Artigo

PLANALTO DAS GUIANAS – A nova fronteira petrolífera global, por Antonio Batista

Redação TN Petróleo/Assessoria
02/02/2026 16:22
PLANALTO DAS GUIANAS – A nova fronteira petrolífera global, por Antonio Batista Imagem: Divulgação Visualizações: 1951

Planalto das Guianas, que historicamente formou uma grande unidade geográfica estendendo-se do Amapá (Brasil) – que um dia já foi chamado Guiana Portuguesa à Guiana Espanhola (atual Venezuela), Guiana Inglesa (Guiana), Guiana Holandesa (Suriname) e Guiana Francesa, está rapidamente se consolidando como a nova fronteira petrolífera global. Essa região, que antes era periférica no cenário energético mundial, hoje concentra esforços de exploração e produção de hidrocarbonetos dos maiores players do setor.

Na Guiana (inglesa), enormes descobertas de petróleo offshore transformaram o país em um dos centros energéticos de maior crescimento no mundo. Em 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) da Guiana cresceu cerca de 43,6 % em termos reais em relação ao ano anterior, de acordo com o Banco Mundial. Os Blocos como o Stabroek, operados por grandes consórcios internacionais, já produzem mais de 800 mil barris por dia e têm projeções que podem elevar a produção a mais de 1,3 milhão de barris por dia até o final da década, com investimentos bilionários programados para os próximos anos.

Ao mesmo tempo, o Suriname tem intensificado suas iniciativas exploratórias, abrindo vastas áreas offshore para concessão e atraindo interesse de grandes empresas globais, com expectativas de primeiro óleo e desenvolvimento significativo até por volta de 2028.

No Brasil, o Estado do Amapá, situado no extremo norte e fazendo parte do Platô das Guianas, teve a licença para exploração de petróleo liberada em outubro de 2025, marcando um avanço estratégico na chamada Margem Equatorial Brasileira — uma faixa que se estende ao longo de fronteiras nacionais e que geologicamente compartilha características com as bacias produtoras vizinhas. Atualmente, o Estado já tem blocos sob concessão das seguintes empresas: Petrobras, Brava Energia, Exxon Mobil, Chevron e CNPC.

Na Guiana Francesa, um território ultramarino que tradicionalmente tinha restrições legais à atividade petrolífera, o Senado francês aprovou em 29 de janeiro de 2026 uma proposta para permitir a exploração de petróleo e gás, abrindo caminho para que o desenvolvimento de recursos energéticos também seja uma realidade desse lado da fronteira. Esta era o único território que estava impedindo a atividade petrolífero. Desde 2017 estava proibido a atividade na região.

Portanto, a Guiana Francesa agora também faz parte da “Rota do Petróleo”.

Por fim, a Venezuela, que possui as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, que equivale a aproximadamente 17 % das reservas mundiais conhecidas.

Apesar dessa imensa riqueza geológica, o setor petrolífero venezuelano esteve profundamente estagnado ao longo dos últimos anos. A combinação de sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos e outros países, junto com infraestrutura deteriorada, falta de investimentos e má gestão da estatal PDVSA, reduziu a produção a uma fração de seu potencial histórico — de mais de 3 milhões de barris por dia no início dos anos 2000 para cerca de 1 milhão de barris por dia recentemente, uma participação inferior a 1% da produção global. Mudanças recentes no cenário político e geopolítico — incluindo a intervenção norte-americana no país em 2026 e decisões políticas que estão abrindo o setor a investidores estrangeiros — indicam que a indústria petrolífera venezuelana pode estar prestes a ressurgir com força renovada. Relatórios apontam que legislações aprovadas em janeiro de 2026 visam liberalizar o setor, atrair capital estrangeiro e modernizar a produção, rompendo com décadas de controle estatal exclusivo e sanções severas.

Juntas, essas transformações mostram que todos os países do arco norte da América do Sul estão consolidando o petróleo como uma força motriz de suas economias, atraindo bilhões em investimentos, gerando empregos, tecnologia e impulsionando desenvolvimento numa região que por muito tempo foi negligenciada no cenário global de energia. Essa dinâmica coloca o Platô das Guianas no centro das atenções como uma das fronteiras mais promissoras para a produção de hidrocarbonetos nas próximas décadas.

Diante desse cenário de rápida consolidação do Planalto das Guianas como nova fronteira petrolífera mundial, torna-se estratégico que empresas brasileiras do setor de petróleo e gás se mobilizem desde já para planejar e estruturar sua presença na região. A experiência internacional mostra que as maiores oportunidades — contratos, parcerias, bases logísticas, fornecimento de bens e serviços especializados — são capturadas por quem chega primeiro e se posiciona de forma antecipada junto aos operadores, governos e cadeias produtivas locais. A inércia ou a demora nesse movimento poderá significar perda de competitividade, espaço e relevância, abrindo caminho para que empresas estrangeiras ocupem posições-chave em um ciclo de investimentos que deverá movimentar bilhões de dólares nas próximas décadas. O arco norte sul-americano deixa de ser promessa e passa a ser realidade — e o tempo de decisão será determinante para quem pretende fazer parte dessa transformação.

Sobre o autor: Antonio Batista, D.Sc é Professor Universitário, atualmente, é Diretor da Agência Amapá/Governo do Amapá.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25