Negócios

Vale estuda vender participação na empresa de cabotagem Log-In

A Vale estuda se desfazer das ações que detém na Log-In, empresa da área de navegação de cabotagem na qual a mineradora tem 31,31% do capital. Essa participação equivale a cerca de R$ 190 milhões considerando-se o valor de mercado da emp

Valor Econômico
19/08/2011 06:44
Visualizações: 590
A Vale estuda se desfazer das ações que detém na Log-In, empresa da área de navegação de cabotagem na qual a mineradora tem 31,31% do capital. Essa participação equivale a cerca de R$ 190 milhões considerando-se o valor de mercado da empresa ontem, de R$ 604,4 milhões. A decisão sobre uma possível venda dessa participação acionária ainda não foi tomada, mas a análise coincide com o projeto da Vale de criar uma nova empresa para o setor de logística.
 

Ainda não há definição sobre a saída da Vale da Log-In, mas uma pessoa a par afirmou que o tema vem sendo avaliado. Até ontem, a ação da Log-In acumulou perda de 36,63% no ano, bem acima da queda do Ibovespa no período, de 23,33%. Executivo da área de navegação disse que a ideia da Vale sempre foi estruturar a Log-In, construir os navios necessários à sua operação, e vender sua participação acionária. "Não é o [o negócio principal] da Vale."
 
 
O estatuto da Log-In permite que a Vale venda sua participação sem necessidade de fazer uma oferta pública de ações (OPA). Pelo estatuto, a OPA só seria necessária se algum acionista adquirir mais de 35% das ações da companhia.
 

Além da Vale, os outros sócios com maiores participações são Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), com 12,80%; Fama Investimentos, com 14,7%; e Eton Park Management, com 8,35%. Outros acionistas detêm 26,20%. Há ainda 6,64% de ações em Tesouraria.
 

Segundo um executivo que conhece a empresa, antes da crise financeira de 2008, a Log-In chegou a contratar o banco Credit Suisse para buscar um comprador. Outra pessoa disse que naquela ocasião sua empresa foi procurada por bancos oferecendo a participação da Vale na Log-In. A dificuldade na transação estaria no alto preço pedido.
 

Até o momento, não há banco contratado para fazer uma potencial operação de venda da empresa. Mas um executivo do setor afirmou que a Vale continua interessada em vender a Log-In. A Vale, por meio de sua assessoria, disse que não comenta rumores de mercado.
 

Entre pessoas que acompanham a empresa há quem entenda que a Log-In não tem um projeto claro e que até agora não cumpriu parte dos propósitos originais para os quais foi criada e que incluíam crescimento via aquisições.
 
 
Em relação às críticas do mercado ao projeto da Log-In, a mineradora afirmou por e-mail que "a Log-In é um projeto de longo prazo e a Vale, como acionista, acredita em seu plano de negócios. Desde sua criação, a Log-In fez um trabalho de preparação de mercado. Este ano a empresa começou a entregar suas primeiras encomendas. Em mais um ano, a empresa encerra sua fase pré-operacional, conforme previsão original, com a entrega total dos novos navios. A Vale acredita na capacidade da Log-In de gerar valor para seus acionistas".
 

Vital Lopes, presidente da Log-In, disse que a empresa vem fazendo o que se espera dela. "Desde o início a Log-In era um projeto que passava pela construção de uma frota", disse.
 

O plano da Log-In inclui a construção de cinco navios de contêineres, dos quais o primeiro deles já entrou em operação e o segundo vai se tornar operacional ainda este ano, além de dois navios graneleiros, previstos para começarem a operar em 2012.
 
 
Um executivo do setor avaliou que a Log-In errou ao encomendar os navios em momento em que os preços estavam no pico do mercado, afirmando que hoje esses mesmos navios valem 30%, 40% menos. Para Lopes, o comentário é "maldoso": "Pagamos o preço do mercado à época", disse.
 

Um dos fatores que contribuíram para as margens apertadas que vem sendo apresentadas pela Log-In foram os navios antigos alugados para começar a operar, que tiveram paradas não programadas, problema que será resolvido com a configuração da frota, projeto que estará concluído em 2014. Mesmo assim, o mercado tem cobrado resultados do ponto de vista da rentabilidade.
 

Recentemente, a empresa encerrou contrato de venda dos serviços ferroviários do chamado Trem Expresso que tinha com a Ferrovia Centro Atlântica (FCA), da Vale. Lopes explicou que a empresa não conseguiu gerar valor a esse contrato porque o transporte via caminhão mostrou-se mais agressivo.
 

Quando a Log-In foi criada, em 2007, os analistas tinham grandes expectativas em relação ao crescimento da empresa no negócio de cabotagem. Eles acreditavam que a companhia, que captou R$ 848,2 milhões na abertura de capital, poderia capturar um pedaço do mercado de logística dominado por caminhões. Estima-se que a partir de 1,5 mil quilômetros é mais vantajoso para as empresas usar o serviço de navios para transportar mercadorias do que as rodovias, mas abaixo dessa distância é difícil competir com o caminhão.
 

A competição tem sido mais acirrada, porém, do que a empresa provavelmente previu. E suas margens operacionais são menores do que os analistas estimavam. Segundo analistas, a Log-In ainda não conseguiu convencer o cliente de que a cabotagem pode ser uma alternativa. Isso estaria associado, sobretudo, ao fato de o transporte rodoviário ainda sair mais em conta em curtas distâncias.
 

Lopes discorda: "À frente vamos ter maior rentabilidade, que é o projeto que o investidor comprou". Segundo ele, entre 2007 e 2010 a taxa de crescimento da Log-In na cabotagem foi de 28% ao ano.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
Demanda por energia elétrica cai quase 11% nos jogos do ...
26/06/26
FPSO
MODEC e Eld Energy assinam Memorando de Entendimento par...
26/06/26
Biometano
Com apoio da ABiogás e da SEMIL, USP inaugura usina de e...
26/06/26
Rio de Janeiro
PIB do estado do Rio cresce 4,2%, puxado pelo desempenho...
26/06/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 4,7 milhões em infraestrutura de gás ...
26/06/26
GNL
Gás natural: aprovada resolução sobre acesso aos termina...
26/06/26
Fertilizantes
Petrobras assina contratos para retomada das obras da UF...
26/06/26
Acordo
Acelen Renováveis e Trafigura assinam acordo estratégico...
26/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: arena Diálogos da Transição debate p...
26/06/26
Biometano
CGOB: ANP inicia participação social sobre Informe Técnico
26/06/26
Petrobras
Lubnor, referência em asfaltos e produtos especiais come...
25/06/26
Combustíveis
Painel dinâmico da ANP mostra dados de comercialização d...
25/06/26
Combustíveis
Aumento da mistura de etanol na gasolina fortalece produ...
25/06/26
Energy Summit
Lemon Energia recebe Ouro em Sustentabilidade no Energy ...
25/06/26
Pré-Sal
Campo de Búzios supera próprio recorde e produz 1 milhão...
25/06/26
Energy Summit
ABDI destaca redução no tempo de contratação em compras ...
24/06/26
Energy Summit
Binatural conquista Energy Summit Awards e reforça prota...
24/06/26
Energy Summit
Tauil & Chequer | Mayer Brown reúne representantes da AN...
23/06/26
Internacional
Petrobras e Pemex firmam parceria para cooperação em E&P
23/06/26
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.