Artigo

Marco regulatório do pré-sal deixará legado negativo ao país

Folha de S.Paulo
15/12/2010 10:17
Visualizações: 780
Recentemente, o Congresso aprovou o projeto de lei que introduz modificações no marco regulatório do setor petrolífero no país.
 
 
Segundo as novas regras, haverá um regime duplo para a exploração de petróleo no país.


Nas áreas do pré-sal, ou naquelas definidas pelo governo como estratégicas, vigorará o novo regime de partilha da produção, enquanto nas demais áreas permanecerá o regime vigente, que é o de concessão. O novo regime deve introduzir mudanças profundas no setor e, dado seu peso na economia, sérias implicações para o país.

Apesar disso, o debate no Congresso e a cobertura da mídia se concentraram em torno da distribuição dos recursos arrecadados com a exploração do pré-sal entre os entes da Federação.


Há uma clara inversão de valores em prejuízo do conjunto da sociedade. A divisão das rendas do pré-sal deveria estar subordinada à questão da melhor forma de se empregar os recursos em favor da melhoria sustentada das condições de vida da população.


Os recursos do petróleo são finitos e, se forem mal empregados, podem não produzir mudanças estruturais duradouras na sociedade brasileira. Os impactos do novo marco regulatório do setor de petróleo não estão restritos à utilização e à distribuição das riquezas do petróleo.


Sob o argumento de que, com a descoberta do pré-sal a parcela dos recursos a ser apropriada pelo Estado deveria ser ampliada -diagnóstico acertado, a nosso ver-, o marco regulatório aprovado pelo Congresso (e que espera sanção presidencial) introduziu ainda uma série de mudanças que devem representar grandes retrocessos institucionais.


Em linhas gerais, as novas regras ampliam significativamente o grau de ingerência estatal no setor -inclusive no nível operacional da exploração do petróleo- e cria privilégios para a Petrobras e para os fornecedores nacionais, ampliando a margem para a prática de favorecimentos, uso político do aparato petroleiro nacional e ineficiências econômicas.


O mais grave, contudo, é o fato de que as novas regras conferem grande discricionariedade e tornam o setor dependente das orientações e condutas dos governantes em exercício.


As regras aprovadas pelo Congresso deixam no ar uma sensação de déjà-vu.


Não é necessário retroceder muito no tempo para encontrar exemplos negativos para o processo de desenvolvimento do país deixados pelo modelo calcado no Estado intervencionista.


Resta indagar quais serão os custos da adoção desse marco em um país caracterizado por um histórico de favorecimentos, captura do Estado pelo setor privado e por instituições fracas, ainda em consolidação.


Sem dúvida, um retrocesso que será maquiado pelas riquezas do pré-sal, mas deixará um legado negativo para as gerações futuras.
 
WALTER DE VITTO é mestre em economia e analista do setor de energia da Tendências Consultoria Integrada.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Prorrogado para 21/9 o prazo para inscrições no Prêmio A...
03/09/26
Saúde e Bem-estar
Nova clínica no Rio mira demanda de saúde ocupacional da...
03/09/26
ABPIP
Produtores independentes apresentam a candidatos ao Gove...
03/09/26
Bacia de Santos
Shell Brasil adquire participação no bloco exploratório ...
02/09/26
ROG.e 2026
Merax confirma participação na ROG.e 2026 com soluções p...
02/09/26
ANP
Jornada Empreendedora PRH-ANP 2026: anunciadas as seis e...
02/09/26
Mercado Livre
Comerc Energia celebra 25 anos com solidez financeira, e...
02/09/26
PPSA
TotalEnergies e Petrobras vencem lotes do 8º Leilão Spot...
02/09/26
ANP
Produção de petróleo e gás em julho de 2026 foram de 5,8...
01/09/26
Etanol de milho
Levedura desenvolvida na Unicamp pode tornar a produção ...
01/09/26
Biometano
CGOB: ANP publica Informes Técnicos que permitem início ...
01/09/26
Financiamento
BNDES aprova financiamento de R$ 10,6 milhões para AutoM...
01/09/26
Firjan
Economia desacelera, com crescimento concentrada em comm...
01/09/26
Energia Elétrica
CCEE lança campanha nacional para apresentar o mercado l...
01/09/26
Premiação
Inscrições para Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2026 ...
31/08/26
Gás Natural
ABRACE questiona aumentos de até 52% na margem de distri...
31/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
31/08/26
Royalties
ANP publica resolução sobre distribuição a municípios af...
28/08/26
ANP
Gás natural: prorrogado até 14/9 o prazo da consulta púb...
28/08/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reúne líderes globais para discutir o futuro ...
28/08/26
Pessoas
Supergasbras anuncia mudanças na liderança executiva
28/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25