Gasoduto

Para revista, economicamente obra não "faz sentido"

Valor Econômico
13/02/2006 00:00
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A revista britânica "The Economist" publicou na edição que foi às bancas no dia 9 de fevereiro um artigo que critica duramente o gasoduto proposto pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segundo a matéria, o gasoduto "não faz sentido economicamente" e os objetivos de Chávez são "puramente políticos".

De acordo com a matéria, a partir de 3 mil quilômetros de distância, é mais barato transportar o gás liquefeito por navios. O projeto sul-americano prevê 9.283 quilômetros de dutos. O custo ambiental também seria alto, já que o gasoduto atravessa a Amazônia. Segundo o texto, a motivação de Chávez é política, já que ele "adoraria privar os Estados Unidos de gás em nome da integração da América do Sul".

Para a revista, o gasoduto não passa de um sonho e é um exemplo de como a discussão sobre o gás na América Latina é muito "apaixonada" e de que os governos parecem pouco inclinados a tratar o gás como uma commodity.

O artigo argumenta que os problemas começaram na Argentina e na Bolívia, dois dos três maiores produtores de gás. Em 2002, a Argentina converteu e congelou as tarifas de gás de dólares para pesos. Os preços do gás, que responde por metade do consumo de energia da Argentina, caiu em dois terços. Com a recuperação da economia, a demanda explodiu. E o fornecimento de gás não acompanhou o ritmo, já que as companhias deixaram de investir. As reservas de gás da Argentina caíram 35% entre 2000 e 2004. Com dificuldades de abastecimento no inverno, o país reduziu as O artigo afirma que a Bolívia, segunda maior reserva de gás do continente, atrás apenas da Venezuela, é a "a esperança e a dor de cabeça" da região. Com mais investimento, o país poderia dobrar suas exportações e um segundo gasoduto pode ser construído em apenas quatro anos.

Petrobras, Repsol, Total e British Gas investiram US$ 4,9 bilhões na Bolívia entre 1997 e 2004. Segundo a revista, as empresas não estavam preparadas para as mudanças na política com a eleição de Evo Morales. O ex-líder cocaleiro ressucitou a estal de petróleo e convidou as multinacionais a se tornarem parceiras. Se isso significar entregar o gás e o direito de definir os preços de exportação, as empresas vão querer uma compensação. Segundo o artigo, Morales pode buscar acordos com a estatal venezuelana, comandada por Chávez, mas enfrentará processos nas cortes internacionais.

A demanda de gás no Brasil está crescendo e o país pode enfrentar falta de gás em 2009, a não ser que surjam novas fontes de suprimento, diz "The Economist". O problema pode ser temporário. Novas descobertas de gás em alto-mar podem transformar o Brasil em exportador em 2012.

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