Artigo

Colonial Pipeline: as lições que não podemos ignorar, por Thiago Branquinho

Redação TN Petróleo/Assessoria
10/09/2025 16:34
Colonial Pipeline: as lições que não podemos ignorar, por Thiago Branquinho Imagem: Divulgação Visualizações: 1856

Quando fui convidado a participar do Rio Pipeline 2025, imediatamente me veio à mente o ataque de ransomware contra a Colonial Pipeline, em 2021. Não apenas por sua dimensão, mas porque considero esse episódio um divisor de águas para a forma como pensamos a segurança cibernética em infraestruturas críticas. 

Naquela ocasião, um detalhe que pode parecer simples — o uso de uma conta de VPN sem autenticação multifator — foi a porta de entrada para um ataque devastador. O resultado: a paralisação por cinco dias de um sistema responsável por 45% do abastecimento de combustíveis da costa leste dos Estados Unidos. 

O impacto foi imediato e tangível: filas nos postos de gasolina, escassez em estados inteiros, prejuízos bilionários e até aeroportos comprometidos. Pela primeira vez, milhões de pessoas perceberam de forma concreta que a cibersegurança não é um tema técnico e distante, mas sim um fator que afeta diretamente a vida cotidiana. 

Quatro anos se passaram, e hoje vemos como aquele episódio acelerou transformações profundas no setor de energia. Nos Estados Unidos, a Transportation Security Administration (TSA) implementou diretivas obrigatórias, impondo segmentação de redes, uso de MFA e monitoramento contínuo. 

Em 2022, a aprovação da lei CIRCIA tornou compulsório o reporte de incidentes em até 72 horas, um passo fundamental para ampliar a transparência e a cooperação. Paralelamente, padrões técnicos foram revisados, como a API 1164, que se alinhou aos frameworks do NIST e da IEC 62443, estabelecendo uma nova referência global. 

Mas talvez a mudança mais importante não esteja apenas na tecnologia ou na regulação, e sim na forma como a cibersegurança passou a ser tratada. Ela deixou de estar restrita às equipes técnicas para se tornar pauta estratégica em conselhos administrativos. Ganhou peso na tomada de decisão, promoveu maior integração entre os times de IT e OT e incentivou iniciativas intersetoriais de colaboração. 

No entanto, os desafios continuam. A presença de sistemas legados ainda representa uma vulnerabilidade significativa, ao mesmo tempo em que riscos geopolíticos elevam a complexidade do cenário. O setor de óleo e gás, por sua relevância, seguirá sendo alvo de agentes maliciosos — e a lição da Colonial Pipeline é clara: basta uma falha aparentemente pequena para desencadear uma crise de grandes proporções. 

No Brasil, onde também dependemos de redes complexas de distribuição de energia e combustíveis, há muito a aprender com esse caso. Precisamos fortalecer a resiliência cibernética de nossas infraestruturas críticas, adotando padrões internacionais, criando mecanismos eficazes de reporte e estimulando a cooperação entre governo, empresas e especialistas. Mais do que nunca, segurança cibernética é segurança nacional. 

Ao trazer esse tema ao Rio Pipeline 2025, minha intenção é provocar uma reflexão: estamos preparados para enfrentar um cenário em que o próximo “Colonial Pipeline” pode acontecer mais perto do que imaginamos? Essa resposta depende de quanto seremos capazes de transformar lições em ação, e de elevar a cibersegurança ao patamar que ela realmente merece. 

Sobre o autor: Thiago Braga Branquinho é CTO da TI Safe, é empreendedor da indústria 4.0, trabalha pela proteção do nosso futuro em comum. Ao longo de sua carreira, atuou em diversos projetos nas áreas de meio ambiente, gestão de resíduos, sustentabilidade, planejamento, gestão de negócios, manufatura digital, inovação tecnológica e segurança cibernética. Na TI Safe, cuida do aprimoramento dos serviços relacionados à metodologia CPS.SecurityFramework®, desenvolvida pela empresa para defesa cibernética de infraestruturas críticas. 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
Logística
Benel investe R$ 45 milhões em novos transportes no prim...
14/10/26
Margem Equatorial
Governo do Amapá tem acordo formalizado com Transpetro e...
14/10/26
PD&I
Tereos amplia alcance de tecnologia própria para impulsi...
14/10/26
Investimento
ABPIP apresenta propostas ao Governo da Bahia para destr...
14/10/26
Biometano
ANP credencia B3 S.A. como entidade registradora de Cert...
14/10/26
Bacia de Pelotas
TGS retoma pesquisa sísmica na Bacia de Pelotas com foco...
13/10/26
Aviação
Avanço do combustível sustentável de aviação reforça imp...
13/10/26
Sustentabilidade
Vallourec Avança na Sustentabilidade com Tecnologia que ...
13/10/26
PD&I
ANP fará consulta e audiência públicas sobre credenciame...
09/10/26
Combustível
ANP retoma restrição à venda de biodiesel entre distribu...
09/10/26
Logística
Corredor Verde inicia operação e cria eixo de biometano ...
08/10/26
Pessoas
CEO da Necta assume presidência do Conselho do CIBiogás ...
08/10/26
Oferta Permanente
PPSA passa a gerir 36 contratos de partilha após resulta...
08/10/26
Resultado
Oferta Permanente de Concessão (OPC): 6º Ciclo tem maior...
08/10/26
Leilão da ANP
Firjan destaca os resultados positivos do leilão de Part...
07/10/26
Bacia de Campos
PRIO vence leilão de Oferta Permanente de Partilha da Pr...
07/10/26
Drilling
Constellation obtém certificação em tecnologia pioneira ...
07/10/26
ANP
4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP tem set...
07/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25