Preços

Onda de frio nos EUA pressiona petróleo e política de preços da Petrobras

Redação/Boletim SCA
18/02/2021 15:22
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A histórica onda de frio no estado americano do Texas já se reflete nas cotações internacionais do petróleo e amplia a pressão sobre a política de preços dos combustíveis da Petrobras. Nesta quarta (17), as duas principais cotações fecharam em alta de cerca de US$ 1 (R$ 5,40) por barril.

A escalada ocorre em um momento de alta nos preços internos, que gerou um debate entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e governadores sobre mudanças no sistema de cobrança do imposto estadual ICMS.

DivulgaçãoAs nevascas, que levaram ao fechamento de refinarias na principal região produtora de combustíveis dos Estados Unidos, reforçam as expectativas de que o ciclo de alta nas cotações internacionais ainda deve perdurar, levando consigo os preços no Brasil.

No pregão desta quarta, o petróleo Brent, referência internacional negociada em Londres, fechou em alta de 1,6%, ou US$ 0,99, cotado a US$ 64,34 (cerca de R$ 347) por barril. Já o petróleo WTI, negociado em Nova York, subiu 1,8%, ou US$ 1,09, para US$ 61,14 (R$ 330).

São os maiores valores desde janeiro de 2020, antes do início da pandemia, quando o mercado de petróleo era pressionado pela possibilidade de conflito no Oriente Médio após a morte do general iraniano Qasem Soleimani pelos Estados Unidos.

As cotações já vinham em alta nas últimas semanas, diante da perspectiva de retomada da economia com o avanço da vacinação contra a Covid-19 pelo mundo e de cortes na produção promovidos pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Nos últimos dias, segundo analistas, o movimento é impulsionado pelas temperaturas historicamente baixas no Texas. "Isso acabou de nos levar para o próximo nível", disse Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho em Nova York, que vê o petróleo indo a US$ 65 por barril.

A frente fria já interrompeu a produção de cerca de um milhão de barris por dia, o equivalente a um terço do volume produzido no Brasil, e a expectativa é que o bombeamento continue sofrendo impactos por dias ou até semanas.

A política de preços da Petrobras trabalha com um conceito conhecido como paridade de importação, que calcula quanto custaria a venda, no mercado brasileiro, de combustível comprado nos Estados Unidos. Em 2021, a estatal já promoveu três reajustes no preço da gasolina e dois no preço do diesel.

Nas bombas, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) o preço da gasolina acumula alta de 6,8% desde a última semana de 2020. Já o preço do diesel aumentou 4,6% no período.

Para especialistas, os valores cobrados pela estatal ainda não refletem a escalada das cotações internacionais e novos reajustes são esperados. Na semana passada, tanto gasolina quanto diesel tiveram alta expressiva no mercado americano.

Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem atual no preço da gasolina em relação à paridade de importação chegou a R$ 0,21 por litro. No diesel, é de R$ 0,40.

A Petrobras diz que o cálculo da defasagem varia de empresa para empresa. Desde o segundo semestre de 2020, porém, a estatal vem adotando prazos mais longos para avaliar se cumpre a paridade de importação: de três meses, o prazo para o alinhamento passou para um ano.

Reportagem publicada pela Folha na semana passada mostra que a defasagem do preço interno do diesel em relação às cotações internacionais aumentou após o ajuste na política de preços da estatal.

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