Energia

Rumo a engarrafamentos "limpos"

Diante de um cenário que se mostra cada vez mais propenso a veículos híbridos e elétricos TN Petróleo entrevistou com exclusividade Pietro Erber, diretor-presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) e Diretor do INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética.

Redação
29/04/2010 08:44
Visualizações: 486

Diante de um  cenário  que se mostra cada vez mais  propenso a veículos híbridos e elétricos TN Petróleo entrevistou com exclusividade Pietro Erber, diretor-presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico)  e Diretor do INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética.

 

 

                                                 Entrevista

 

TN -  Conforme suas próprias palavras,  os automóveis elétricos deixaram de constituir uma curiosidade histórica e um meio de transporte de uso restrito para se tornarem objeto de interesse global, tanto da indústria automotiva quanto das sociedades e respectivos governos. Como o senhor vê a investida da Renault-Nissan e de outras companhias globais neste segmento ?

 

Pietro Erber – Promissora. Entretanto, o próprio discurso do presidente da Renault Nissan, quanto à necessidade de incentivos, e que em alguns países esses chegam a US$ 7500, mostra que o custo inicial desses carros, dotados de autonomia adequada para a maioria dos usuários urbanos, ainda é demasiado elevado para  poder ter penetração no mercado mais significativa. Mas é preciso começar e não será descabido nem surpreendente se o Governo abrir mão de impostos de importação e de IPI, para criar um “efeito demonstração” mediante a compra e uso de alguns carros, ainda que sejam poucos. Vai dar visibilidade ao VE e a perda de receita será mínima, para não dizer virtual. De outras empresas ainda não tenho informações seguras, exceto a venda do REVA ( Nota da Redação: O modelo de automóvel representado no Brasil pela CAM, e  pode atingir 80 km/h e rodar 80 km com uma recarga completa da bateria), já disponível e vendido no Brasil, com todas as limitações fiscais previstas na legislação. Todavia, há rumores de importação de algumas marcas, possivelmente ainda em 2010.

 

TN - De fato o carro elétrico já teria condições de entrar efetivamente no mercado automobilístico dos Estados Unidos e Japão já em 2011 ?


Pietro Erber – Os VEs já entraram no mercado americano e japonês, onde representam perto de 3% das vendas. A grande maioria é de híbridos, mas os carros a bateria e principalmente os híbridos plug-in estão começando a aparecer.

 

 

TN -  Além da “vontade” das montadoras o que mais é preciso ?


Pietro Erber – A vontade dos usuários, naturalmente. Para isso, é preciso reduzir o custo inicial mediante redução temporária de impostos (pelo menos) e assegura a confiabilidade do desempenho previsto. Assistência técnica é indispensável, facilidades para recarga de baterias dos plug-ine a bateria, idem. É oportuno que se dê condições atraentes aos usuários que mais terão vantagem na utilização desses veículos, de alto custo inicial e baixo custo operacional, como táxis e ônibus urbanos.

 

TN -   Em termos de abastecimento haveria grandes necessidades de mudanças ou, como já foi sugerido, usar a estrutura dos postos de combustíveis já existentes e adapta-los já seria satisfatório ?


Pietro Erber -  Creio que a adaptação (não está claro o que se entende por isso) dos postos de combustíveis terá efeito marginal. Poderão prover carga rápida, que por enquanto é parcial, não carrega plenamente a bateria. Carregamentos convencionais, que duram várias horas, deverão ser feitos em estacionamentos, junto às residências, locais de trabalho, etc. A outra possibilidade será a criação de postos de troca de baterias, mas isto requer carros e baterias especialmente projetados para tanto, além de investimentos em estoques de baterias  e nos equipamentos que fazem a troca. Vale  lembrar que as baterias pesam de 100 a 200 kg. Estes sistemas estão sendo implantados em diversos países e será importante acompanhar seu desempenho.


TN -  Diante do conhecimento de causa da associação, voces avaliam que o Brasil está pronto para receber está tecnologia ?


Pietro Erber – Para receber veículos híbridos, particularmente automóveis, poderá estar plenamente habilitado em meses, possivelmente, dado que consomem combustível com o qual a energia elétrica é gerada, a bordo. Precisa-se criar infraestrutura de apoio, junto às concessionárias, estoques de peças e sobretudo treinar os responsáveis pela manutenção. Cabe destacar que já são fabricados e  circulam ônibus híbridos no Estado de São Paulo, há anos. Para carros a bateria ou plug-in, que também podem ter suas baterias carregadas a partir da rede local, será preciso instalar tomadas em locais acessíveis, como estacionamentos, e planejar o sistema de medição e/ou a criação de tarifas horárias para consumidores de baixa tensão.

 

TN - Em termos de Brasil, diante do que voces podem avaliar com as informações que tem hoje, quais seriam as características “ideais e possíveis” de um carro elétrico hoje ? Qual sua autonomia, velocidade   média e de top, tamanho médio dos primeiros modelos ?

 

Pietro Erber - As características ideais de um carro, hoje, com a cultura que prevalece, é de apresentar um desempenho, em termos de aceleração e de autonomia e conforto semelhante ao de  um carro convencional.

 

TN -  Carlos Ghosn, presidente da Reneaut/Nissan, diz que o etanol em termos de exportação acabaria tendo problemas semelhantes ao petróleo, que tem no transporte um custo fixo elevado e fontes como energia elétrica seria uma saída mais interessante para a Europa. Como a ABVE avalia esta afirmação ?


Pietro Erber - A exportaçção de etanol deverá estar relacionada à substituição parcial da gasolina, dispensando o emprego do MTBE ou outros oxigenantes. Não vejo substituição integral. E a competitividade do etanol dependerá dos preços internacionais do petróleo e de eventuais penalidades que venham a ser impostas às emissões de gases de efeito estufa. todavia, sua colocação não está clara, no tocante á energia elétrica versus petróleo.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Biodiesel
ANP revisará regras para usos voluntários de biodiesel
10/07/26
ANP
Acesso de terceiros a gasodutos de escoamento e instalaç...
10/07/26
Construção Naval
Estaleiro Rio Grande recebe 11 mil toneladas de aço para...
10/07/26
ANP
Inscrições para Jornada Empreendedora PRH-ANP 2026 podem...
10/07/26
Rio de Janeiro
ANP estará presente na Rio Innovation Week
10/07/26
Apoio Offshore
Porto do Açu investe em gestão hídrica para impulsionar ...
09/07/26
Oportunidade
Equinor abre inscrições para Programa de Estágio 2026
08/07/26
Acordo
ANP e Petrobras assinam acordo para adequação de 335 poç...
07/07/26
Bacia de Pelotas
TGS inicia, em agosto, janela ambiental para proteção da...
07/07/26
Gasodutos
TBG e UTE Paulínia Verde firmam compromisso para transpo...
07/07/26
Multimodal
Ultracargo e bp ampliam capacidade de armazenagem para f...
07/07/26
Fenasucro
Frota pesada: biometano une potencial energético à baixa...
07/07/26
Logística
Vast Infraestrutura e Petrobras reforçam parceria e assi...
06/07/26
Energia Elétrica
Thymos Energia avalia Leilão de Transmissão da Aneel
06/07/26
Negócio
Supergasbras assina primeiro contrato de fornecimento de...
06/07/26
Posicionamento IBP
Mudança do instrumento não corrige as ilegalidades do Im...
06/07/26
Pessoas
Alessandro Cantarino assume o cargo de Vice-Presidente E...
06/07/26
Combustíveis
Etanol encerra a semana com mercado dividido entre queda...
06/07/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 11 milhões em infraestrutura de gás e...
06/07/26
Transpetro
Transpetro realiza primeiro abastecimento da frota com c...
06/07/26
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.