Artigo

O fomento e os desafios do uso do etanol no território brasileiro, por J.A.Puppio

Redação TN Petróleo/Assessoria
13/10/2022 13:23
O fomento e os desafios do uso do etanol no território brasileiro, por J.A.Puppio Imagem: Divulgação Visualizações: 1938

Muito se fala em sustentabilidade, na utilização de recursos limpos e renováveis, na preservação do meio ambiente. Pouco se faz, ainda, para que essas e outras atitudes sejam, de fato, aplicadas no cotidiano das pessoas. Aliás, o incentivo às práticas de consumo consciente deve-se “começar do começo”, ou seja, com leis específicas que visam implementar medidas para mudança de hábitos de consumo.

O carro à álcool surgiu de uma crise, a chamada Crise do Petróleo de 1973. O Brasil foi impactado da mesma forma que os grandes mercados internacionais, porém, para resolver esse entrave, o país criou um combustível alternativo.

Em 1951, no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), o professor e engenheiro Urbano Ernesto Stumpf deu início às pesquisas que culminaram no desenvolvimento do motor a álcool. Posteriormente, apresentou ao governo a tecnologia que permitiu aos automóveis rodarem com o álcool hidratado – o popular etanol.

Dessa forma, em novembro de 1975, foi criado no Brasil o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado por decreto governamental. Tal programa contribuiu para impulsionar a produção de bioenergia no país, conferindo uma das maiores realizações baseadas em ciência e tecnologia com selo 100% brasileiro.

Encostando nos anos 80 – mais precisamente em julho de 1979 – uma indústria automobilística lançou no mercado nacional o primeiro carro movido a álcool combustível. O Fiat 147 foi fabricado comercialmente com motor preparado para receber o combustível à base de cana-de-açúcar.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. O país poderia ser protagonista do uso do etanol, a fim de diminuir as emissões de gás carbônico (CO2). No entanto, essa cultura não vem sendo adotada, mesmo com a oferta do produto nas bombas, em tempos que às ações em prol da sustentabilidade deveriam ser palco das atenções em nível global.

Tanto o Brasil como os Estados Unidos se diferenciam em relação a muitos países por suas extensas áreas agricultáveis, facilitando o cultivo de cana-de-açúcar ou milho para a produção de combustível. Eis o fato que justifica a disseminação do uso do etanol no país. Porém, as estratégias das montadoras automobilísticas estão mais voltadas à eletrificação das frotas – tática a qual atende os principais mercados da Europa no quesito sustentabilidade.

No entanto, uma nova gasolina também vem para competir. Feita de CO2 captado da atmosfera, o resultado é um combustível limpo e renovável, e vem sendo a grande aposta de algumas empresas, como a Porsche, que está construindo uma fábrica desse tipo de combustível no Chile.

O questionamento, contudo, fica em torno do porquê não usar o etanol? Além de exigir adaptações nos motores, esse tipo de combustível é popular apenas no Brasil. Em tempos atuais, a indústria automobilística já tem a sustentabilidade conceituada, com projetos sólidos de renovação e substituição nas frotas por veículos menos poluentes e de zero emissão. No entanto, às culturas regionais devem se conscientizar em consumir uma energia limpa, pois tem a oferta, mas não se tem consciência.

Sobre o autor: J.A.Puppio é empresário, diretor-presidente da Air Safety e autor do livro “Impossível é o que não se tentou”.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Cobertura OTC
ANP participa de uma das maiores conferências do mundo s...
08/05/26
Firjan
Voto pela inconstitucionalidade da lei dos royalties é o...
08/05/26
Mão de Obra
Censo 2026 vai mapear perfil socioeconômico de trabalhad...
07/05/26
Internacional
ANP e PPSA realizam evento exclusivo em Houston para pro...
07/05/26
Workshop
ANP faz workshop para dinamizar a exploração de petróleo...
07/05/26
Parceria
Halliburton e Shape Digital firmam colaboração estratégi...
06/05/26
ROG.e
ROG.e 2026 reunirá CEOs de TotalEnergies, Galp, TGS e Ry...
06/05/26
Oportunidade
CNPU 2025: ANP convoca candidatos de nível superior a se...
06/05/26
Combustíveis
Atualização: Extensão do prazo de flexibilização excepci...
06/05/26
Gestão
ANP publica Relatório de Gestão 2025
06/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI SESI expande atuação s...
06/05/26
Energia Elétrica
Modelo simplificado viabilizou 70% das migrações ao merc...
06/05/26
Investimentos
Biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB
05/05/26
Bacia de Santos
Acordos de Individualização da Produção (AIP) das Jazida...
05/05/26
Energia Solar
ENGIE investirá R$ 5 milhões em três projetos para inova...
05/05/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Média de abril é a mais baixa em quase doi...
05/05/26
Pessoas
Josiani Napolitano assume presidência da ABiogás em mome...
05/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI realiza edição interna...
04/05/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
04/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
04/05/26
Pré-Sal
PPSA encerra 2025 com lucro líquido de R$ 30,1 milhões
04/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23