Rio Grande do Sul

Usina termelétrica é modelo de negócios entre Brasil e China

Um novo modelo de negócios entre o Brasil e a China está sendo firmado no Sul do país, mais precisamente no município de Candiota, Rio Grande do Sul. É lá que está sendo construída a Fase C da Usina Termelétrica de Candiota, movida a carvão mineral. O projeto está sob responsabilidade d

Agência Brasil
11/08/2008 09:53
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Um novo modelo de negócios entre o Brasil e a China está sendo firmado no Sul do país, mais precisamente no município de Candiota, Rio Grande do Sul.

 

É lá que está sendo construída a Fase C da Usina Termelétrica de Candiota, movida a carvão mineral. O projeto está sob responsabilidade do grupo chinês Citic e sob supervisão da Companhia de Geração Termelétrica de Energia Elétrica (CGTEE).

 

O empreendimento de R$ 1,2 bilhão está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A usina irá gerar 350 megawatts, suficientes para abastecer uma cidade com 1 milhão de habitantes com o perfil do consumidor gaúcho. Cerca de 70 chineses trabalham hoje na obra, entre gerentes de projetos e engenheiros. Todo o equipamento e maquinário são exportados daquele país. “Na China, 75% da energia gerada e consumida tem origem na queima do carvão. Eles estão com a economia crescendo a 10% ao ano – então é impressionante o nível de desenvolvimento da indústria de fabricação de componentes e a instalação de usinas térmicas a carvão na China”, disse o coordenador-geral da Fase C da CGTEE, Hermes Marques.

 

Outras empresas brasileiras de construção foram subcontratadas pela Citic para realização das obras civis. As negociações entre começaram em 2004, quando a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, viajou para a China e apresentou aos empresários daquele país as possibilidades de investimento na área energética do Brasil.

 

Segundo o vice-presidente do grupo Citic e gerente da Fase C no Brasil, Tao Yang, há grande interesse da China para investimentos na economia brasileira em diferentes áreas. “Nos últimos cinco anos, os negócios entre os dois países cresceram muito e com certeza os comerciantes chineses têm muito interesse. Pelo menos o grupo Citic enxerga essa possibilidade em várias áreas, como a agropecuária, a mineração e a infra-estrutura”, afirmou.

 

Os negócios do grupo chinês são diversificados, incluindo companhias aéreas, de seguros e de construção. A Citic foi inclusive parceira do governo chinês na construção do Estádio Olímpico de Pequim.

 

A fase C da usina, também conhecida como Candiota III, entra em funcionamento no dia 1° de janeiro de 2010. Segundo Hermes Marques, 90% das reservas de carvão do Brasil estão no Rio Grande do Sul e 38% no município de Candiota. Ele aposta na energia térmica a partir do carvão como alternativa complementar ao modelo hidrelétrico atual do Brasil.

 

“Essa obra significa a retomada do programa de construção de usinas a carvão mineral, que estava interrompido há mais de 20 anos”, disse Marques. Para ele, outra vantagem é o menor preço da tarifa gerada por essa fonte de energia. “O nosso carvão é de fácil extração. Além disso, o carvão é brasileiro e, portanto, o preço é em real. Não é uma commodity, o que significa uma estabilidade de preço para o consumidor.”

 

Sobre as exigências ambientais, Tao ressaltou que a empresa não encontrou dificuldades para cumprí-las, porque na China os padrões de controle são ainda mais rigorosos. “Em uma usina termelétrica, a questão ambiental é uma das maiores preocupações”, disse ele. Para Hermes, a nova geração de usinas a carvão já nasce preparada para atender a um rígido controle de poluição.


 

“Por muito, a questão ambiental estava em segundo plano. No Brasil, nossas unidades mais antigas nasceram em um tempo em que o licenciamento ambiental não existia e agora temos um prazo para adequá-las a esse s padrões.”

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