Petroquímica

Petrobras e Unipar analisam integração do BNDES na CPS

O formato da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS) ainda não está definido, mas poderá balizar o tamanho da fatia estatal na nova empresa, necessariamente minoritária, como prevê o memorando de entendimento as

Valor Econômico
19/09/2007 00:00
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O formato da participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na Companhia Petroquímica do Sudeste (CPS) ainda não está definido, mas poderá balizar o tamanho da fatia estatal na nova empresa, necessariamente minoritária, como prevê o memorando de entendimento assinado em agosto entre a Petrobras e a Unipar. Ontem, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, responsável pela área petroquímica da estatal, disse ao Valor que a fatia da petrolífera será de 40% do controle e que com a do BNDES a União pode ter um máximo de 49%.

Segundo o Valor apurou, a presença do banco na sociedade é desejada pelos dois sócios operacionais da futura empresa que vai concentrar a maior parte dos ativos petroquímicos da região Sudeste, por ser ele o principal financiador potencial dos futuros investimentos da empresa. O banco já possui 16,67% do capital da Rio Polímeros (Riopol), um dos principais ativos da futura CPS.

Caso o BNDES deseje manter essa participação no formato atual (acionista ordinário), será necessário um arranjo societário para acomodar as pretensões dos dois sócios principais. Se a Petrobras pretende ficar com 40% do controle da petroquímica, o objetivo inicial da Unipar é levar 60%. Uma das soluções possíveis é a venda da participação do BNDES na Riopol à Petrobras, fato previsto desde a construção da companhia gasquímica do Rio, que iniciou operações comerciais no ano passado.

Como a Petrobras está gastando mais de R$ 4 bilhões na compra da Suzano Petroquímica, que detinha 33,3% da Riopol, esse caminho pode não ser o mais indicado no momento. Outra saída seria o BNDES ficar no negócio apenas como investidor, transformando sua participação na Riopol em ações preferenciais da CPS. O banco, por enquanto, não se pronuncia.

A solução do arranjo societário é apenas um dos desafios que os futuros sócios terão para concretizar a formação da empresa até a primeira semana de novembro, de modo a que ela coincida com o término do processo de compra pela Petrobras da Suzano Petroquímica, anunciada no dia 3 de agosto. O prazo para o fechamento do negócio Petrobras-Suzano é de 90 dias. Com a compra da Suzano e de parte da Ipiranga Petroquímica (em março deste ano), a estatal materializou seu retorno à condição de participante de ponta do setor petroquímico, perdida no processo de privatização dos anos 1990.

A formação da CPS é um passo vital para permitir a constituição do arranjo acionário do futuro Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), de US$ 8,4 bilhões, previsto para operar a partir de 2012. A CPS deverá ser a principal acionista da segunda geração do complexo (produção de resinas), enquanto a Petrobras ficará como controladora da refinaria de óleos pesados que será a central de matérias-primas do projeto.

Uma reunião realizada ontem, com a participação do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, ratificou o objetivo de acelerar o trabalho para a formação da CPS. Encontrar critérios coerentes para harmonizar os valores dos diversos ativos da Unipar e da Petrobras que irão compor a nova empresa é um dos maiores desafios.

Por não terem sinergias claras com o projeto, as empresas Carbocloro (100% Unipar), União Terminais (idem) e Petroflex (tem participações das duas) não deverão entrar nos ativos que irão compor a CPS. Outro problema, que poderá ficar para resolver após a constituição da nova empresa, é saber se faz sentido a CPS ficar com a fábrica de polipropileno da Bahia, que era da Suzano, ou fazer uma troca com ativo da Braskem no Sudeste.

Fonte: Valor Econômico
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