Negócios

ThyssenKrupp enfrenta dificuldades para fechar venda da CSA

Grupo quer entregar, o quanto antes, o ativo.

Valor Econômico
23/09/2013 07:30
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Grupo enfrenta dificuldades para fechar venda da CSA
Nos planos futuros da ThyssenKrupp para o Brasil, a siderúrgica CSA é carta fora do baralho. O desejo do grupo é entregar, o quanto antes, esse ativo para um novo operador, de preferência local, afirmou Michael Höllerman, novo CEO para as operações do grupo no país. O plano passa também pela venda da laminadora de aço do Alabama, em Calvert, EUA, projeto que nasceu conjuntamente com a CSA, como parte de uma estratégia de atuação da companhia alemã nas Américas.
"Em princípio, queremos entregar para alguém que possa tirar mais proveito desse ativo", disse Höllerman, que acompanha junto com a direção global da Thyssem o processo de venda da divisão Steel Americas.
O negócio, que resultou em um dos maiores fracassos da siderurgia mundial, só trouxe dores de cabeça e perdas financeiras ao grupo alemão. São mais de US$ 7 bilhões de prejuízos acumulados desde o início da operação das duas unidades siderúrgicas, em meados de 2010.
Após investir € 10 bilhões para erguer as duas usinas - € 6,4 bilhões na CSA e € 3,6 bilhões na laminadora americana -, a Thyssen avaliou, sob a nova gestão do conglomerado iniciada em fevereiro de 2011, que não se interessava mais por esses dois ativos. Além do investimento, a empresa teve gastos pré-operacionais com efeito caixa de € 2 bilhões.
Entre a construção e o término do projeto, aponta o executivo, as condições de custos mudaram muito e o mercado de aço no Estados Unidos, para onde se destinaria a maior parte da produção de CSA e da laminadora, entrou em profunda crise. Ao mesmo tempo, o custo do minério de ferro, com fornecimento da Vale para a CSA, passou a ser definido pela China, com preços que chegaram próximo de US$ 200 a tonelada e hoje estão em US$ 130.
No momento, há negociações em curso com a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) e um desfecho claro ainda é imprevisto. As últimas informações indicam a venda apenas da laminadora nos EUA para a CSN, por um preço entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. A operação estaria atrelada a um acordo de suprimento de placas da CSA para garantir a fabricação de chapas laminadas nos EUA.
Höllerman não dá pistas. Ele admite que as dificuldades nas negociações dependem também da sócia Vale, dona de 27,3% do capital da CSA. A mineradora tem concessões (direitos assegurados) de fornecimento de longo prazo para minério de ferro e também no terminal portuário da siderúrgica.
Segundo o executivo, há uma comunicação constante com a Vale, mas o negócio precisa do apoio de todos para sair e as partes teriam de abrir mão de algumas concessões. "Neste momento, nós [ThyssenKrupp] estamos sofrendo, colocando capital de giro continuamente [na CSA]".
Segundo fonte próxima da CSA, o montante chega a US$ 1,2 bilhão. O executivo não quis comentar esse valor. Por outro lado, a Vale também cobra uma fatura por má gestão da siderúrgica por parte da Thyssen superior a US$ 500 milhões, prevista na reorganização do acordo de acionistas feito em 2009, quando a Vale injetou quase € 1 bilhão, dinheiro usado na conclusão da CSA.
"Estamos confiantes de que vamos chegar à melhor solução para a empresa [CSA] e para o Brasil", afirmou Höllerman.
Em abril, a situação da CSA foi agravada com um problema de instabilidade operacional em um de seus dois altos-fornos, o que afetou a produção da siderúrgica. O equipamento teve de ser paralisado para reparos. "O problema já foi resolvido e a CSA já está operando ao ritmo de 4 milhões de toneladas de placas por ano", garantiu. Esse volume é equivalente a 80% da capacidade instalada da usina.
Segundo o executivo, a CSA é um complexo siderúrgico que, resolvidos os problemas que enfrentou até agora, será bom sob a gestão do novo controlador. "Tem eficiências melhor que siderúrgicas da Alemanha, como no aproveitamento de água e na emissão de CO2 ".
Para Höllerman, quem adquirir a siderúrgica CSA estará muito feliz daqui a dez anos. Todavia, ele não confirmou informações de que seria preciso investir mais US$ 700 milhões para que a siderúrgica fique com qualidade operacional de primeiro nível.
"A CSA veio como um projeto novo para Thyssen e uma importância política de enriquecimento do minério para quem está nesse mercado, com a produção de placas aqui e acabamento nos EUA e Europa, mas o cenário global da economia mudou muito após a crise de 2008", afirmou.

Nos planos futuros da ThyssenKrupp para o Brasil, a siderúrgica CSA é carta fora do baralho. O desejo do grupo é entregar, o quanto antes, esse ativo para um novo operador, de preferência local, afirmou Michael Höllerman, novo CEO para as operações do grupo no país. O plano passa também pela venda da laminadora de aço do Alabama, em Calvert, EUA, projeto que nasceu conjuntamente com a CSA, como parte de uma estratégia de atuação da companhia alemã nas Américas.


"Em princípio, queremos entregar para alguém que possa tirar mais proveito desse ativo", disse Höllerman, que acompanha junto com a direção global da Thyssem o processo de venda da divisão Steel Americas.


O negócio, que resultou em um dos maiores fracassos da siderurgia mundial, só trouxe dores de cabeça e perdas financeiras ao grupo alemão. São mais de US$ 7 bilhões de prejuízos acumulados desde o início da operação das duas unidades siderúrgicas, em meados de 2010.


Após investir € 10 bilhões para erguer as duas usinas - € 6,4 bilhões na CSA e € 3,6 bilhões na laminadora americana -, a Thyssen avaliou, sob a nova gestão do conglomerado iniciada em fevereiro de 2011, que não se interessava mais por esses dois ativos. Além do investimento, a empresa teve gastos pré-operacionais com efeito caixa de € 2 bilhões.


Entre a construção e o término do projeto, aponta o executivo, as condições de custos mudaram muito e o mercado de aço no Estados Unidos, para onde se destinaria a maior parte da produção de CSA e da laminadora, entrou em profunda crise. Ao mesmo tempo, o custo do minério de ferro, com fornecimento da Vale para a CSA, passou a ser definido pela China, com preços que chegaram próximo de US$ 200 a tonelada e hoje estão em US$ 130.


No momento, há negociações em curso com a Cia. Siderúrgica Nacional (CSN) e um desfecho claro ainda é imprevisto. As últimas informações indicam a venda apenas da laminadora nos EUA para a CSN, por um preço entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. A operação estaria atrelada a um acordo de suprimento de placas da CSA para garantir a fabricação de chapas laminadas nos EUA.


Höllerman não dá pistas. Ele admite que as dificuldades nas negociações dependem também da sócia Vale, dona de 27,3% do capital da CSA. A mineradora tem concessões (direitos assegurados) de fornecimento de longo prazo para minério de ferro e também no terminal portuário da siderúrgica.


Segundo o executivo, há uma comunicação constante com a Vale, mas o negócio precisa do apoio de todos para sair e as partes teriam de abrir mão de algumas concessões. "Neste momento, nós [ThyssenKrupp] estamos sofrendo, colocando capital de giro continuamente [na CSA]".


Segundo fonte próxima da CSA, o montante chega a US$ 1,2 bilhão. O executivo não quis comentar esse valor. Por outro lado, a Vale também cobra uma fatura por má gestão da siderúrgica por parte da Thyssen superior a US$ 500 milhões, prevista na reorganização do acordo de acionistas feito em 2009, quando a Vale injetou quase € 1 bilhão, dinheiro usado na conclusão da CSA.


"Estamos confiantes de que vamos chegar à melhor solução para a empresa [CSA] e para o Brasil", afirmou Höllerman.


Em abril, a situação da CSA foi agravada com um problema de instabilidade operacional em um de seus dois altos-fornos, o que afetou a produção da siderúrgica. O equipamento teve de ser paralisado para reparos. "O problema já foi resolvido e a CSA já está operando ao ritmo de 4 milhões de toneladas de placas por ano", garantiu. Esse volume é equivalente a 80% da capacidade instalada da usina.


Segundo o executivo, a CSA é um complexo siderúrgico que, resolvidos os problemas que enfrentou até agora, será bom sob a gestão do novo controlador. "Tem eficiências melhor que siderúrgicas da Alemanha, como no aproveitamento de água e na emissão de CO2 ".


Para Höllerman, quem adquirir a siderúrgica CSA estará muito feliz daqui a dez anos. Todavia, ele não confirmou informações de que seria preciso investir mais US$ 700 milhões para que a siderúrgica fique com qualidade operacional de primeiro nível.


"A CSA veio como um projeto novo para Thyssen e uma importância política de enriquecimento do minério para quem está nesse mercado, com a produção de placas aqui e acabamento nos EUA e Europa, mas o cenário global da economia mudou muito após a crise de 2008", afirmou.

 

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