Gás natural

Tourinho questiona alto custo do gasoduto do Cone Sul

Senador baiano alerta sobre risco de o mercado brasileiro ficar dependente de subsídio venezuelano.

Redação
27/04/2006 00:00
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Ao referir-se à reunião ocorrida na manhã desta quarta-feira (26/4) entre os presidentes da Argentina, Brasil e Venezuela, em que o presidente Hugo Chávez garantiu para julho a apresentação do projeto final do gasoduto interligando os três países, o senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) criticou o governo federal por optar pela execução da obra em detrimento da construção de outros gasodutos menores e mais baratos como o Gasoduto do Nordeste (Gasene).

Na avaliação do senador e ex-ministro de Minas e Energia, o governo ao invés de planejar a construção do gasoduto continental, deveria iniciar logo a construção dos gasodutos Urucu-Porto Velho, Coari-Manaus e sobretudo do Gasene, cujos custos estariam em torno de apenas US$ 1,5 bilhão cada um, contra cerca de US$ 23 bilhões do projeto envolvendo os três países.

Além de questionar o alto custo do gasoduto Venezuela-Argentina-Brasil, ainda não definido totalmente, Tourinho reclamou de o governo Lula não ter acrescentado nem um metro à rede do Gasene, mesmo em face de uma crise iminente de abastecimento de energia elétrica na Região Nordeste. “Vi hoje Lula preocupado com crise de energia na América do Sul, mas não com a crise de energia do Nordeste, que é crise anunciada”, alertou Tourinho, lembrando que o próprio governo já adquiriu, para a Região Nordeste, energia emergencial para 2008.

Tourinho lançou dúvidas sobre a viabilidade econômica do gasoduto transnacional diante da recusa da Venezuela, alegando razões estratégicas, em revelar o valor das reservas de gás a ser exportado. De acordo com o senador, a possibilidade de a Venezuela ser obrigada a subsidiar o gás para viabilizar o projeto colocaria o Brasil em situação de dependência desse país, do mesmo modo que já ocorre em relação à Bolívia. “Mas se não tiver preço subsidiado esse gás vai chegar aqui por 20 dólares por milhão de BTUs, cerca de 5 ou 6 vezes o preço do gás hoje. Onde está o estudo de viabilidade econômico-financeira disso?”, questionou.

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