podem estar equivocados. De acordo com o diretor presidente da Indústria Naval (Inace), Gil Bezerra, as terras cearenses não comportam tal estrutura.

´O Ceará não tem espaço geográfico para ter um grande estaleiro. Isso, porque nós não temos abrigo. Para fazer um abrigo, tem que fazer um quebra-mar partindo da praia. No Porto do Pecém, ele não sai da costa, o quebra-mar é feito lá mesmo, no mar. Então, eu não sei que tipo de estaleiro ele quer colocar aqui´, explica.

Na verdade, ele afirma que existe, sim, uma possibilidade, única: finalizar as atividades do Porto do Mucuripe e utilizar o local para fazer um grande aterro e lá abrigar o estaleiro. ´Mas eu acredito que ele não vai fazer isso. Há 30 anos, nós [a Inace] quisemos ir pro Porto de Mucuripe, e não pudemos´.

Segundo Bezerra, a questão geográfica é decisiva, mesmo que Fortaleza possua as condições que, informa, garantem a construção de um estaleiro: ´A indústria naval só é possível em uma capital com bastante infra-estrutura, que é o que nós temos hoje. Nós temos um bom começo, temos bastantes universidades, bastante escola técnica, que elas têm que ser aperfeiçoadas para atender ao pólo metalmecânico do Estado´. Entretanto, este potencial pode ser utilizado para fortalecer o estaleiro de menor porte que já existe instalado aqui.

Bezerra afirma que Porto de Suape (Pernambuco) já foi concebido para ser ´o grande ponto do Nordeste brasileiro´, e é onde está sendo construído o estaleiro Atlântico Sul. ´Da sombra do grande quebra-mar que o Suape tem, sobrou espaço pra abrigar o Atlântico Sul. Então, é um estaleiro que tem um abrigo subsidiado. E tem terra suficiente para desenvolver, apesar de ter uma capital um pouquinho menor do que a nossa, mas eles têm toda a condição de ser o maior pólo de construção naval individual do Brasil. Eles têm porto adjacente, poderá, no futuro, ter siderúrgicas adjacentes e, ao mesmo tempo, o esforço muito menor para desenvovler a sua fabricação. Então, com isso, foi um local muito privilegiado que eles pegaram´.

NOS PRÓXIMOS DIAS
Transpetro lança 2ª fase do Promef

Depois de anunciar a construção de novos 26 navios, por meio de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Transpetro deve lançar, nos próximos dias, a segunda fase do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). A nova licitação deve contratar 23 navios, em sete lotes. Segundo o assistente diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Rubens Langer, a localização onde serão construídos as novas embarcações só serão definidas com os vencedores. ´A decisão envolve fatores técnicos e o preço´, informa, explicando que os tipos de navios a serem fabricados ainda estão em definição.

O Brasil hoje possui 54 navios, apenas 17% das necessidades de carga da Petrobras. No mundo, 80% das transações comerciais são feitas pelo mar e, no Brasil, esse percentual é de 95%. ´Mas 4% do transporte marítimo aqui é feito com embarcações de bandeira brasileira. Isso é uma grande oportunidade de crescimento´.

Segundo ele, o aumento da busca pelo etanol brasileiro é um dos motivos que puxam a recuperação do setor, juntamente com a elevação da demanda por gás natural e o esperado ´boom´ na produção petrolífera do Brasil, com as novas descobertas. As necessidades de melhorias na segurança das plataformas são outra razão. ´A Petrobras opera de 130 a 140 navios por dia e o Brasil gasta US$ 10 bilhões/ano em transporte de navio. O objetivo agora é atingir um mínimo de 65% de nacionalização da frota, com preços e qualidade competitivos´.

O faturamento mundial da indústria naval é de US$ 191 bilhões/ano. Somente Coréia, Japão e China dominam 88% do mercado.

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