Gás natural

Repsol teme crise na oferta de gás a partir de 2008

Valor Econômico
06/04/2005 00:00
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O risco de colapso no abastecimento de gás natural está tornando o Brasil vulnerável a um novo déficit de energia elétrica, a partir de 2008. O alerta foi dado ontem pelo diretor de comercialização de gás da Repsol, Marco Aurélio Tavares, durante o Seminário "Petróleo e Gás no Brasil: a hora de crescer", promovido pelo Valor e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo Tavares, o país não terá capacidade instalada suficiente para atender ao ritmo crescente da demanda por gás, da ordem de 23% ao ano, nos próximos três anos, caso o impasse em torno da aprovação da Lei de Hidrocarbonetos (petróleo e gás) continue, na Bolívia, e obras consideradas fundamentais, como a integração dos gasodutos entre aquele país, o Brasil e a Argentina, não sejam concluídas, em breve.
Se, por exemplo, todas as termelétricas do país entrassem em operação, mas as obras na Bolívia ainda não tivessem sido concluídas, o déficit potencial de gás natural seria de 30 milhões de m³ /dia, em 2008, projeta o executivo. Segundo ele, o Brasil teria que ter uma oferta do produto de 88 milhões de m³ /dia para atender à demanda futura por GNV e também dos mercados industrial, residencial e comercial.
Sem o desenvolvimento desses projetos de integração de gasodutos, Tavares estima que a produção ficará em 58 milhões de m³/ dia. "Esse déficit de 30 milhões de m³ de gás pode ser resolvido se tomarmos imediatamente algumas decisões. Se isso não acontecer, teremos um problema", disse ele.
Na avaliação de Tavares, para garantir o suprimento de gás, o país precisará perseguir uma "agenda mínima" de investimentos de US$ 8,2 bilhões nos três países, nos três próximos anos. Essa agenda inclui a expansão da capacidade do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) em mais 15 milhões de m³ / dia, a construção do gasoduto da Bolívia para a Argentina e a instalação do gasoduto que ligará Uruguaiana a Porto Alegre para levar o gás boliviano para o Rio Grande do Sul através da Argentina), além dos investimentos em exploração e produção de gás natural na Bacia de Santos.
"As decisões (sobre novos investimentos) deveriam ter sido tomadas ontem. Estamos falando de 105 milhões de m³ / dia de integração possível entre os países da região do Cone Sul e 3 mil megawatts de energia elétrica, que poderiam arrumar essa equação", alertou Tavares.
Segundo ele, é preciso que a produção da Bacia de Santos chegue a 10 milhões de m³/dia , já em 2008, e o Brasil importe da Argentina (por meio do gasoduto de Uruguaiana) outros 7 milhões de m³/ dia para garantir o abastecimento total do país.
A aprovação da Lei de Hidrocarbonetos pela Câmara dos Deputados da Bolívia, que prevê um aumento nos tributos sobre a exploração de gás de 18% para 50%, inviabilizaria investimentos, como a expansão do Gasbol, o que se reflete diretamente na distribuição de gás no Brasil, avaliou Tavares. O executivo ressaltou ainda que os governos brasileiro e argentino devem ter uma atuação mais representativa junto ao governo da Bolívia, na tentativa de resolver esse impasse.
"Ao que sabemos, o governo brasileiro já está trabalhando, mas não está resolvendo muito. Se continuar esta morosidade, já se passou um ano, o atraso pode ser fatal numa eventual crise energética lá na frente", pressagiou. A Repsol e seus sócios e parceiros têm projetos de investimento de US$ 3 bilhões (US$ 1,5 bilhão só da Repsol) nos três próximos anos na Bolívia.

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