Artigo

Brasil deve se preparar para os impactos das mudanças climáticas, geração e distribuição de energia, por Heverton Bacca

Redação TN Petróleo/Assessoria Facens
15/08/2025 12:51
Brasil deve se preparar para os impactos das mudanças climáticas, geração e distribuição de energia, por Heverton Bacca Imagem: Divulgação Visualizações: 2082

A demanda global por eletricidade está projetada para crescer 3,4% anualmente até 2026, impulsionada pela eletrificação dos setores residencial e de transporte, e pela expansão de centros de dados e inteligência artificial. Para atender a essa demanda, a Agência Internacional de Energia estima que mais de 73 milhões de quilômetros de linhas de energia precisem ser adicionados ou atualizados em países em desenvolvimento até 2050, um volume que excede toda a construção de linhas de energia global no século passado. O desafio é ainda maior em um cenário global de crescente preocupação com as alterações climáticas.

Isso porque o clima exerce impactos diretos e significativos sobre a geração energética, especialmente nas fontes renováveis que predominam na matriz do Brasil. Usinas hidrelétricas, solares e eólicas dependem intrinsecamente do clima, sendo afetadas pelo volume de chuvas, pela incidência solar e pelo regime de ventos. Essa falta de previsibilidade torna a gestão complexa, podendo resultar em déficits de energia ou elevação dos custos.

A estabilidade das redes de distribuição de energia elétrica também é severamente comprometida por eventos climáticos extremos. As ondas de calor, por sua vez, elevam o consumo de energia devido ao uso massivo de sistemas de resfriamento, sobrecarregando o sistema. Um exemplo dessa vulnerabilidade é o impacto das secas prolongadas na geração hidrelétrica, que exige a compensação com usinas termelétricas, de custo mais elevado.

O Sistema Interligado Nacional (SIN), que conecta todos os sistemas elétricos de geração, transmissão e distribuição do país, é a espinha dorsal da nossa matriz. Contudo, é um desafio encontrar a configuração ideal para garantir o suprimento da demanda em um país de dimensões continentais como o Brasil. Apesar da abundância de insumos para a produção de energia, os custos de implantação de novas usinas e os desafios ambientais são questões de grande complexidade.

De acordo com o Banco Mundial, o investimento anual em geração de eletricidade em países em desenvolvimento precisa mais que dobrar até 2035, de US$ 280 bilhões para US$ 630 bilhões de dólares. Atualmente, os países em desenvolvimento atraem apenas um quinto do investimento global em eletricidade, pois os investidores preferem projetos de menor risco em economias desenvolvidas.

Outro ponto a ser considerado é o equilíbrio estratégico entre o uso de energias renováveis e fontes de geração de alta disponibilidade, como as termelétricas. O planejamento para a aquisição de diferentes tipos de fontes de geração de energia elétrica permite o melhor balanço para ampliar o atendimento da demanda e a busca de melhores preços.

Para tornar os sistemas elétricos mais resilientes, soluções tecnológicas e estratégias inovadoras estão sendo desenvolvidas e aplicadas. A automação e a proteção das redes de distribuição são cruciais, assim como o uso de informações climáticas cada vez mais precisas, dados sobre eventos técnicos e características da infraestrutura para uma rápida identificação de problemas. Criar redes mais inteligentes e responsivas é um caminho já trilhado pela digitalização e tem gerado uma atuação e resolução de problemas mais rápidas.

Contudo, os desafios do setor elétrico não se limitam ao campo técnico. Existe uma preocupação crescente com o desenvolvimento de profissionais. Embora diversas instituições já desenvolvam pesquisas sobre o tema, há uma diminuição no interesse de candidatos nas áreas da Engenharia Elétrica e a migração de graduados para outros mercados. Isso resulta em menos alunos, pesquisadores e, consequentemente, em um número insuficiente de profissionais preparados e disponíveis para implementar as novas tecnologias que o setor demanda.

Para navegar nesse cenário, academia, governos e empresas precisam se unir para garantir que a matriz energética do Brasil seja sustentável. Precisam, juntos, promover o desenvolvimento de profissionais no setor, investindo na criação de tecnologias inovadoras e no treinamento para o uso eficaz daquelas já existentes.

Sobre o autor: Heverton Bacca é coordenador do curso de Engenharia Elétrica no Centro Universitário Facens.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Mayekawa do Brasil presente na Bahia Oil & Gas Energy
03/06/26
Meio Ambiente
TIM amplia geração própria de energia renovável e usa in...
03/06/26
Investimento
Projeto de coleta de óleos e gorduras residuais irá rece...
03/06/26
BOGE 2026
WIKA apresenta soluções para medição e controle de proce...
03/06/26
Etanol
Brasil pode mais que dobrar produção de etanol até 2040 ...
03/06/26
GLP
Posicionamento do Sindigás sobre reunião da Diretoria Co...
03/06/26
Combustíveis
Petrobras aprova adesão à nova subvenção econômica e pre...
03/06/26
Resultado
Com 5,640 milhões de barris de óleo equivalente por dia ...
02/06/26
BOGE 2026
Bahia Oil & Gas Energy encerra edição histórica e projet...
02/06/26
Bolsa de Valores
Com mercado volátil, ações de petróleo, combustíveis e g...
02/06/26
BOGE 2026
NETZSCH do Brasil reforça liderança no setor de óleo e g...
01/06/26
BOGE 2026
Clark Solutions reforça atuação em eficiência Bahia Oil ...
01/06/26
Firjan
PIB cresce, mas custo estrutural continua limitando o Brasil
01/06/26
Combustíveis
Petrobras ajusta preço da gasolina
01/06/26
Parceria
Grupo Bravante firma parceria oficial com a WISTA Brazil...
01/06/26
Combustíveis
Etanol encerra maio com mercado atento ao avanço da safra
01/06/26
Bacia de Sergipe-Alagoas
A SBM Offshore assinou contratos para as FPSOs SEAP-I e ...
31/05/26
BOGE 2026
Oil States reforça compromisso com inovação e excelência...
30/05/26
BOGE 2026
Bahiagás destaca protagonismo da Bahia na Transição Ener...
29/05/26
BOGE 2026
Benel marca presença no Bahia Oil & Gas Energy e anuncia...
29/05/26
Investimentos
Petrobras anuncia aportes de mais de R$ 70 bilhões em Se...
29/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25