Importação

País utiliza o petróleo para reforçar comércio com África

Importação neste ano aumentou um terço.

Valor Econômico
19/11/2013 10:15
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O Brasil aumentou em um terço a importação de produtos africanos neste ano, majoritariamente em função do petróleo. A retração da produção nacional e o aumento do consumo interno forçaram a Petrobras a comprar mais óleo bruto no exterior, e essas compras desembarcaram no país com uma composição de origem diferente da registrada no ano passado. Enquanto o Oriente Médio perdeu espaço, fornecedores tradicionais como Nigéria e Argélia aumentaram as vendas, ao mesmo tempo em que produtores de menor expressão ganharam força, como Guiné Equatorial e Angola.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Brasil comprou US$ 15 bilhões dos países africanos de janeiro a outubro. Nos dados abertos, que estão acumulados até setembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, 85% das importações vindas da África foram de petróleo. Outros 8% foram compras de adubos e fertilizantes do Marrocos e o restante é composto por plásticos, ferro, aço e químicos.
O crescimento do peso dos africanos nas compras totais de petróleo pelo Brasil não é de agora. Neste ano, os fornecedores do continente aumentaram a participação em cinco pontos percentuais, captando nove de cada dez dólares gastos pela Petrobras com a compra do óleo bruto. Há cinco anos, a África respondeu por 73% da importação total.
Os países africanos que forneceram petróleo neste ano são justamente aqueles em que há mais interesse comercial brasileiro. Nos cinco maiores fornecedores africanos de petróleo (ver gráfico) há empresas brasileiras de petróleo, mineração ou construção civil instaladas ou com planos de investimentos. "O que há é política da boa vizinhança. Todos esses países produzem petróleo que o Brasil iria importar de qualquer jeito, já que neste ano a demanda foi muito grande pela compra do produto", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
Castro cita a missão comercial brasileira que vai visitar a Argélia e o Marrocos, países com os quais o Brasil tem déficit comercial. Na Guiné Equatorial, por exemplo, onde o petróleo é o único produto competitivo para a exportação, uma empresa brasileira de construção civil tem contratos de cerca de US$ 3 bilhões no país. Por outro lado, o Brasil quintuplicou, para US$ 813 milhões, as compras de petróleo do país localizado na costa oeste da África. Maior compra abre espaço para mais vendas.
Dos seis maiores exportadores africanos ao Brasil, cinco vendem apenas petróleo. Todos aumentaram os embarques do óleo neste ano. Só a Nigéria, até setembro, foi responsável por US$ 6,4 bilhões em vendas, metade do total consumido pelo Brasil. Argélia, Marrocos e Angola, somados, venderam mais US$ 3,7 bilhões.
O Brasil também voltou a comprar da Líbia. No ano passado nenhum dólar foi gasto pelos brasileiros com mercadorias líbias. Neste ano, em função do petróleo, as importações somaram US$ 229 milhões até setembro.
Para o diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, os dados refletem uma política de diversificação de fontes de abastecimento de petróleo pela Petrobras. "Como é um produto de áreas com certa instabilidade, que podem interromper o fluxo de produção e criar barreiras à comercialização, quanto menos você depender de um ou poucos países como fornecedores, melhor", afirma.
A referência de Silveira é ao Oriente Médio, onde o Brasil diminuiu 9% o montante gasto neste ano até setembro ante o mesmo período do ano passado. Houve retração das compras da Arábia Saudita - que segue como segundo maior fornecedor atrás da Nigéria - e Iraque.
A produção de petróleo pela estatal, que deve fechar o ano com queda entre 2% e 3%, também é apontado como outro fator que explica os números, segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). "A Petrobras também deve ter conseguido contratos que beneficiam mais a empresa do que os anteriores, por isso a mudança de fontes. Assim ela mata dois coelhos: diversifica e consegue melhorar as condições de compra", afirma.
Maior importação de produtos africanos faz parte da estratégia de comércio exterior do país para o futuro, segundo Silveira. "Ninguém vai importar óleo bruto que não precisa. Há interesse brasileiro forte no continente, visando o futuro. O Brasil está colocando um pé onde os chineses já colocaram há um tempo", diz Silveira.
Com a perspectiva de emergência de um mercado consumidor na África nas próximas décadas, os países que criarem laços comerciais mais fortes poderão se beneficiar das perspectivas, se concretizadas, do crescimento da economia do continente.
"É esperada a intensificação do comércio brasileiro com a África no médio e longo prazo, pois é um mercado com potencial de produção e consumo ao mesmo tempo. O tamanho do avanço vai depender da capacidade brasileira em baratear o frete e a logística até o continente e da diminuição dos custos internos de produção, para poder competir melhor com os asiáticos", afirma Silveira.

O Brasil aumentou em um terço a importação de produtos africanos neste ano, majoritariamente em função do petróleo. A retração da produção nacional e o aumento do consumo interno forçaram a Petrobras a comprar mais óleo bruto no exterior, e essas compras desembarcaram no país com uma composição de origem diferente da registrada no ano passado. Enquanto o Oriente Médio perdeu espaço, fornecedores tradicionais como Nigéria e Argélia aumentaram as vendas, ao mesmo tempo em que produtores de menor expressão ganharam força, como Guiné Equatorial e Angola.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o Brasil comprou US$ 15 bilhões dos países africanos de janeiro a outubro. Nos dados abertos, que estão acumulados até setembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, 85% das importações vindas da África foram de petróleo. Outros 8% foram compras de adubos e fertilizantes do Marrocos e o restante é composto por plásticos, ferro, aço e químicos.

O crescimento do peso dos africanos nas compras totais de petróleo pelo Brasil não é de agora. Neste ano, os fornecedores do continente aumentaram a participação em cinco pontos percentuais, captando nove de cada dez dólares gastos pela Petrobras com a compra do óleo bruto. Há cinco anos, a África respondeu por 73% da importação total.

Os países africanos que forneceram petróleo neste ano são justamente aqueles em que há mais interesse comercial brasileiro. Nos cinco maiores fornecedores africanos de petróleo (ver gráfico) há empresas brasileiras de petróleo, mineração ou construção civil instaladas ou com planos de investimentos. "O que há é política da boa vizinhança. Todos esses países produzem petróleo que o Brasil iria importar de qualquer jeito, já que neste ano a demanda foi muito grande pela compra do produto", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Castro cita a missão comercial brasileira que vai visitar a Argélia e o Marrocos, países com os quais o Brasil tem déficit comercial. Na Guiné Equatorial, por exemplo, onde o petróleo é o único produto competitivo para a exportação, uma empresa brasileira de construção civil tem contratos de cerca de US$ 3 bilhões no país. Por outro lado, o Brasil quintuplicou, para US$ 813 milhões, as compras de petróleo do país localizado na costa oeste da África. Maior compra abre espaço para mais vendas.

Dos seis maiores exportadores africanos ao Brasil, cinco vendem apenas petróleo. Todos aumentaram os embarques do óleo neste ano. Só a Nigéria, até setembro, foi responsável por US$ 6,4 bilhões em vendas, metade do total consumido pelo Brasil. Argélia, Marrocos e Angola, somados, venderam mais US$ 3,7 bilhões.

O Brasil também voltou a comprar da Líbia. No ano passado nenhum dólar foi gasto pelos brasileiros com mercadorias líbias. Neste ano, em função do petróleo, as importações somaram US$ 229 milhões até setembro.

Para o diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, os dados refletem uma política de diversificação de fontes de abastecimento de petróleo pela Petrobras. "Como é um produto de áreas com certa instabilidade, que podem interromper o fluxo de produção e criar barreiras à comercialização, quanto menos você depender de um ou poucos países como fornecedores, melhor", afirma.

A referência de Silveira é ao Oriente Médio, onde o Brasil diminuiu 9% o montante gasto neste ano até setembro ante o mesmo período do ano passado. Houve retração das compras da Arábia Saudita - que segue como segundo maior fornecedor atrás da Nigéria - e Iraque.

A produção de petróleo pela estatal, que deve fechar o ano com queda entre 2% e 3%, também é apontado como outro fator que explica os números, segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). "A Petrobras também deve ter conseguido contratos que beneficiam mais a empresa do que os anteriores, por isso a mudança de fontes. Assim ela mata dois coelhos: diversifica e consegue melhorar as condições de compra", afirma.

Maior importação de produtos africanos faz parte da estratégia de comércio exterior do país para o futuro, segundo Silveira. "Ninguém vai importar óleo bruto que não precisa. Há interesse brasileiro forte no continente, visando o futuro. O Brasil está colocando um pé onde os chineses já colocaram há um tempo", diz Silveira.

Com a perspectiva de emergência de um mercado consumidor na África nas próximas décadas, os países que criarem laços comerciais mais fortes poderão se beneficiar das perspectivas, se concretizadas, do crescimento da economia do continente.

"É esperada a intensificação do comércio brasileiro com a África no médio e longo prazo, pois é um mercado com potencial de produção e consumo ao mesmo tempo. O tamanho do avanço vai depender da capacidade brasileira em baratear o frete e a logística até o continente e da diminuição dos custos internos de produção, para poder competir melhor com os asiáticos", afirma Silveira.

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