Política

Petrolíferas ignoram plano verde de Obama

Gazeta Mercantil
09/04/2009 04:17
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O governo Obama que reduzir o consumo de petróleo, elevar os estoques de energia renovável e cortar as emissões de dióxido de carbono na mais ambiciosa transformação de política energética numa geração. Mas as gigantes mundiais do petróleo não estão convencidas de que o projeto irá funcionar.

 

Mesmo quando Washington entra em paroxismo a respeito de energia, muitas das empresas petrolíferas estão permanecendo nas margens, resistindo a investir em novas tecnologias defendidas pelo presidente Barack Obama, ou mesmo fugindo de compromissos que já assumiram.

 

A Royal Dutch Shell informou, no mês passado, que vai congelar a pesquisa e os investimentos em energias eólica, solar e hidrogênica e se concentrar em projetos de energia alternativa baseados em biocombustíveis. A empresa já vendeu boa parte de sua atividade com energia solar e retirou-se de um projeto, no ano passado, para construir o maior parque de energia eólica do mundo, perto de Londres.

 


A britânica BP, uma empresa que passou nove anos informando que estava avançando “para além do petróleo”, tem voltado para o produto fóssil desde 2007, reduzindo seu programa de energia renovável. E as empresas petrolíferas norte-americanas, que sempre foram cépticas em relação aos programas de energia renovável do que suas contrapartes européias, estão ignorando deliberadamente as novas mensagens que chegam de Washington.

 

“Na minha opinião, nada mudou”, disse Rex W. Tillerson, presidente da Exxon Mobil, após a eleição do presidente Obama. “Não somos contra as fontes alternativas de energia e o desenvolvimento delas. Mas basear o futuro energético do país só nessas alternativas contradiz a realidade do seu tamanho e escala”, acrescentou Tillerson.

 

O governo quer gastar US$ 150 bilhões durante a próxima década para criar o que chama de “futuro energético limpo”. O programa terá por intuito diversificar as fontes energéticas do país, incentivando o desenvolvimento de mais fontes renováveis, reduzindo, assim, o consumo do óleo e as emissões de carbono de combustíveis fósseis.

 

As empresas petrolíferas frequentemente veicularam anúncios expressando o interesse delas em novas formas de energia, mas seus investimentos reais tem desmentido as declarações de marketing. A maior parte de seus investimentos segue para as fontes tradicionais de petróleo, incluindo fontes energéticas com alta intensidade de carbono, como as areias betuminosas e o gás natural do xisto. Os investimentos em energias alternativas representam uma pequena fração de seus gastos. Até agora, isso mudou pouco com o governo Obama.

 

“A escala de seus investimentos em energias alternativas é tão insignificante que é difícil encontrá-los”, disse Nathanael Greene, analista sênior de estratégia do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais. “Essas empresas não sentem que têm de estar na vanguarda desse setor”, disse Greene.

 

Outros investidores

 

Talvez sem surpresa, a maior parte dos investimentos em fontes alternativas de energia está saindo de outros bolsos que não os das empresas petrolíferas. Nos últimos 15 anos, as cinco maiores empresas petrolíferas gastaram perto de US$ 5 bilhões para desenvolver fontes de energia renovável, segundo Michael Eckhart, presidente do Conselho Americano para Energia Renovável. Isso representa só 10% de aproximadamente US$ 50 bilhões canalizados para o setor de energia limpa por fundos de investimento de risco e investidores corporativos durante esse período, ele disse. “As grandes empresas não consideram que a energia renovável seja um grande negócio”, disse Eckhart. “É um negócio secundário para elas”, completou.

 

A Shell, por exemplo, informou ter gasto US$ 1,7 bilhão desde 2004 em projetos alternativos. Essa quantia é ofuscada pelos US$ 87 bilhões que gastou durante o mesmo período em seus projetos de óleo e gás ao redor do mundo. Este ano, o gasto global de capital da empresa está estabelecido em US$ 31 bilhões, a maior parte para o desenvolvimento de combustíveis fósseis.

 

Os executivos do setor sustentam que a comparação dos investimentos em projetos de óleo e gás com seus projetos de pesquisa no campo de energia renovável é enganadora. Eles dizem que, embora os combustíveis renováveis sejam necessários, eles ainda estão no estágio inicial de desenvolvimento, e o petróleo permanecerá a fonte dominante de energia por décadas.

 

Na sua previsão de longo prazo, a Exxon informa que até 2050, os hidrocarbonetos - incluindo petróleo, gás e carvão - responderão por 80% dos estoques mundiais de energia, o mesmo que hoje. “A energia renovável é muito real”, disse David L. O’Reilly, presidente da Chevron, numa palestra em Nova York em novembro passado. “Nós precisamos dela. Será uma parte essencial do futuro que antecipo. Mas não é realista supor que podemos substituir a energia convencional no espaço de tempo que alguns sugerem”, disse O’Reilly.

 

A Chevron gastou perto de US$ 3,2 bilhões desde 2002 na pesquisa de “energias renovável e alternativo e em serviços de uso eficiente de energia”, segundo o porta-voz Alexander WYelland. A empresa planeja gastar US$ 2,7 bilhões durante três anos, até 2011, numa variedade de projetos, como uma divisão que ajuda a aprimorar a eficiência no uso de energia para empresas e agências do governo, ele disse.

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