Estudo

Repetro não prejudica indústria nacional

A conclusão está no "Estudo sobre o Ambiente Tributário no Setor de Petróleo e Gás" que será divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O levantamento, financiado pelo banco, é

Valor Econômico
26/09/2012 08:13
Visualizações: 1173
Apontado como um dos maiores responsáveis para a falta de competitividade de produtos nacionais no setor de petróleo, o regime Repetro, que concede benefícios tributários a equipamentos estrangeiros do setor, na verdade resulta em preços nacionais apenas 4% maiores do que os estrangeiros. O impacto é dez vezes menor do que o alardeado no setor.

A conclusão está no "Estudo sobre o Ambiente Tributário no Setor de Petróleo e Gás" que será divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O levantamento, financiado pelo banco, é fruto de um trabalho de meses do escritório de advocacia Vieira Rezende e da consultoria Booz & Company, com apoio institucional da Onip.

O estudo de quase 300 páginas mostrará que a falta de qualificação de mão de obra, custos trabalhistas e questões cambiais têm impacto muito maior nos custos de navios, sondas e válvulas produzidos no Brasil do que o regime tributário especial. Ao contrário do que se imaginava, o Repetro não representa um benefício relevante aos produtos importados ou ameaça à indústria nacional. Pelo contrário, seu fim seria desastroso para a formação de uma cadeia de fornecedores ainda em crescimento.

O resultado deve ajudar o governo a focar nos problemas do setor e reforçará a necessidade de renovação do regime, até agora demonizado como um grande vilão da indústria nacional. O estudo também aponta soluções para entraves tributários do setor. Mostra, por exemplo, que a desoneração sobre o fornecedor direto seria uma solução mais eficaz para aliviar o setor do que a desoneração total ou a redistribuição do ICMS, tidos como menos viáveis.

O Repetro foi criado em 1999 - dois anos após o fim do monopólio do petróleo e sete anos antes do pré-sal - para atrair investimentos e fomentar o desenvolvimento do setor de óleo e gás no Brasil. É por conta dele que várias plataformas e navios usados pela Petrobras e demais operadoras no Brasil têm bandeira estrangeira, uma forma de conseguir redução ou isenção de tributos como ICMS, PIS, Cofins e IPI.


Receita

Em palestras, a Receita Federal já chegou a citar que o Repetro tornava produtos nacionais até 50% mais caros. O estudo mostra que a maior parte da discrepância de preços entre nacionais e importados causados pelo Repetro é de 4% em média. Um simples atraso na liberação de produtos em portos tem impacto maior, chegando a 5% do custo. O Repetro representa três tratamentos tributários. O principal é o regime de admissão temporária, que autoriza a permanência provisória no País de determinados bens, com isenção tributária. É o caso de dragas e sondas, por exemplo.

Uma das controvérsias em torno do Repetro é o fato de que regime é aplicado como temporário mesmo que o serviço dure 20 anos. Basta que tecnicamente o equipamento possa ser retirado para o regime ser autorizado, mesmo que seja economicamente inviável levar a plataforma para outro país. Em vez de importação de fato, faz-se um arrendamento.

O segundo item é o da exportação ficta, que, como o nome sugere, é uma exportação fictícia. É aplicado em plataformas, por exemplo, que apesar de permanecerem no Brasil, têm bandeira de outro país. A Petrobras usa sua filial na Holanda para fazer boa parte dessas operações. Já o "drawback" possibilita a importação de insumos e componentes, com isenção para a produção de bens a serem exportados de forma fictícia.

Apesar de serem artifícios muito criticados pela indústria nacional, o estudo sustenta que o Repetro será fundamental para possibilitar a formação de uma cadeia nacional de fornecedores de bens e serviços brasileira no setor de óleo e gás. Desde a criação em 1999, sua vigência já foi estendida duas vezes, agora vencendo em 2020.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Descomissionamento
ONIP apresenta ao Governo Federal propostas para transfo...
04/02/26
Pessoas
Daniela Lopes Coutinho é a nova vice-presidente executiv...
04/02/26
Resultado
Com 4,897 milhões boe/d, produção de petróleo e gás em 2...
03/02/26
Pré-Sal
Três FPSOs operados pela MODEC fecharam 2025 entre os 10...
03/02/26
Pré-Sal
Shell dá boas-vindas à KUFPEC como parceira no Projeto O...
03/02/26
Gás Natural
GNLink recebe autorização da ANP e inicia operação da pr...
02/02/26
Gás Natural
Firjan percebe cenário positivo com redução nos preços d...
02/02/26
Etanol
Anidro e hidratado fecham mistos na última semana de jan...
02/02/26
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
Descomissionamento
SLB inaugura Centro de Excelência em Descomissionamento
30/01/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Gás Natural
Firjan lança publicação e promove debate sobre futuro do...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
28/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
28/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Gás Natural
Petrobras reduz preços do gás natural para distribuidoras
28/01/26
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
Combustíveis
Petrobras reduz preços de gasolina em 5,2% para distribu...
26/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.