Energia

Operação de reservatórios pode elevar geração de Jirau e Santo Antônio

Valor Econômico
05/01/2010 09:50
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Passado mais de um ano desde que as obras das usinas de Jirau e Santo Antônio foram iniciadas em Porto Velho, no Estado de Rondônia, as concessionárias começam a discutir uma possível otimização da operação dos reservatórios das duas usinas. A ideia seria ampliar a energia assegurada dos dois empreendimentos, conjuntamente, e alguns estudos preliminares dão conta que esse potencial poderia colocar até 500 megawatts médios a mais no sistema, além dos 4 mil megawatts (MW) de energia assegurada dos dois projetos.

 

O presidente da Santo Antônio Energia, Roberto Simões, diz que o estudo para otimização da operação dos reservatórios é muito complexo e a negociação em torno do tema está só começando. Isso porque é preciso reduzir a geração de uma usina para potencializar a outra. Além disso, qualquer alteração precisa ser aprovada pela Aneel e também passar pelo crivo do Ministério de Minas e Energia. Mas principalmente as duas empresas precisam chegar a um acordo comercial sólido. Se conseguirem podem potencializar significativamente o retorno dos investimentos que estão sendo feitos.

 

As duas usinas vão receber neste ano cerca de R$ 6,5 bilhões, do total de mais de R$ 20 bilhões que serão desembolsados ao longo dos projetos. Desde o início das obras as duas empresas investiram R$ 5 bilhões. Cerca de R$ 2 bilhões saiu do bolso dos acionistas das duas concessionárias.

 

A negociação entre os sócios dos dois empreendimentos é bastante intensa, mas a relação entre os dois presidentes parece bastante amistosa. As duas empresas conseguiram, por exemplo, chegar a um acordo sobre a alteração da subestação que vai transmitir a energia de Jirau. Além disso, projetos sócio-ambientais já estão sendo tocados juntos pelas duas empresas.

 

Victor Paranhos, executivo da GDF Suez que comanda a concessionária Energia Sustentável do Brasil que constrói Jirau, diz que um dos pontos de maior sucesso do trabalho em conjunto é o estudo da malária. "O índice de malária em Porto Velho tem sido reduzido", diz Paranhos.

 

Outro ponto levantado pelos dois executivos é da questão da transposição dos peixes, que deve começar ainda neste mês. Foi construído um canal na cachoeira de Teotônio, entre as duas usinas, de cerca de 10 metros de altura para que seja monitorado o comportamento dos peixes nesse nível de inclinação. Essa transposição é importante porque os peixes sobem o rio Madeira para fazer a desova.

 

Mas em meio a tudo isso, as duas usinas ainda terão de continuar a lidar com as pressões locais. Principalmente a usina de Jirau, que sofre forte pressão do governo local. As duas prestam hoje esclarecimentos à uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga suposta irregularidades na concessão dos licenciamentos.

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