Privatização

Setor elétrico preocupado com a saída de Fernando Coelho Filho do MME

Redação/Assessoria
11/04/2018 11:27
Setor elétrico preocupado com a saída de Fernando Coelho Filho do MME Imagem: Divulgação/Walfrido Ávila, presidente da Tradener Visualizações: 1691

Para Walfrido Ávila, presidente da Tradener, a privatização de empresas como a Eletrobrás é reivindicada pela parcela consciente da sociedade brasileira há bastante tempo, como forma de dar um basta ao financiamento pelos contribuintes, por meio do Tesouro Nacional, de estatais falidas, administradas com cabides e abertas a uma série de dificuldades, ou talvez facilidades, operacionais e administrativas. Entra Governo, sai Governo, ninguém nunca buscou, de fato, fazer essas estatais funcionarem de forma eficiente, sem custos adicionais para a sociedade, contando quase sempre com a passividade dos contribuintes, no fim da linha.

Na avaliação de Walfrido, quer parecer que essa passividade chegou ao fim e não tem mais sentido manter essas empresas sob o comando do Estado. É melhor realizar e estancar os prejuízos públicos, e passar as empresas para uma administração mais eficiente pela iniciativa privada, embora ele também destaque nesse cenário a recente e relevante atuação do ministro Fernando Coelho Filho, à frente do Ministério de Minas e Energia, e sua equipe altamente qualificada, que, apesar das dificuldades que atingem o setor público como um todo, conseguiu estabelecer e dar andamento a uma agenda adequada para enfrentar os principais problemas setoriais digna de elogios.

“É verdade que ainda não foi possível atender a todos os segmentos do setor elétrico nacional. Entretanto, em linhas gerais, se está fazendo um trabalho bastante positivo, visando à modernização do SEB. Nessa linha, destaca-se que, depois de muito diálogo, foi possível colocar de pé uma agenda relevante, representada basicamente pela proposta de privatização do Sistema Eletrobrás e pela edificação de um novo modelo institucional, o qual também contempla a abertura e ampliação do mercado livre, ainda que prevendo mais um período de transição para isso”, avalia o Presidente da Tradener, uma das maiores empresas e a pioneira na comercialização de energia livre no Brasil.

Outra questão fundamental que Walfrido Avlia aborda e que em sua opinião apenas começou a ser enfrentada foi o risco hidrológico, que trava todo o setor elétrico há muito tempo. “Apesar do profundo empenho de muita gente, não se conseguiu avançar em relação ao GSF, o que não significa que o problema deva ser esquecido. É preciso reconhecer que essa é a verdadeira herança maldita da gestão anterior e não é uma situação fácil de ser resolvida, mas temos que continuar empenhados na busca de uma solução para o futuro, pois não tem cabimento pensar em um novo setor elétrico com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) paralisada por causa dos débitos de GSF”, acredita.

No que se refere à efetiva abertura do mercado de energia elétrica, Walfrido lembra que hoje o Brasil está mais atrasado do que os mais atrasados países da América Latina, o que é extremamente vergonhoso. Também é necessário colocar um ponto final a esse largo atraso. Para tanto, é extremamente tímida a proposta apresentada, que ainda prevê vários anos de transição para a verdadeira liberdade de escolha por todos os consumidores. “Desde que se começou a falar nessa possibilidade, já há quase 25 anos, o segmento representado pelo mercado livre é o único que tem realmente proporcionado para a indústria nacional, de forma contínua e já consolidada, ganhos econômicos efetivos e de elevado montante financeiro, facilmente mensurável”, diz ele.

Um dos pontos mais sensíveis dos comentários de Walfrido Ávila é a saída do ministro Coelho Filho do MME. O executivo da Tradener teme que isso desencadeie uma preocupação do setor elétrico e sugere que se debata a respeito da sua sucessão. Em sua opinião, nesse contexto, é extremamente importante que a pessoa que venha a suceder o atual ministro, e a equipe que venha a ser reconstituída, estejam totalmente comprometidos não só com a continuidade da agenda política implementada no atual governo, como também que tenha a coragem e principalmente o apoio setorial para dizer um sonoro não a qualquer postergação.

Ele lembra que a iniciativa privada, que representa a parcela da sociedade capaz de recolocar o Brasil na trilha do crescimento econômico, não deveria ter outra postura a não ser demandar que o novo ocupante da Pasta ministerial esteja totalmente alinhado com a política de modernização do setor elétrico, de privatização da Eletrobrás e de imediata abertura do mercado livre. Para Walfrido não tem qualquer sentido o Brasil perder tempo com alguém que aceite olhar pelo retrovisor, com saudade do passado e sem ação no presente. Ao contrário, tem que ser uma pessoa com perfil semelhante ao do atual Ministro, com olhar visionário, elevado e para a frente, pensando e agindo com urgência no aperfeiçoamento que o setor elétrico merece.

Walfrido Ávila encerra comentando que “é fundamental que sejam superadas as pressões em contrário e a escolha do sucessor do Ministro Coelho Filho possa conduzir o novo Ministro em conformidade com a plenitude da importância do MME, Pasta rigorosamente vital devido ao seu peso na definição e implementação da infraestrutura, e que precisa funcionar de modo que os agentes possam programar sem sobressaltos os investimentos tão necessários à retomada do crescimento econômico do Brasil”.

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