Dragagem

Poli da USP dá início a estudos que indicarão se é viável ampliar o Porto de Santos

USP
13/01/2016 19:29
Poli da USP dá início a estudos que indicarão se é viável ampliar o Porto de Santos Imagem: Cortesia Porto de Santos Visualizações: 1560

A Escola Politécnica (Poli) da USP inicia, neste mês de janeiro, os estudos para avaliar as possibilidades técnico-econômicas de ampliação sustentável das atividades do Porto de Santos. Com duração de dois anos, os estudos vão responder as dúvidas levantadas pelo Ministério Público (MP) quanto ao alargamento do canal e o impacto das operações de dragagem (remoção de sedimentos que se encontram no fundo mar para permitir a passagem das embarcações) na erosão de praias adjacentes, especialmente a Ponta da Praia.

A pesquisa também vai avaliar se e quanto é possível ampliar o aprofundamento do canal para permitir a entrada de navios maiores, o que geraria um impacto econômico positivo ao permitir a redução de custos com o transporte.

Serão investidos R$ 10 milhões no projeto. A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) assinou, no dia 21 de dezembro, o contrato com a USP, a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) e a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE) para o desenvolvimento dos estudos. Os primeiros resultados que respondem aos questionamentos do MP devem ser entregues em até 30 dias após o início dos trabalhos.

“Esperamos ter um parecer preliminar já em meados de fevereiro”, explica José Carlos de Melo Bernardino, coordenador da Área de Modelos Hidráulicos da FCTH.

O MP questiona se o alargamento do canal de acesso de 170 para 220 metros não está causando os problemas erosivos detectados na Ponta da Praia. “Temos registros de que o processo de erosão é anterior ao alargamento do canal e estaria relacionado a outros fatores, mas precisamos fazer os estudos para comprovar isso tecnicamente”, explica. Além disso, o MP questiona se o retorno da largura do canal de acesso para 170 metros não mitigaria os processos erosivos na Ponta da Praia. A Poli também vai analisar se essa medida é técnica e economicamente viável.

Serão feitos ainda estudos sobre os impactos do procedimento de dragagem para ver quais são os limites, ou seja, quanto pode ser aprofundado o canal para permitir a entrada de navios de maior porte, dando mais competitividade ao porto. Hoje, a profundidade do canal é mantida em 14,7 metros. A Codesp quer saber se é possível aprofundar para 17 metros.

Caberá aos pesquisadores da Poli dizer se isso é tecnicamente viável, se compensa economicamente e quais os possíveis impactos ambientais de uma operação como essa. “Caso essa meta não possa ser atingida, pretendemos definir um limite para a questão do aprofundamento do canal”, conta Bernardino.

Para responder a todos esses questionamentos, os estudos terão caráter interdisciplinar. Vários grupos de pesquisa da Poli estão envolvidos no trabalho, que também vai contar com participação de graduandos e pós-graduandos. O Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental vai trabalhar com os modelos físicos e computacionais, fazendo análises do ponto de vista hidráulico e ambiental sobre as intervenções possíveis e alternativas para reduzir a erosão nas praias.

“Sempre teremos em mente o impacto ambiental. Não adianta ser viável tecnicamente se a solução causa enorme impacto no entorno”, aponta.

Modelo do porto

Um modelo geral do estuário de Santos, uma espécie de maquete de grandes proporções, será construído no Laboratório de Hidráulica. “Vamos simular condição de corrente, de onda, vento, transporte de sedimentos, enfim, todo o cenário da região para verificar impactos possíveis das obras de engenharia sobre as praias”, diz. Também será montada uma bacia geradora de ondas, modelo que vai reproduzir o canal de acesso ao porto. Haverá um terceiro modelo, bidimensional, que reproduz trechos do canal que precisam ser estudados em detalhes, como se ele fosse observado em um corte transversal.

No Tanque de Provas Numérico (TPN), os pesquisadores vão trabalhar com cenários específicos criados a partir dos dados obtidos nos modelos e promover simulações, trazendo inclusive práticos da Codesp para executar as operações de manobras no laboratório em ambiente computacional.

Já o Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da Poli vai desenvolver os estudos de avaliação logística e econômica das obras de melhoria do porto. Equipes do Centro e Estudos em Gestão Naval (CEGN) e Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP) vão participar do projeto.

“Se houver possibilidade de ampliar a calha e receber navios maiores, exemplo é preciso verificar se este tipo de operação é eficiente e economicamente viável para o porto”, acrescenta. “Os estudos da Poli vão subsidiar tecnicamente a Codesp, caso ela queira executar as obras de ampliação do porto. O que estamos fazendo são pesquisas para analisar as melhores alternativas para o porto”, conclui Bernardino.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Terminais
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$...
27/02/26
Exportações
Vast bate recorde de embarques de óleo cru para exportaç...
26/02/26
Apoio Marítimo
Svitzer Cassino chega para impulsionar operações no Port...
26/02/26
Royalties
Valores referentes à produção de dezembro para contratos...
25/02/26
Concessões
Ministério de Portos e Aeroportos envia à Antaq projeto ...
25/02/26
Macaé Energy
Macaé recebe feira estratégica de energia voltada à gera...
23/02/26
PPSA
Produção de petróleo e de gás natural da União dobra em ...
20/02/26
Portos
Fundo da Marinha Mercante aprova projetos portuários com...
13/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Sustentabilidade
Camorim amplia ações de sustentabilidade com projeto par...
06/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
Resultado
Com 4,897 milhões boe/d, produção de petróleo e gás em 2...
03/02/26
Pré-Sal
Três FPSOs operados pela MODEC fecharam 2025 entre os 10...
03/02/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
29/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
29/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.