Artigo

Fusões e aquisições no Brasil têm participação chinesa com cerca de US$ 17 bilhões, por Fernando Pinho

Fernando Pinho
18/08/2017 14:37
Visualizações: 989

Passada a tentativa frustrada do Governo Federal de lançar um “balão de ensaio” visando alterar a alíquota máxima de IRPF de 27,5% para 35%, sabe-se que outras ardilosas ideias serão urdidas pela equipe econômica, visando aumentar a combalida arrecadação tributária. O aumento da CIDE dos combustíveis foi a pioneira, porém, pode haver frustração da receita projetada, já que o consumo dos mesmos tende a diminuir acentuadamente, como inúmeras vezes ocorreu. E, diga-se de passagem, as estimativas governamentais raramente se confirmam, já que são baseadas em premissas erradas. A inflação está cedendo, notadamente graças à brutal recessão em curso, o desemprego continua alto, a SELIC tem forte tendência declinante (não se sabe até quando), o dólar e o euro com cotações estáveis e o faturamento dos diversos setores da Economia em permanente trajetória errante.

O panorama político continua desafiador e desencorajando os investimentos produtivos. Há diversos aspectos a lamentar, porém alguns a comemorar. O primeiro é o fato da sensível melhora da governança corporativa da Petrobras, o que culminou com a diminuição do respectivo endividamento, da melhora do desempenho de outros indicadores de performance, além de eliminar o grau de ingerência política na administração da mesma, fatores que devem, num futuro próximo, recuperar os preços das respectivas ações, atualmente ainda muito depreciadas. O Banco do Brasil e a CEF também passam por um severo ajuste de suas respectivas estruturas, com dramático fechamento de agências e demissão de funcionários ociosos, objetivando adequarem-se aos novos padrões tecnológicos, em que os clientes não querem mais ir às agências.

O segundo fato relevante é o forte surgimento de oportunidades ao capital estrangeiro, notadamente à China, para compra de empresas estatais e privadas, já que a recessão depreciou acentuadamente o valor das mesmas, excessivamente endividadas. O aumento da influência da China na geopolítica mundial tem sido impressionante. Em 2016, aproximadamente 35% do total de negócios de fusões e aquisições no Brasil foram feitos com capitais chineses, que aqui já aportaram algo como U$ 17 bilhões. Alguns exemplos: a venda da CPFL para a State Grid por U$ 4,8 bilhões, a da Duke Energy SP e PR para a CTG por U$ 1,2 bilhão, a da Triunfo para a CTG por U$ 566 milhões e a outorga das Usinas Jupiá e Ilha Solteira para a CTG por U$ 4,6 bilhões. Há ainda um número relevante de negócios a ocorrer proximamente: a venda das usinas hidrelétricas de Santo Antonio e Belo Monte, da CESP, de algumas distribuidoras da Eletrobrás, da CEMIG, bem como de inúmeras controladas da Petrobras, como a BR Distribuidora.

Em relação ao aumento da relevância da China no mundo atual, Martin Jacques, renomado pesquisador inglês e autor do livro “Quando a China Mandar no Mundo” (Círculo de Leitores, Portugal, 2012, Pág. 22/23), afirma: “Os países veem, invariavelmente, o mundo em termos da sua própria experiência. À medida que vão tornando-se hegemônicos – como a China se tornará –, procuram moldar o mundo à luz dos seus próprios valores e prioridades. É comum, no entanto, acreditar que a influência da China no mundo será principalmente, e esmagadoramente, econômica. No entanto, os efeitos políticos e culturais terão no mínimo o mesmo alcance. O argumento subjacente deste livro é que o impacto da China no mundo será tão grande como o dos EUA durante o último século, provavelmente muito maior e certamente muito diferente”. Fica a mensagem para todos os brasileiros: se não pensarmos seriamente no futuro do nosso país, outros o administrarão por nós.

Sobre o autor: Fernando Pinho é economista, palestrante e consultor financeiro da Prospering Consultoria.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Prorrogado para 21/9 o prazo para inscrições no Prêmio A...
03/09/26
Saúde e Bem-estar
Nova clínica no Rio mira demanda de saúde ocupacional da...
03/09/26
ABPIP
Produtores independentes apresentam a candidatos ao Gove...
03/09/26
Bacia de Santos
Shell Brasil adquire participação no bloco exploratório ...
02/09/26
ROG.e 2026
Merax confirma participação na ROG.e 2026 com soluções p...
02/09/26
ANP
Jornada Empreendedora PRH-ANP 2026: anunciadas as seis e...
02/09/26
Mercado Livre
Comerc Energia celebra 25 anos com solidez financeira, e...
02/09/26
PPSA
TotalEnergies e Petrobras vencem lotes do 8º Leilão Spot...
02/09/26
ANP
Produção de petróleo e gás em julho de 2026 foram de 5,8...
01/09/26
Etanol de milho
Levedura desenvolvida na Unicamp pode tornar a produção ...
01/09/26
Biometano
CGOB: ANP publica Informes Técnicos que permitem início ...
01/09/26
Financiamento
BNDES aprova financiamento de R$ 10,6 milhões para AutoM...
01/09/26
Firjan
Economia desacelera, com crescimento concentrada em comm...
01/09/26
Energia Elétrica
CCEE lança campanha nacional para apresentar o mercado l...
01/09/26
Premiação
Inscrições para Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2026 ...
31/08/26
Gás Natural
ABRACE questiona aumentos de até 52% na margem de distri...
31/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
31/08/26
Royalties
ANP publica resolução sobre distribuição a municípios af...
28/08/26
ANP
Gás natural: prorrogado até 14/9 o prazo da consulta púb...
28/08/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reúne líderes globais para discutir o futuro ...
28/08/26
Pessoas
Supergasbras anuncia mudanças na liderança executiva
28/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25