Petrobras

Uso de Fundo Soberano na capitalização da estatal gera polêmica

Com a medida provisória (MP) 500, editada na última terça-feira (31/09), o governo poderá usar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) para comprar ações da Petrobras na capitalização. Assim, o governo não precisaria emitir títulos e elevar a dívida pública para aumentar sua participação na e

Redação/ Agências
02/09/2010 11:58
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Com a medida provisória (MP) 500, editada na última terça-feira (31/09), o governo poderá usar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) para comprar ações da Petrobras na capitalização. Assim, o governo não precisaria emitir títulos e elevar a dívida pública para aumentar sua participação na estatal: o dinheiro viria do FSB, cujo patrimônio é de R$ 15 bilhões. Mas a estratégia não é uma unanimidade entre os analistas.

Para o advogado especialista em petróleo Heller Redo Barroso, o FSB deveria ser investido em outros setores, não no petróleo. Isso seria feito para evitar no Brasil a chamada "doença holandesa", quando uma economia depende exclusivamente de um setor econômico, que gera muita receita externa, sobrevaloriza a moeda nacional e prejudica o desenvolvimento de outras atividades.

- O fundo foi criado para evitar que o país se tornasse dependente das exportações de petróleo, sem desenvolver outros setores da economia - disse Heller.

Segundo Luiz Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), o FSB deveria ser usado para apoiar a entrada de empresas brasileiras no mercado internacional.

- O que se observa é justamente o contrário: o governo usa o fundo para favorecer a Petrobras aqui no Brasil. E, com isso, ainda tira recursos que poderiam ser usados para outras operações.

Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas lembra, no entanto, que a Petrobras tem "receita em dólar". E a capitalização, segundo ele, seria um investimento numa commodity que tende a se valorizar. Portanto, para ele, o cenário é favorável ao uso do FSB na operação.

- Não vejo problema. É melhor investir na Petrobras do que investir lá fora. O petróleo é uma commodity globalizada, um ativo em moeda estrangeira. É uma boa estratégia, que não fere o objetivo do fundo - disse ele.

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