Negócios

Seis companhias disputam compra da Gás Brasiliano

Valor Econômico
27/11/2009 11:04
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Novamente posta à venda, a Gas Brasiliano tem seis empresas interessadas no seu controle. Estão na disputa a Petrobras; a japonesa Mitsui; a Cosan; a Termogás, do empresário Carlos Suarez, associada à Cemig; o Fundo InfraBrasil do banco Santander; e a colombiana Promingás, controlada pela Prisma Energy International, que comprou os ativos da Enron. A área de concessão da Gas Brasiliano atende 375 municípios do Estado de São Paulo, incluindo Ribeirão Preto, Barretos e São José do Rio Preto, só para citar alguns.

 

O vendedor é a italiana Eni, que controla a Gas Brasiliano através de duas empresas, a Eni International BV, com 80%, e a Italgas S.p.A, que tem 20%. O banco Santander assessora a operação desde 2005, quando a empresa foi colocada à venda pela primeira vez. A análise das propostas financeiras se encerra em dezembro, mas antes de fechar o negócio o nome do vencedor precisará ser submetido à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp). A lista de interessados demonstra que pode haver alguma disputa pela concessão, que tem se mostrado problemática dado a dificuldade de desenvolvimento de um mercado de gás na região.

 

Desde que ficou fora da privatização da Comgás na década de 90, a Petrobras tenta entrar no mercado de distribuição de gás em São Paulo, único Estado onde não tem presença forte apesar de ali existirem três concessões (Comgás e Gas Natural, além da Gás Brasiliano).

 

A estatal, que é acionista de 20 das 27 distribuidoras de gás do país e detém 47% do mercado brasileiro de distribuição do produto, negociou em 2005 uma parceria com a portuguesa Galp para comprar a Gas Brasiliano. O projeto foi abortado quando os italianos desistiram do negócio apostando no sucesso exploratório do bloco BM-S-4 na bacia de Santos. Contudo, a Eni ainda está em fase de avaliação da descoberta de gás na área. Quando concluir sua saída da Gas Brasiliano, a atuação da Eni no Brasil vai restringir-se à área de exploração de petróleo e gás, já que em 2004 vendeu a Agip Liquigás para a Petrobras por US$ 450 milhões.

 

Em 2007 os planos da Petrobras ficaram ainda mais ambiciosos e ela estudou a compra, junto com a Shell, da inglesa BG. Pelo acordo alinhavado em 2007, a Petrobras ficaria com a Comgás, cujo controle é partilhado até hoje pela BG e Shell.

 

Outra grande interessada, a Mitsui, já demonstrou seu apetite pelo setor em novembro de 2005, quando pagou US$ 250 milhões pela Gaspart, empresa que era controlada pelo grupo Enron e que tem participação acionária em sete distribuidoras de gás canalizado no Brasil. Com essa compra, a Mitsui tornou-se a segunda maior empresa de distribuição do país atrás apenas da Petrobras.

 

Para a Cosan, que comprou a rede de distribuição de combustíveis da Esso, a aquisição faz sentido porque a concessão fica na área de influência de suas usinas de álcool. E como tem planos de gerar energia a partir do bagaço-de-cana, a construção de térmicas a gás permitirá que ela venda energia o ano inteiro e não apenas nos seis meses da safra.

 

A Gas Brasiliano pode enriquecer o projeto da Cemig de chegar a 2020 sendo a segundo maior empresa de energia do Brasil. A estatal mineira já é sócia da Gasmig em parceria com a Petrobras. A área de concessão da Gás Brasiliano fica na influência do Gasoduto Bolívia Brasil (Gasbol) e abrange 58,1% dos municípios de São Paulo. Mas em termos de população representa apenas 20,4%. A empresa tem contrato de compra de gás boliviano até 2012. Na média dos doze meses encerrados em setembro o consumo de gás na concessão da Gás Brasiliano foi de 520 mil metros cúbicos de gás por dia, menos da metade do consumo verificado pela Gás Natural, de 1,2 milhão de metros cúbicos dia. No mesmo período, a média da Comgás foi de 11,8 milhões de metros cúbicos diários.

 

A concessão da Gás Brasiliano foi comprada por R$ 274,5 milhões - equivalente a US$ 142,5 milhões pelo câmbio de novembro de 1999, quando foi privatizada - com ágio de 150% em relação ao preço mínimo. Em 2004 as estimativas de analistas eram de que o valor de mercado da empresa era de cerca de US$ 116 milhões. A empresa está em processo de revisão tarifária (período 2010-2015) junto à Arsesp.

 

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