Canal do Panamá

Reta final para licitações

<P>Começa em janeiro a licitação de uma das obras de infra-estrutura mais aguardadas em todo o mundo nos últimos anos: a ampliação do Canal do Panamá. O projeto - orçado inicialmente em US$ 5,25 bilhões - prevê a construção de um terceiro conjunto de eclusas, o que permitirá praticament...

Jornal do Commercio - RJ
17/12/2006 22:00
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Começa em janeiro a licitação de uma das obras de infra-estrutura mais aguardadas em todo o mundo nos últimos anos: a ampliação do Canal do Panamá. O projeto - orçado inicialmente em US$ 5,25 bilhões - prevê a construção de um terceiro conjunto de eclusas, o que permitirá praticamente dobrar a capacidade do canal que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. Atualmente, apenas os navios Panamax - com até 32 metros de largura e 294 metros de comprimento - atravessam o canal, mas depois dos sete anos previstos para a empreitada, os navios Post Panamax (com 49 metros de largura e 365 metros de comprimento e mais econômicos) poderão utilizar a passagem para levar mercadorias de um oceano ao outro.

A disputa promete ser acirrada entre empresas de todas as nacionalidades, especialmente americanas, européias e asiáticas, mas as quatro maiores construtoras brasileiras - Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Norberto Odebrecht e Queiroz Galvão - também estão de olho nesta obra, que foi aprovada pelo povo panamenho em referendo realizado no mês de outubro. As companhias brasileiras já tiveram encontros com a Autoridade do Canal do Panamá e aos poucos articulam as operações, embora não admitam oficialmente.

Inaugurado em 1914, o Canal do Panamá registou 14.194 trânsitos no ano fiscal de 2006 e é utilizado por cerca de 4% do comércio mundial. O trânsito diário no canal é de 37,6 navios em média. Sua posição estratégica foi determinante em sua construção - para ligar a Costa Leste à Oeste dos Estados Unidos -, mas vem ganhando cada vez mais importância devido ao crescimento da China. Os três objetivos principais da obra são a possibilidade de transporte de maior carga nos navios, a construção de uma via alternativa aos dois conjuntos de eclusas hoje existentes e evitar o congestionamento na época de manutenção das eclusas, que dura de dez a 13 dias por ano.

A fila na entrada do canal chega a 116 navios neste período. O Panamá já venceu o desafio de controlar o canal sozinho e o trabalho foi feito de maneira melhor que o dos americanos. Em sete anos, transferimos ao governo panamenho US$ 2,4 bilhões, enquanto os Estados Unidos transferiram US$ 1,8 bilhão em 80 anos. A idéia agora é transformar o Panamá em um centro mundial de redistribuição de cargas, o que vai beneficiar todo o comércio mundial e o transporte marítimo, afirma o chefe da Divisão de Informação da Autoridade do Canal do Panamá (ACP), Dazzell Marshall. A corporação transferiu US$ 833 mil ao governo panamenho no ano fiscal de 2006 - com o transporte de 290 milhões de toneladas de carga - e US$ 700 mil no ano anterior - quando o transporte foi de 279 milhões de toneladas de carga.

A previsão é de que, em 2025, sejam transportadas 500 milhões de toneladas de carga, com transferências de US$ 6 bilhões ao governo. A ACP assegura que não haverá redução das transferências ao governo panamenho durante a ampliação do canal. Para arcar com os custos da obra, o preço do pedágio para atravessar o canal - atualmente em US$ 67 mil em média por navio, mas que chega a custar US$ 249,165 mil - terá aumento de 3,5%. Com isso, será possível cobrir quase 50% do orçamento. Está previsto ainda o financiamento de cerca de US$ 2,5 bilhões através de bancos privados.

Como os empréstimos não são para o país, mas para a ACP, organismos multilaterais não podem participar do financiamento, apenas bancos privados. A obra será iniciada com recursos próprios e só em 2009 devemos recorrer aos financiamentos, explica Marshall. Os detalhes da licitação ainda estão sendo costurados, mas ele adianta que a obra será licitada em etapas e a forma de participação de companhias panamenhas e estrangeiras será diferente de acordo com os trechos.

A previsão é de que as obras já tenham início a partir de 2007 e possam ser inauguradas no ano de centenário do canal, em 2014. Antes disso, no entanto, a ACP já está investindo US$ 1,5 bilhão, desde 1998, na modernização do canal - com a compra de novos rebocadores e locomotores - e na dragagem, ampliando a largura de alguns trechos da travessia e impedindo a redução do calado do canal. As empresas brasileiras estão dispostas a competir para participar da ampliação do canal. Há preparo técnico e empresarial e acho que estamos nos aproximando de ser competitivos no que se refere à estruturação de financiamento, afirma o presidente da Associação Brasileira da Infra-estrutura e das Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.

Gerente geral do Banco do Brasil no Panamá, Fernando Magno Pompeu Campos confirma que as empresas brasileiras estão interessadas no negócio, mas destaca que o país tem outras demandas, como em rodovias e na área energética. Além disso, o Panamá pode ser a porta de entrada para projetos em outros países da América Latina - como Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, República Dominicana e Equador.

A obra de ampliação do canal é um marco, mas o potencial é muito maior, já que canal desperta toda uma cadeia de negócios. Deve haver cerca de 40 projetos de pequenas hidrelétricas, além de concessões de rodovia não apenas no Panamá como no resto da região. A América Central é um mercado de 30 milhões de pessoas e vemos forte crescimento na construção civil, por exemplo, aponta.

O diretor de contratos da Norberto Odebrecht no Panamá, André Rabello, confirma o interesse na obra, que classifica como marco da engenharia mundial. Por enquanto, ele admite apenas que a construtora está começando a avaliar os prazos da licitação e que no momento certo terá um grupo de engenheiros e consultores dedicado ao projeto. Segundo Rabello, o potencial de ampliação do canal é não apenas para a obra em si, mas para todos os demais negócios interligados, como estaleiros, serviços bancários e suporte ao serviço de transposição interoceânica. Por enquanto, ele destaca que as regras da licitação não estão claras, mas se for permitido consórcio a Odebrecht vai estudar qual será a empresa que mais agrega valor à concorrência, tornando o grupo mais competitivo.

A Norberto Odebrecht, com escritório no país desde 2004 e que já atua no projeto Remigio Rojas, de irrigação e apoio à comercialização de produtos agrícolas em uma área na fronteira com a Costa Rica - projeto de US$ 54 milhões - também está negociando a construção da Autopista Madden-Colón, no Panamá, que corresponde ao segundo trecho da rodovia que ligará a Cidade do Panamá à cidade de Colón, no litoral Atlântico. Embora ainda esteja em tratativas, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou financiamento para exportações de bens e serviços brasileiros no valor de até US$ 152,8 milhões para a obra, no âmbito da linha de pós-embarque do BNDES-exim.

Estamos avaliando outros projetos, principalmente no setor energético. Há uma carência muito grande de investidores nesta área, diz o diretor da Odebrecht.

Fonte: Jornal do Commercio - RJ

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