Mercado

Produtor quer petróleo entre US$ 60 e US$ 80

Agência Estado
30/01/2009 02:16
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Os produtores de petróleo precisam de preços entre US$ 60 e US$ 80 para garantir o abastecimento a longo prazo, disse nesta quinta-feira o executivo-chefe da BP-British Petroleum, Tony Hayward. "Preços nessa faixa permitirão os investimentos necessários, e isso vale também para Angola e para o Brasil", acrescentou.

 

Com essa avaliação, apoiada pelo secretário-geral da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), Abdalla Salem El Badri, o executivo britânico apontou as condições de mercado necessárias à exploração do pré-sal. "Não estamos felizes com o preço atual nem estaremos felizes com US$ 50", disse El Badri. "Não queremos repetir os anos 80, quando não investimos e tivemos de dispensar pessoal de alta qualificação. Precisamos preparar-nos para atender à demanda."

 

O debate sobre o futuro da energia ocorreu ontem numa das sessões do Fórum Econômico Mundial. O desafio imediato, segundo os produtores, é ajustar a oferta ao mercado em recessão. A produção já foi reduzida, mas os números serão revistos na próxima reunião da Opep, em 15 de março, disse El Badri.

 

Desde setembro a Opep fixou três cortes de produção. Pelo compromisso em vigor, assumido em dezembro, a redução diária é de 4,2 milhões de barris, cerca de 12% da capacidade do cartel. "Os cortes em vigor acabarão sendo suficientes, disse, mostrando um pouco mais de otimismo, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev. Ele reafirmou os planos do país de dobrar a produção até 2014 e citou projetos de investimentos em oleodutos e gasodutos. O Azerbaijão coopera com a Opep, embora não seja associado.

 

Os preços do petróleo, próximos de US$ 30 por barril em 2000, chegaram perto de US$ 150 em julho do ano passado e em seguida caíram. Nos últimos meses têm oscilado bastante e em alguns momentos ficaram abaixo de US$ 40. "Ante a incerteza sobre a evolução da crise global, é muito difícil, neste momento, prever o fim da montanha-russa das cotações", comentou Hayward.

 

Está em curso uma destruição da demanda - expressão usada por participantes da reunião -, mas a procura voltará a crescer quando a recessão estiver superada. Essa tendência resultará não só do aumento de renda dos atuais consumidores, mas também da incorporação de grandes massas ao mercado. Nos países pobres, lembrou El Badri, há 1,6 bilhão de pessoas sem acesso a formas modernas de energia.

 

Também será preciso cuidar de fontes alternativas. A energia nuclear é competitiva e o grande obstáculo à sua produção não é o preço, mas a baixa aceitação pública, disse o presidente da EDF-Electricité de France, Pierre Gadonneix. O presidente da Bunge, Alberto Weisser, defendeu os biocombustíveis como alternativa técnica e econômica, condenou as barreiras americanas à importação do etanol brasileiro e negou a responsabilidade dos produtores de álcool pela alta do custo dos alimentos. Ainda assim advertiu: toda a cana produzida hoje daria para substituir apenas 5% do consumo global de gasolina.

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