Artigo Exclusivo

Por uma indústria mais moderna, por Luiz Egreja

Luiz Egreja
25/02/2019 16:11
Por uma indústria mais moderna, por Luiz Egreja Imagem: Divulgação Visualizações: 1478

Estamos vivendo um momento único em nossa história, tendo a revolução tecnológica como fator de transformação fundamental da forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a mudança será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes.

A tecnologia nunca teve um papel tão estratégico como o que tem hoje. Ao longo dos últimos anos, acompanhamos vários avanços, mas nada comparado ao momento atual. Além da presença na vida das pessoas, a inovação está chegando definitivamente até as indústrias, transformando por completo a forma como as empresas trabalham. O Renascimento da Indústria (Indústria 4.0) marca, definitivamente, a nova era digital.

Caminhamos para a maior transformação da história, com fábricas verdadeiramente inteligentes. A primeira revolução foi com a máquina a vapor e produção mecanizada, entre 1760 e 1830. A segunda, por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. A terceira aconteceu em meados do século 20, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.

Institucional

Antes um movimento individual por parte de empresas, essa nova era já está começando a fazer parte da política de governos de vários países que visam atrair novos investidores, promover a digitalização da economia, mudar a produção e evoluir o conhecimento.

O conceito do Renascimento da Indústria vem, efetivamente, revolucionar o futuro. Isso significa que as fábricas terão uma nova conectividade digital presente em todas as etapas do processo, o que as tornarão mais eficientes, flexíveis, rápidas, transparentes e com equipamentos fáceis de manusear.

O foco será mais que o simples aumento de produtividade. Da mesma maneira que os smartphones mudaram a vida das pessoas, a tecnologia mudará não só as máquinas, mas todo o processo de produção, do desenho na tela do computador à finalização dos produtos. A inovação permitirá que as empresas poupem tempo, dinheiro, recursos e, acima de tudo, modifiquem sua forma de trabalho para atender aos desejos dos consumidores que estão mais exigentes, inclusive demandando produtos personalizados para os seus gostos individuais.

O movimento de transformação das fábricas para ambientes inteligentes é decisivo para a competitividade da indústria nacional e, portanto, não está isento de desafios sociais. Certamente, a tecnologia abrirá novas janelas de oportunidades de emprego, centenas de novos cargos e crescimento significativo para os países, apesar de as atividades repetitivas poderem ser substituídas pelas máquinas já nos próximos anos. O fundador e chairman do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, também considera que essa nova revolução vai elevar os níveis de rendimento global e melhorar a qualidade de vida das pessoas em todo o planeta. Tudo indica que teremos novos mercados e crescimento econômico com os ganhos de produtividade, além de maior eficiência com a redução dos custos de transporte e da cadeia logística.

Com as novas tecnologias, as barreiras geográficas vão desaparecer e parcerias entre universidades e empresas terão um impacto global extremamente positivo, podendo preparar jovens brasileiros para um mercado internacional de trabalho.

Estamos presenciando uma mudança de paradigma. A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e vai interferir em quase todas as indústrias de todos os países, inclusive o Brasil, que precisará mudar rapidamente sua visão de mercado para não perder essa janela de oportunidade para os avanços. Sem dúvida, estamos diante de um novo cenário global de mercado graças a velocidade e o alcance de sistemas muito mais modernos.

As mudanças nos processos produtivos virão acompanhadas de inovações nos bens fabricados. O Renascimento da Indústria será marcado por produtos mais inteligentes e autônomos em relação aos existentes, movimentando cerca de US$ 15 bilhões na economia mundial nos próximos 15 anos.

Esses avanços reforçam a tendência de automatização total das fábricas, com dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e computação em Nuvem. Pesquisas do Gartner indicam que já temos 8,4 bilhões de dispositivos conectados no mundo, sendo que mais de 3 bilhões já estão sendo usados por indústrias e empresas dos mais diversos setores. Esses sensores são capazes de controlar funcionamento de equipamentos e até de trocar informações instantaneamente sobre compras e estoques, por exemplo. Será cada vez mais frequente o uso de nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, sistemas de comunicação M2M (máquina com máquina), Inteligência Artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. Com isso, o mercado mundial terá mais de 20 bilhões de dispositivos conectados, em 2020.

Apesar de países mais desenvolvidos serem conhecidos pela rápida adoção de novas tecnologias, economias emergentes, como a do Brasil, podem se beneficiar desse momento de inovação e de mudança para alcançarem patamares de igualdade. Essa nova era tem o potencial de elevar os níveis globais de rendimento e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras, da mesma forma como aparelhos smartphones estão incluindo milhões de pessoas ao novo mundo digital com pagamentos eletrônicos, serviços de táxi e acesso a conteúdos de interesse.

É certo que o processo de transformação só beneficiará quem for capaz de inovar e de se adaptar. O momento de iniciar essa jornada é agora.

Sobre o autor: Luiz Egreja, Senior Business Transformation Consultant da Dassault Systèmes

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Logística
Vast Infraestrutura e Petrobras reforçam parceria e assi...
06/07/26
Energia Elétrica
Thymos Energia avalia Leilão de Transmissão da Aneel
06/07/26
Negócio
Supergasbras assina primeiro contrato de fornecimento de...
06/07/26
Posicionamento IBP
Mudança do instrumento não corrige as ilegalidades do Im...
06/07/26
Pessoas
Alessandro Cantarino assume o cargo de Vice-Presidente E...
06/07/26
Combustíveis
Etanol encerra a semana com mercado dividido entre queda...
06/07/26
Gás Natural
Naturgy investe R$ 11 milhões em infraestrutura de gás e...
06/07/26
Transpetro
Transpetro realiza primeiro abastecimento da frota com c...
06/07/26
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
Pessoas
Alessandra Davolio Gomes assume a direção de um dos maio...
02/07/26
Bacia Potiguar
BRAVA Energia inaugura Centro de Operações Integradas e ...
02/07/26
Tecnologia e Inovação
ABPIP desenvolve ecossistema próprio de inteligência art...
02/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Reconhecimento
Constellation é a única empresa do setor de perfuração d...
02/07/26
Gestão do Conhecimento
200 mil pessoas, zero tolerância para treinamento que nã...
01/07/26
Resultado
Com 5,597 milhões de boe/d, a produção nacional de petró...
01/07/26
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.