Biometano

Equinor, Embrapii, Unicamp e CNPEM lançam projeto para avaliar a produção de biometano

Com investimento de R$ 26,4 milhões, a iniciativa busca reaproveitar resíduos da indústria do etanol na Região Sudeste do Brasil

Assessoria Equipor
28/05/2026 11:55
Equinor, Embrapii, Unicamp e CNPEM lançam projeto para avaliar a produção de biometano Imagem: Divulgação Equinor Visualizações: 1729

Mário Murakami, diretor do LNBr/CNPEM, Andrea Achoa, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Equinor e Bruna Moraes, diretora do CP2b.

 

A Equinor, empresa global de energia com mais de 20 anos de presença no Brasil, a Embrapii, o Centro Paulista de Estudos em Biogás e Bioprodutos (CP2B) da Unicamp e o Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), lançaram, nesta quinta-feira (28), um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) na área de biocombustíveis. Batizada de Res2Bio — abreviação de “Residues to Biomethane” (Resíduos para Biometano) — a iniciativa tem como objetivo maximizar a produção de biometano a partir de resíduos da cana-de-açúcar.

O projeto prevê o uso de resíduos remanescentes do processo de produção de etanol. Bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro serão coletados em parceria com atores industriais do setor sucroenergético, viabilizando pesquisas voltadas à produção de biometano. O insumo é estrategicamente importante para a transição energética, pois pode substituir o gás fóssil sem a necessidade de grandes mudanças na infraestrutura existente.

Além disso, como no caso do Res2Bio, o biometano também se destaca por converter resíduos orgânicos em energia, alinhando a redução de emissões de metano — que, de outra forma, seriam liberadas durante a decomposição dos resíduos — com a geração de energia renovável produzida localmente, entre outros benefícios.

A cerimônia de assinatura ocorreu durante a inauguração do novo edifício-sede do CP2B. O Res2Bio receberá R$ 26,4 milhões em investimentos (R$ 17,2 milhões da Equinor e R$ 9,2 milhões da Embrapii) ao longo de 42 meses de pesquisa.

“Sempre dizemos que gerar valor local significa contribuir, por meio dos nossos negócios e iniciativas, para o desenvolvimento da sociedade. É exatamente isso que a Equinor vem fazendo no Brasil, ao construir um amplo portfólio em PD&I. Celebrar este projeto, que tem potencial para gerar valor significativo para o país, para a academia e para a nossa empresa, nos enche de orgulho e está alinhado ao nosso propósito de transformar recursos naturais em energia para as pessoas e progresso para a sociedade, sempre buscando a excelência”, afirma Andrea Achoa, diretora de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Equinor.

“O projeto Res2Bio é uma demonstração importante de como o nosso modelo de fomento pode ser usado de maneira ágil para gerar soluções de baixo carbono com benefícios ambientais para o Brasil. Estamos falando de um projeto que transforma resíduos da cadeia sucroenergética em alternativa renovável ao gás fóssil. Na prática, estamos somando sustentabilidade, competitividade industrial e desenvolvimento tecnológico”, diz Alvaro Prata, presidente da Embrapii.

“Projetos como o Res2Bio mostram como o conhecimento científico pode transformar um desafio ambiental em uma oportunidade de geração de valor. No CNPEM, temos avançado no desenvolvimento de soluções biotecnológicas voltadas ao aproveitamento integral de resíduos agroindustriais, especialmente por meio do uso de enzimas e microrganismos integrados a tratamentos termoquímicos, visando viabilizar o uso desses resíduos como matéria-prima alternativa ao petróleo em escala industrial. Essas tecnologias permitem aumentar a eficiência dos processos e viabilizar novas rotas para a produção de biocombustíveis, como o biometano, contribuindo para uma economia mais circular e de baixo carbono. Ao integrar ciência de ponta com demandas reais da indústria, ampliamos o potencial de transformar resíduos em recursos estratégicos para a transição energética.”, declara Mário Murakami, diretor do LNBr/CNPEM.

“O Res2Bio representa uma integração importante entre ciência e aplicação, ao reunir pesquisa básica, pesquisa aplicada e a colaboração entre universidade e empresa. A partir dessa conexão, é possível desenvolver ciência de ponta voltada à solução de desafios reais do setor produtivo. O Res2Bio também se propõe a investigar gargalos do mercado por meio de experimentos e pesquisa científica, aproximando o conhecimento acadêmico das demandas da indústria. Essa parceria entre universidades e empresas fortalece ambos os lados e evidencia como a ciência pode contribuir de forma concreta para o desenvolvimento de soluções inovadoras”, conclui Bruna Moraes, diretora do CP2b.

O projeto está dividido em etapas voltadas a tornar mais eficiente a conversão de resíduos orgânicos em biometano. Inicialmente, serão avaliados diferentes métodos de pré-tratamento para auxiliar na quebra de estruturas mais complexas, aumentando a quantidade de açúcares disponíveis para a produção de biogás. A etapa seguinte terá como foco o aprimoramento do processo de digestão anaeróbia, por meio da análise do funcionamento do sistema e do papel dos microrganismos, além da combinação de diferentes tipos de resíduos para ampliar a produção de biogás e avaliar a qualidade do material remanescente.

Na sequência, o projeto irá aprimorar a purificação do biogás, separando o metano de outros gases, como dióxido de carbono e sulfeto de hidrogênio, garantindo que o biometano final atenda aos padrões de mercado. Por fim, serão analisados os benefícios ambientais, sociais e econômicos do processo, com foco na redução das emissões de gases de efeito estufa e na melhoria da gestão de resíduos.

Além da colaboração entre CP2B, LNBR, Equinor e Embrapii, o Res2Bio contará também com o apoio de pesquisadores da Universidade de Aalborg, da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU) e do Instituto Norueguês de Pesquisa em Bioeconomia (NIBIO).

O CP2B é um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) vinculado ao Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE) da Unicamp, cofinanciado pela Fapesp e desenvolvido em parceria com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e a Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Campinas.

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