Artigo

O novo PAC 2 e o terminal salineiro de Areia Branca

Artigo publicado originalmente no  jornal  Tribuna do Nordete (RN) pelo economista Antoir Mendes Santos sobre o PAC.

Tribuna do Nordete (RN)/Antoir Mendes Santos - Economista
12/04/2010 03:04
Visualizações: 980

Mesmo sem concluir as obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC previstas para serem executadas no período 2007/2010, o governo do senhor Luiz Inácio acaba de lançar a segunda versão do programa, denominado PAC 2, o que para seus opositores irá cumprir duas grandes finalidades: i) dar continuidade às obras inconclusas ( que não são poucas) e ii) dar visibilidade a campanha da candidata Dilma Rousseff.

 

Lançado em 2007, o chamado PAC original se afigurava como o principal programa de investimento em infraestrutura, capaz de dar suporte ao processo de crescimento de que o país precisava. Naquela oportunidade, o governo previa investir R$ 638 bilhões em obras, serviços e ações, o que terminou por não se concretizar. De acordo com o último balanço de acompanhamento das obras foram gastos R$ 256,9 bilhões, no período 2007/2009, ou seja, apenas 40% das intervenções previstas foram realizadas.

 

 

Além dessa defasagem, o PAC ainda enfrenta criticas com relação à transparência das informações, consideradas insuficientes, sigilosas e/ou secretas por àqueles que tentam acompanhar o desempenho do programa. Assim, fica impossível saber o que acontece com as 2.471 ações “monitoradas” pela gestão do programa, na medida em que essas ações aparecem nos relatórios oficiais com o carimbo de “ritmo adequado”, impedindo que se conheça os atrasos nas obras e as previsões de conclusão. Para os adversários do programa, essa manipulação de dados constituía a famosa “caixa-preta” gerenciada pela ministra Dilma.

 

Apesar dessas dificuldades, é possível extrair-se do último balanço de acompanhamento do PAC, informações sobre o andamento de obras que interessam mais de perto aos estados nordestinos. É o caso da duplicação da BR-101 que tem no RN 29 km pavimentados no trecho Natal/Arêz e 18 km no trecho Arêz/DivisaPB, perfazendo 47 km de um total de 81 km. Na Paraíba, dos 129 km a serem duplicados 104 km de pavimento rígido já foram concluídos, enquanto que em Pernambuco já foram pavimentados 106 km de uma meta de 195 km. Com relação ao projeto de integração do rio São Francisco com as bacias do Nordeste Setentrional, as obras dividem-se em dois eixos: o Eixo Leste com 220 km e 41% das obras concluídas, cujas águas deverão beneficiar Pernambuco e Paraíba, e o Eixo Norte com 402 km e apenas 24% concluídos que prevê adução d”água para Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio G. Norte. No que se refere às obras de infraestrutura portuária, os principais resultados apontam para a repotencialização do Terminal Salineiro de Areia Branca e para dragagem de aprofundamento do porto de Recife (obras já concluídas), além da continuação da construção do cais para contêineres do porto de Maceió. No contexto do programa nacional de dragagem, as principais ações dizem respeito ao início da dragagem do canal interno do porto de Suape e do porto de Natal, este para 12,5 metros de profundidade. No que tange ao projeto de construção dos 1.728 km da ferrovia Transnordestina (que não inclui o RN), os resultados mais importantes referem-se às obras do trecho Missão Velha/Salgueiro (96 km), onde foram realizados 96% da infraestrutura, e do trecho Salgueiro/Trindade (163km) onde foram concluídos apenas 15% da infraestrutura prevista. Por seu turno, o andamento das obras dos metrôs de Salvador e de Fortaleza continuam no chamado “ritmo adequado”, ficando o destaque para o metrô de Recife que conta com 77% de suas obras concluídas, de um percurso total de 57,5 km.

 

É importante lembrar que 60% das obras preconizadas há três anos pelo PAC ficaram pelo caminho. A nova versão do programa chega prometendo resgatá-las (no todo ou em parte), na medida em que o governo pretende investir R$ 959 bilhões entre 2010/2014 e mais R$ 631 bilhões a partir de 2015. A geração de energia deverá ser o carro-chefe do programa, todavia também serão contempladas obras de cunho social, como é o caso da ampliação do Luz para Todos e da repaginação do Minha Casa, Minha Vida.

 

O fato é que com Dilma ou sem ela no comando, o PAC 2 já está nas ruas: seja sob a forma de uma “prateleira de projetos” como quer o senhor Luiz Inácio, ou sob o rótulo de uma “marmita requentada” como diz a ambientalista Marina Silva!

 

 

Fonte: Tribuna do Nordete (RN)/Antoir Mendes Santos - Economista  

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Reconhecimento
Copa Energia avança no Ranking 100 Open Startups e é rec...
18/11/25
Reciclagem
Coppe e Petrobras inauguram planta piloto de reciclagem...
18/11/25
Firjan
Rio de Janeiro tem superávit de US$ 8,7 bilhões na balan...
18/11/25
Petrobras
Região da RPBC irá receber R$ 29 milhões em projetos soc...
18/11/25
COP30
Setor de biocombustíveis lança Carta de Belém na COP30 e...
17/11/25
COP30
Caminhão 100% a biodiesel cruza o Brasil rumo à COP30 e ...
17/11/25
Gás Natural
Decisão da ANP sobre revisão tarifária de transporte vai...
17/11/25
COP30
Inovação com coco de piaçava em usina de biodiesel na Ba...
17/11/25
COP30
Alerta na COP30: sem eletrificação, indústria não cumpri...
17/11/25
Etanol
Hidratado e anidro fecham a semana valorizados
17/11/25
COP30
Setor de óleo e gás usa tecnologia para acelerar a desca...
15/11/25
COP30
Encontro promovido pelas distribuidoras de energia elétr...
15/11/25
COP30
Fórum do IBP debate novas tecnologias e desafios na insp...
14/11/25
Apoio Offshore
Svitzer Copacabana chega para fortalecer operações de GN...
14/11/25
BRANDED CONTENT
Merax, 20 anos de confiança em soluções que movem o seto...
14/11/25
Mossoró Oil & Gas Energy 2025
Mossoró Oil & Gas Energy terá debates estratégicos em 10...
14/11/25
COP30
IBP promove painéis sobre descarbonização, metas globais...
14/11/25
Eólica Offshore
Japão e Sindienergia-RS: em visita a Porto Alegre, embai...
14/11/25
Bacia de Campos
Novo prazo de recebimento de propostas para o FPSO do pr...
14/11/25
Royalties
Participação especial: valores referentes à produção do ...
14/11/25
COP30
Indústria brasileira de O&> atinge padrões de excelência...
14/11/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.