Petroquímica

Rio Polímeros renegocia dívida de US$ 640 milhões

Valor Econômico
20/04/2006 00:00
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A petroquímica a gás Rio Polímeros (Riopol), uma associação dos grupos privados Suzano e Unipar com as estatais Petrobras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), fechou neste mês a renegociação da sua dívida bancária de aproximadamente US$ 640 milhões, originária da construção da unidade de eteno e polietilenos localizada em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. Com a renegociação, os acionistas ganharam um ano sem fazer pagamentos e o vencimento final da dívida passou de 2015 para 2016.

Os credores da Riopol são o próprio BNDES, o Exim Bank americano e um "pool" de instituições financeiras com garantia da seguradora italiana Sace. A renegociação da dívida deveu-se à demora para entrada em operação da unidade. Prevista para ser inaugurada no final de 2004, prazo depois revisto para abril do ano passado, a Riopol acabou sendo inaugurada em junho e só entrou efetivamente em operação em dezembro. Com o atraso, a produção, já revista, para 2005, que era de 130 mil toneladas de polietilenos, ficou reduzida a cerca de 20 mil toneladas, o que representou uma perda de faturamento de aproximadamente US$ 130 milhões, considerando o preço do polietileno em cerca de US$ 1.150 por tonelada.

"O melhor do refinanciamento foi o reconhecimento formal pelos bancos de que o projeto continua muito bom", disse o presidente da Unipar, Roberto Garcia. Em outubro do ano passado os acionistas da Riopol fizerem o primeiro pagamento (o valor não foi fornecido), dentro do cronograma previsto, aos credores. Com a renegociação da dívida concluída agora, o próximo pagamento só será feito em abril de 2007.

O presidente da petroquímica, João Brandão, disse que o refinanciamento "é normal na vida de um projeto do tamanho da Riopol". Ele disse que o custo decorrente da renegociação foi "compatível com o projeto", mas não quis revelar o valor do prêmio adicional a ser pago. Brandão afirmou que ontem a Riopol estava operando a uma carga de 58 toneladas de polietilenos por hora, o que corresponde a aproximadamente 85% da capacidade instalada que é de 540 mil toneladas. A previsão original é de que a empresa produza 460 mil toneladas até o final do ano. De acordo com Brandão, o desenvolvimento da produção a partir de agora está mais relacionado com a conquista de mercados do que com aspectos técnicos.

Somente no final de março deste ano o consórcio liderado pela empresa americana ABB Lummus entregou o controle operacional ao comando da petroquímica. No final do ano passado, a Petrobras cogitou a possibilidade de exigir ressarcimento do consórcio construtor pela demora na entrega da unidade da Riopol. A idéia não foi bem recebida pelos demais acionistas da petroquímica.

O custo total da Riopol foi de US$ 1,08 bilhão, sendo US$ 440 milhões com recursos próprios dos acionistas. O capital da empresa está dividido em 33,3% para a Unipar, 33,3% para a Suzano, 16,7% para a Petrobras e 16,7% para o BNDES. É esperada a saída do banco estatal da associação após o projeto deslanchar. A Petrobras é, por enquanto, a principal candidata a ficar com a fatia do BNDES.

O financiamento para a construção do projeto, a primeira unidade petroquímica do Brasil que usa gás natural como matéria-prima, em vez de nafta, foi feito no modelo "project finance", no qual a principal garantia de pagamento é a geração de caixa do empreendimento. O BNDES financiou cerca de US$ 280 milhões; o Exim Bank americano outra parcela de US$ 190 milhões; e o grupo segurado pela Sace, mais US$ 170 milhões.

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