Energia
Diante de um cenário que se mostra cada vez mais propenso a veículos híbridos e elétricos TN Petróleo entrevistou com exclusividade Pietro Erber, diretor-presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) e Diretor do INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética.
RedaçãoDiante de um cenário que se mostra cada vez mais propenso a veículos híbridos e elétricos TN Petróleo entrevistou com exclusividade Pietro Erber, diretor-presidente da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) e Diretor do INEE - Instituto Nacional de Eficiência Energética.
Entrevista
TN - Conforme suas próprias palavras, os automóveis elétricos deixaram de constituir uma curiosidade histórica e um meio de transporte de uso restrito para se tornarem objeto de interesse global, tanto da indústria automotiva quanto das sociedades e respectivos governos. Como o senhor vê a investida da Renault-Nissan e de outras companhias globais neste segmento ?
Pietro Erber – Promissora. Entretanto, o próprio discurso do presidente da Renault Nissan, quanto à necessidade de incentivos, e que em alguns países esses chegam a US$ 7500, mostra que o custo inicial desses carros, dotados de autonomia adequada para a maioria dos usuários urbanos, ainda é demasiado elevado para poder ter penetração no mercado mais significativa. Mas é preciso começar e não será descabido nem surpreendente se o Governo abrir mão de impostos de importação e de IPI, para criar um “efeito demonstração” mediante a compra e uso de alguns carros, ainda que sejam poucos. Vai dar visibilidade ao VE e a perda de receita será mínima, para não dizer virtual. De outras empresas ainda não tenho informações seguras, exceto a venda do REVA ( Nota da Redação: O modelo de automóvel representado no Brasil pela CAM, e pode atingir 80 km/h e rodar 80 km com uma recarga completa da bateria), já disponível e vendido no Brasil, com todas as limitações fiscais previstas na legislação. Todavia, há rumores de importação de algumas marcas, possivelmente ainda em 2010.
TN - De fato o carro elétrico já teria condições de entrar efetivamente no mercado automobilístico dos Estados Unidos e Japão já em 2011 ?
Pietro Erber – Os VEs já entraram no mercado americano e japonês, onde representam perto de 3% das vendas. A grande maioria é de híbridos, mas os carros a bateria e principalmente os híbridos plug-in estão começando a aparecer.
TN - Além da “vontade” das montadoras o que mais é preciso ?
Pietro Erber – A vontade dos usuários, naturalmente. Para isso, é preciso reduzir o custo inicial mediante redução temporária de impostos (pelo menos) e assegura a confiabilidade do desempenho previsto. Assistência técnica é indispensável, facilidades para recarga de baterias dos plug-ine a bateria, idem. É oportuno que se dê condições atraentes aos usuários que mais terão vantagem na utilização desses veículos, de alto custo inicial e baixo custo operacional, como táxis e ônibus urbanos.
TN - Em termos de abastecimento haveria grandes necessidades de mudanças ou, como já foi sugerido, usar a estrutura dos postos de combustíveis já existentes e adapta-los já seria satisfatório ?
Pietro Erber - Creio que a adaptação (não está claro o que se entende por isso) dos postos de combustíveis terá efeito marginal. Poderão prover carga rápida, que por enquanto é parcial, não carrega plenamente a bateria. Carregamentos convencionais, que duram várias horas, deverão ser feitos em estacionamentos, junto às residências, locais de trabalho, etc. A outra possibilidade será a criação de postos de troca de baterias, mas isto requer carros e baterias especialmente projetados para tanto, além de investimentos em estoques de baterias e nos equipamentos que fazem a troca. Vale lembrar que as baterias pesam de 100 a 200 kg. Estes sistemas estão sendo implantados em diversos países e será importante acompanhar seu desempenho.
TN - Diante do conhecimento de causa da associação, voces avaliam que o Brasil está pronto para receber está tecnologia ?
Pietro Erber – Para receber veículos híbridos, particularmente automóveis, poderá estar plenamente habilitado em meses, possivelmente, dado que consomem combustível com o qual a energia elétrica é gerada, a bordo. Precisa-se criar infraestrutura de apoio, junto às concessionárias, estoques de peças e sobretudo treinar os responsáveis pela manutenção. Cabe destacar que já são fabricados e circulam ônibus híbridos no Estado de São Paulo, há anos. Para carros a bateria ou plug-in, que também podem ter suas baterias carregadas a partir da rede local, será preciso instalar tomadas em locais acessíveis, como estacionamentos, e planejar o sistema de medição e/ou a criação de tarifas horárias para consumidores de baixa tensão.
TN - Em termos de Brasil, diante do que voces podem avaliar com as informações que tem hoje, quais seriam as características “ideais e possíveis” de um carro elétrico hoje ? Qual sua autonomia, velocidade média e de top, tamanho médio dos primeiros modelos ?
Pietro Erber - As características ideais de um carro, hoje, com a cultura que prevalece, é de apresentar um desempenho, em termos de aceleração e de autonomia e conforto semelhante ao de um carro convencional.
TN - Carlos Ghosn, presidente da Reneaut/Nissan, diz que o etanol em termos de exportação acabaria tendo problemas semelhantes ao petróleo, que tem no transporte um custo fixo elevado e fontes como energia elétrica seria uma saída mais interessante para a Europa. Como a ABVE avalia esta afirmação ?
Pietro Erber - A exportaçção de etanol deverá estar relacionada à substituição parcial da gasolina, dispensando o emprego do MTBE ou outros oxigenantes. Não vejo substituição integral. E a competitividade do etanol dependerá dos preços internacionais do petróleo e de eventuais penalidades que venham a ser impostas às emissões de gases de efeito estufa. todavia, sua colocação não está clara, no tocante á energia elétrica versus petróleo.
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