Financiamento

Petrobras atinge limite de dívida no BNDES

Valor Econômico
29/11/2004 00:00
Visualizações: 1353

A Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ambos controlados pela União, vão ter que encontrar uma solução para ampliar o limite de crédito da estatal no banco para acomodar os US$ 2,1 bilhões (quase R$ 6 bilhões) em financiamentos previstos a serem desembolsados até 2008.
Considerando a atual dívida da Petrobras com o BNDES e levando também em conta os limites impostos aos bancos pela resolução 2.844 do Banco Central (BC), faltam no momento apenas cerca de US$ 200 milhões (cerca de R$ 550 milhões) para ser atingido o teto limite de endividamento da estatal com a instituição de fomento.
Antes da assinatura, na sexta-feira anterior (26/11), do empréstimo de US$ 378,5 milhões que a Petrobras obteve para a construção da plataforma de produção P-52, a empresa já devia ao BNDES o total de R$ 3,23 bilhões (US$ 1,18 bilhão pelo câmbio livre da última sexta-feira). Com o contrato da P-52, o endividamento subiu para cerca de R$ 4,27 bilhões, ou aproximadamente US$ 1,56 bilhão.
A resolução 2.844 do BC estabelece que o nível máximo de exposição dos bancos por cliente não pode passar de 25% do seu patrimônio de referência. O atual patrimônio de referência do BNDES é de R$ 19,3 bilhões, de acordo com o seu balanço no fim de 2003. Isso significa que o limite de endividamento da Petrobras com o banco é de R$ 4,82 bilhões e que faltam cerca de R$ 550 milhões para ele ser alcançado. O patrimônio de referência do BNDES é composto do seu patrimônio líquido (PL) mais recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) estocados no banco, até o limite de 50% do PL.
O principal item do estoque de dívidas da Petrobras com o BNDES é o empréstimo para o desenvolvimento dos campos de Barracuda e Caratinga, na Bacia de Campos, que somava R$ 2,17 bilhões em agosto. As dívidas incluem também financiamento para os campos de Espadarte, Voador e Marimbá e outros débitos diversos.
Após fechar a operação da P-52, a estatal tem mais três pedidos de financiamento para serem contratados nos próximos meses e desembolsados até 2008. Para a P-51, o empréstimo poderá chegar a US$ 600 milhões. Para a P-54, a negociação prevê até US$ 500 milhões e para a P-53 serão até US$ 600 milhões. As duas primeiras operações estão em fase mais adiantada de análise.
Segundo Luiz Eduardo Melin, diretor da área externa do BNDES, as contratações entre o banco e a Petrobras deverão fluir mais rapidamente a partir de agora, porque as duas partes acertaram a metodologia para definir o índice de nacionalização de equipamentos a serem financiados. Ficou decidido que a medida da nacionalização será explicitada pela comprovação de que o bem ou serviço foi mesmo produzido ou executado no Brasil.
De acordo com Melin, o método que era usado antes do atual governo era o da simples comprovação com notas fiscais emitidas por empresas brasileiras. "Se você importasse uma máquina inteira, colocasse um parafuso no Brasil e emitisse a nota de venda aqui, o equipamento era considerado nacional", exemplificou.
No caso da P-52, foi definido um índice de nacionalização de 60% do valor total, que será de US$ 895 milhões. O empréstimo do BNDES só poderá ser utilizado para pagamento de bens e serviços nacionais. A cerimônia de assinatura do contrato de financiamento da P-52 foi o primeiro ato público no banco presidido pelo novo presidente, Guido Mantega, que preferiu não dar entrevista, mas ressaltou em seu pronunciamento que o índice de nacionalização correspondia ao cumprimento da promessa de campanha do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, não compareceu ao evento, embora estivesse no Rio.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
Logística
Benel investe R$ 45 milhões em novos transportes no prim...
14/10/26
Margem Equatorial
Governo do Amapá tem acordo formalizado com Transpetro e...
14/10/26
PD&I
Tereos amplia alcance de tecnologia própria para impulsi...
14/10/26
Investimento
ABPIP apresenta propostas ao Governo da Bahia para destr...
14/10/26
Biometano
ANP credencia B3 S.A. como entidade registradora de Cert...
14/10/26
Bacia de Pelotas
TGS retoma pesquisa sísmica na Bacia de Pelotas com foco...
13/10/26
Aviação
Avanço do combustível sustentável de aviação reforça imp...
13/10/26
Sustentabilidade
Vallourec Avança na Sustentabilidade com Tecnologia que ...
13/10/26
PD&I
ANP fará consulta e audiência públicas sobre credenciame...
09/10/26
Combustível
ANP retoma restrição à venda de biodiesel entre distribu...
09/10/26
Logística
Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano ...
08/10/26
Pessoas
CEO da Necta assume presidência do Conselho do CIBiogás ...
08/10/26
Oferta Permanente
PPSA passa a gerir 36 contratos de partilha após resulta...
08/10/26
Resultado
Oferta Permanente de Concessão (OPC): 6º Ciclo tem maior...
08/10/26
Leilão da ANP
Firjan destaca os resultados positivos do leilão de Part...
07/10/26
Bacia de Campos
PRIO vence leilão de Oferta Permanente de Partilha da Pr...
07/10/26
Drilling
Constellation obtém certificação em tecnologia pioneira ...
07/10/26
ANP
4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP tem set...
07/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25