Mercado

Petróleo deve manter ritmo de baixa

Valor Econômico/ag.
06/12/2004 00:00
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Os preços do petróleo bruto poderão estender a queda de 13% da semana passada, uma vez que um começo de inverno mais quente que o normal no leste dos Estados Unidos permitirá que as refinarias formem estoques de combustível para aquecimento.
Na sexta-feira, o tipo WTI fechou em US$ 42,54, queda de 71 centavos de dólar no dia. Já o Brent fechou abaixo dos US$ 40, cotado a US$ 39,36, queda de 79 centavos de dólar.
Uma pesquisa feita pela Bloomberg entre 59 corretores e analistas mostrou que a expectativa é de que o ritmo de queda se mantenha nesta semana. Do total, 31 disseram que os preços vão cair nesta semana. Onze apostaram em uma alta dos preços e 17 disseram que eles permanecerão mais ou menos estáveis. Na pesquisa anterior, 47% dos corretores a analistas consultados disseram que os preços iriam cair na semana passada.
As provisões dos Estados Unidos, incluindo óleo para aquecimento e diesel, aumentaram 20% na semana retrasada, o maior salto em quase cinco meses, segundo informou o Departamento de Energia em 1º de dezembro. "Este inverno tem sido bem menos rigoroso que o esperado e a esta altura do ano, o óleo de aquecimento é o foco das atenções", diz Prabhas Panigrahi, diretor de análise de ações da EKN, uma corretora de Nova York. "A oferta vai crescer mais."
A oferta americana de destilados, que incluem o óleo de aquecimento, cresceu 2,3 milhões de barris na semana retrasada, o maior ganho em quatro meses.
"O momento é de queda, na medida que o mercado se reajusta à percepção de que o óleo de aquecimento não está tão apertado quanto se esperava", diz Daniel Hynes, do Australia & New Zealand Banking Group.
Os estoques de petróleo nos EUA cresceram pela décima semana e superam os estoques do mesmo período do ano passado em 3,2%. As importações ficaram em média em 10,3 milhões de barris por dia nos últimos dois meses, 4,5% a mais que no mesmo período do ano passado. As importações de produtos de petróleo em outubro e novembro ficaram em média em 2,9 milhões de barris por dia, um aumento de 24% sobre o mesmo período do 2003.
Alguns corretores alertam que uma queda súbita na temperatura poderia reverter a queda dos preços, uma vez que mesmo estando em 117,9 milhões de barris, os estoques de destilados dos EUA ainda estão 10% abaixo do nível do mesmo período do ano passado.
"Precisamos de cerca de 130 milhões de barris para ficarmos confortáveis para o inverno" diz Chris Mennis, dono da New Wave Energy, empresa da Califórnia que negocia petróleo. Os estoques precisam subir cerca de 4 milhões a 5 milhões de barris por semana e "se não houver grandes formações, isso poderá alavancar uma certa compra no mercado".
Os estoques de destilados caiu durante nove semanas depois que o furacão Ivan atingiu o Golfo do México em setembro, interrompendo os embarques, fechando refinarias e danificando instalações de produção. "Eu acho que os preços continuarão caindo nesta semana", diz Lorraine Tan, diretora de análise da Standard & Poor´s Investment Services. "O risco de uma alta viria de uma mudança súbita no tempo", ou interrupções do fornecimento, afirma ela. "Acredito que por enquanto a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) não vai limitar as cotas."
A Opep vai se reunir no Cairo na sexta-feira para discutir suas cotas de produção e metas de preços. A queda dos preços do petróleo e a desvalorização do dólar poderão forçar o cartel a adotar medidas que poderão provocar futuras altas nos preços, afirmam alguns analistas.
A Opep produziu cerca de 30,61 milhões de barris/dia em outubro, segundo dados da Bloomberg. Foi o maior volume produzido desde novembro de 1979, segundo dados do Departamento de Energia.
A queda dos preços poderá levar os países da Opep a reduzirem a produção, diz Tor Kartevold, analista da Statoil, maior companhia de petróleo da Noruega. "Faria sentido cortar a produção de petróleo antes de fazer qualquer coisa com as cotas."
A Opep não pode descartar um corte na produção se os preços do petróleo continuarem caindo antes da reunião do cartel na próxima sexta-feira, disse um delegado sênior da organização à Reuters.
"Se houver queda contínua, talvez teremos de fazer alguma coisa", disse o delegado da Opep. "Nós precisamos estar seguros de que o preço está caindo por conta dos fundamentos e vamos precisar estar seguros de que as perspectivas são de super oferta." A Opep irá se reunir na sexta-feira no Cairo, Egito, para definir a política para o primeiro trimestre de 2005.

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