Petrobras

Política de preços continua a mesma

Estatal esclarece que não haverá mudança na estratégia de evitar repassar a volatilidade do mercado internacional para os preços internos, mas confirma a maior independência dos preços nacionais em função da auto-suficiência.

Redação
13/12/2005 00:00
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A Petrobras enviou nota, nesta terça-feira (13/12),  esclarecendo que não haverá mudança na política de preços adotada pela companhia em função da auto-suficiência, mas confirmando as declarações do presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli, sobre a possibilidade de descolamento dos preços nacionais em relação aos internacionais.

Na nota, a Petrobras afirma que desde 2003 "a política de preços internos da companhia tem sido a de acompanhar no médio prazo os preços internacionais em função dos fundamentos de oferta e demanda, evitando-se trazer para o mercado interno eventual volatilidade causada por fenômenos climáticos, ameaças políticas ou outros eventos de natureza temporária e localizada".

Através das palavras de seu presidente, se lê no comunicado, a Petrobras entende que de fato “a economia brasileira ficará mais independente das situações do mercado internacional, tanto em termos físicos quanto de preços”, pois a auto-suficiência retira da balança comercial a vulnerabilidade que no passado provocou sérios impactos no equilíbrio das contas externas do país como em 1973, 1979 e 1990.

Em defesa da política de preços adotada, a companhia argumenta que "atualmente se atravessa pela primeira vez uma fase de elevados preços internacionais sem que estes tenham tido efeito marcante no comportamento da balança comercial, do endividamento ou das reservas internacionais do País. Dentro desse quadro, a Petrobras vem repassando e continuará a repassar os preços internacionais ao mercado interno no médio prazo, de acordo com a necessidade de manter sua lucratividade e capacidade de investimento para perpetuar a auto-suficiência, ambas também variáveis de médio prazo".

A Petrobras entende também, assim como havia comentado Gabrielli na segunda-feira, que poderá haver “uma certa separação do preço brasileiro do preço internacional” à luz da flexibilidade operacional adquirida pela companhia que hoje pela primeira vez produz, processa e vende no mercado interno aproximadamente os mesmos volumes. Nessa conjuntura a Companhia através de vantagens competitivas pode se beneficiar no curto prazo de desalinhamentos entre os preços de diferentes tipos de petróleo - leves e pesados – e suas respectivas margens de refino, e qualidades de produtos refinados.

Segundo argumenta a companhia, essas vantagens competitivas não existiam quando a companhia necessitava adquirir, com pontualidade, no mercado externo, petróleo e produtos refinados inteiramente à mercê dos caprichos do mercado internacional.

"Pelo contrário, a auto-suficiência realça a necessidade da Petrobras considerar, ao determinar seus preços, as particularidades que determinam o consumo no mercado domestico de seus produtos, ressaltando-se a existência de substitutos como GNV, biodiesel e álcool, cujo efeito é acentuado pelo desenvolvimento recente dos carros flex-fuel, Da mesma forma, a auto-suficiência exige uma inversão de ponto de vista de comparação de preços da paridade de importação para paridade de exportação, levando-se em conta diferenciais de qualidade", diz a empresa através do comunicado.

No aspecto de qualidade internacional, a Petrobras ressalta que está investindo na melhoria da qualidade dos derivados nacionais, que sofrem barreiras legais para sua exportação em razão de especificação ambientais. Segundo a empresa, somente quando as exigências ambientais forem atendidas é que a comparação de preços internos e externos dos mercados mais valorizados terá validade.

Quanto à responsabilidade ambiental, o terceiro pilar de sua estratégia, a Petrobras está empenhada, através de um programa de investimentos de US$ 5,3 bilhões até 2010, em melhorar a qualidade dos produtos oferecidos ao mercado interno, e portanto de qualquer excedente exportável, tanto em termos de eficiência de refino como em termos de emissões de enxofre e outros metais, até que seja compatível com a dos produtos disponíveis nos mercados mais sofisticados do Golfo do México e da Europa.

Ainda dentro do quadro de responsabilidade ambiental, a Petrobras continua empenhada em promover o uso de combustíveis alternativos renováveis e/ou mais limpos no mercado interno tais como o álcool carburante, o biodiesel e o GNV o que impacta diretamente sua política de preços de gasolina e impõem a necessidade do seu produto acompanhar as exigências internacionais em qualidade e preços.

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