Artigo

Brasil deve se preparar para os impactos das mudanças climáticas, geração e distribuição de energia, por Heverton Bacca

Redação TN Petróleo/Assessoria Facens
15/08/2025 12:51
Brasil deve se preparar para os impactos das mudanças climáticas, geração e distribuição de energia, por Heverton Bacca Imagem: Divulgação Visualizações: 1953

A demanda global por eletricidade está projetada para crescer 3,4% anualmente até 2026, impulsionada pela eletrificação dos setores residencial e de transporte, e pela expansão de centros de dados e inteligência artificial. Para atender a essa demanda, a Agência Internacional de Energia estima que mais de 73 milhões de quilômetros de linhas de energia precisem ser adicionados ou atualizados em países em desenvolvimento até 2050, um volume que excede toda a construção de linhas de energia global no século passado. O desafio é ainda maior em um cenário global de crescente preocupação com as alterações climáticas.

Isso porque o clima exerce impactos diretos e significativos sobre a geração energética, especialmente nas fontes renováveis que predominam na matriz do Brasil. Usinas hidrelétricas, solares e eólicas dependem intrinsecamente do clima, sendo afetadas pelo volume de chuvas, pela incidência solar e pelo regime de ventos. Essa falta de previsibilidade torna a gestão complexa, podendo resultar em déficits de energia ou elevação dos custos.

A estabilidade das redes de distribuição de energia elétrica também é severamente comprometida por eventos climáticos extremos. As ondas de calor, por sua vez, elevam o consumo de energia devido ao uso massivo de sistemas de resfriamento, sobrecarregando o sistema. Um exemplo dessa vulnerabilidade é o impacto das secas prolongadas na geração hidrelétrica, que exige a compensação com usinas termelétricas, de custo mais elevado.

O Sistema Interligado Nacional (SIN), que conecta todos os sistemas elétricos de geração, transmissão e distribuição do país, é a espinha dorsal da nossa matriz. Contudo, é um desafio encontrar a configuração ideal para garantir o suprimento da demanda em um país de dimensões continentais como o Brasil. Apesar da abundância de insumos para a produção de energia, os custos de implantação de novas usinas e os desafios ambientais são questões de grande complexidade.

De acordo com o Banco Mundial, o investimento anual em geração de eletricidade em países em desenvolvimento precisa mais que dobrar até 2035, de US$ 280 bilhões para US$ 630 bilhões de dólares. Atualmente, os países em desenvolvimento atraem apenas um quinto do investimento global em eletricidade, pois os investidores preferem projetos de menor risco em economias desenvolvidas.

Outro ponto a ser considerado é o equilíbrio estratégico entre o uso de energias renováveis e fontes de geração de alta disponibilidade, como as termelétricas. O planejamento para a aquisição de diferentes tipos de fontes de geração de energia elétrica permite o melhor balanço para ampliar o atendimento da demanda e a busca de melhores preços.

Para tornar os sistemas elétricos mais resilientes, soluções tecnológicas e estratégias inovadoras estão sendo desenvolvidas e aplicadas. A automação e a proteção das redes de distribuição são cruciais, assim como o uso de informações climáticas cada vez mais precisas, dados sobre eventos técnicos e características da infraestrutura para uma rápida identificação de problemas. Criar redes mais inteligentes e responsivas é um caminho já trilhado pela digitalização e tem gerado uma atuação e resolução de problemas mais rápidas.

Contudo, os desafios do setor elétrico não se limitam ao campo técnico. Existe uma preocupação crescente com o desenvolvimento de profissionais. Embora diversas instituições já desenvolvam pesquisas sobre o tema, há uma diminuição no interesse de candidatos nas áreas da Engenharia Elétrica e a migração de graduados para outros mercados. Isso resulta em menos alunos, pesquisadores e, consequentemente, em um número insuficiente de profissionais preparados e disponíveis para implementar as novas tecnologias que o setor demanda.

Para navegar nesse cenário, academia, governos e empresas precisam se unir para garantir que a matriz energética do Brasil seja sustentável. Precisam, juntos, promover o desenvolvimento de profissionais no setor, investindo na criação de tecnologias inovadoras e no treinamento para o uso eficaz daquelas já existentes.

Sobre o autor: Heverton Bacca é coordenador do curso de Engenharia Elétrica no Centro Universitário Facens.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
P&D
Centro de pesquisa na USP inaugura sede e impulsiona tec...
17/04/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 182 mil barris por ...
17/04/26
Reforma Tributária
MODEC patrocina debate sobre reforma tributária no setor...
17/04/26
E&P
Revisão de resolução sobre cessão de contratos de E&P é ...
17/04/26
Estudo
Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil
17/04/26
Apoio Marítimo
Mesmo com tensões globais, setor marítimo avança e refor...
17/04/26
Internacional
Petrobras assina participação em novo bloco exploratório...
17/04/26
PPSA
Petrochina arremata carga da União de Bacalhau em leilão...
17/04/26
Rio de Janeiro
Firjan calcula que, só em 2025, estado do Rio acumulou p...
16/04/26
Refino
Refinaria de Mataripe, da Acelen, reduz consumo total de...
16/04/26
Cana Summit
No Cana Summit 2026, ORPLANA e UNICA formalizam revisão ...
16/04/26
Royalties
Firjan anuncia mobilização para defender interesse do RJ...
16/04/26
Reconhecimento
3º Prêmio Foresea de Fornecedores premia melhores empres...
16/04/26
Cana Summit
Abertura do Cana Summit 2026: autoridades e especialista...
15/04/26
Gás Natural
TBG e SCGás inauguram nova estação em Santa Catarina e a...
15/04/26
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23