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Shell se decepciona com o Brasil

A direção da Shell, primeira grande companhia estrangeira a produzir petróleo no Brasil, ficou decepcionada com os primeiros resultados no país. O vice-presidente de Exploração e Produção no Brasil, John Haney, disse ontem que não só sua companhia, mas o setor em geral, tinha expectativas

Jornal do Brasil
03/06/2004 00:00
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A direção da Shell, primeira grande companhia estrangeira a produzir petróleo no Brasil, ficou decepcionada com os primeiros resultados no país. O vice-presidente de Exploração e Produção no Brasil, John Haney, disse ontem que não só sua companhia, mas o setor em geral, tinha expectativas maiores em relação às descobertas de reservas.
Segundo Haney, a companhia já pagou pela aquisição dos dados geológicos das áreas de exploração a serem licitadas na 6ª rodada da Agência Nacional do Petróleo, prevista para agosto, mas ainda avalia se participará dos leilões. A Shell já detém 11 blocos de exploração e está avaliando seu portfólio no país. O executivo disse que os investimentos da companhia no Brasil este ano serão menores que no ano passado.
- No ano passado, estávamos com uma sonda aqui e perfuramos muitos poços, o que é muito caro. Agora, estamos estudando os dados - explicou, acrescentando que até o fim do ano a empresa decidirá se traz uma nova sonda para perfurar mais poços no país em 2005.
Haney disse que, no momento, os focos de exploração da companhia são a Nigéria e o Golfo do México, onde está com cinco sondas perfurando poços. Atualmente, a Shell produz 65 mil barris de petróleo por dia nos campos de Bijupirá e Salema, na Bacia de Campos. Toda a produção, iniciada em agosto, foi exportada pela Shell para seis países.
Para o executivo, que participou ontem da abertura da Protection Offshore, feira sobre segurança e meio ambiente do setor de petróleo, em Macaé, a alta das cotações do barril não influencia as decisões sobre investimentos em exploração e produção, porque estes são de longo prazo. Na avaliação de Haney, o preço atual é artificial e não deve se sustentar.
Já o gerente-geral da Unidade de Negócios da Bacia de Campos da Petrobras, Plínio de Mello, contou que a estatal está começando a substituir a rede de dutos das primeiras unidades de produção de petróleo da região, que começaram a operar há cerca de 30 anos. Segundo o executivo, a produtividade dos campos foi alongada com a evolução tecnológica.
- Hoje, a perspectiva é de que mesmo os campos mais antigos da região ainda tenham produção por mais 10 ou 15 anos - afirmou.
Os investimentos na troca estão incluídos na verba de US$ 1 bilhão destinada à área de segurança e meio ambiente nos próximos cinco anos, segundo o plano estratégico da estatal.

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