Artigo

Redes de incêndio: a linha de defesa que define continuidade, segurança e faturamento no petróleo e gás, por Maria Gabriela de Moraes

Redação TN Petróleo/Assessoria Private Oil & Gas
19/11/2025 13:17
Redes de incêndio: a linha de defesa que define continuidade, segurança e faturamento no petróleo e gás, por Maria Gabriela de Moraes Imagem: Divulgação Visualizações: 1205

Na indústria do petróleo, especialmente no ambiente onshore, a segurança operacional começa muito antes do primeiro barril produzido. Ela se estabelece nas estruturas que protegem o ativo, o meio ambiente e as pessoas. Entre elas, nenhuma é tão determinante quanto a rede de incêndio. Hidrantes com pressão adequada, bombas testadas, tubulações íntegras, carreteis acessíveis e estruturas anticorrosivas não são detalhes técnicos. São o limite entre um incidente controlado e uma crise que paralisa a operação, gera perdas milionárias e coloca vidas em risco.

Nos últimos anos, as interdições da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vêm crescendo justamente por falhas relacionadas a sistemas de combate a incêndio. No Relatório Anual de Segurança Operacional 2023, a ANP registrou 253 não conformidades em fiscalizações, sendo 47 delas críticas, com um nível de criticidade de 19%. Além disso, somente no segundo semestre de 2023, foram registradas 668 interdições, e a maior parte delas se relacionava a falhas de integridade mecânica, categoria que inclui redes de incêndio deterioradas ou fora de operação.

Esses números ilustram um problema que afeta diretamente a produção. Quando a ANP interdita uma base, o impacto financeiro é imediato. Em auditoria sobre os Polos Bahia Terra e Carmópolis, a agência relatou que a interdição de diversos campos resultou em perda de 166.000 m³ de petróleo e 6,5 milhões de m³ de gás natural, representando R$ 15 milhões em prejuízo. Em outro caso, 156.000 m³ de petróleo e 52 milhões de m³ de gás natural foram perdidos, somando R$ 13,8 milhões, sendo que estes números não incluem custos indiretos, como multas, retrabalho e atrasos contratuais, o que torna o prejuízo ainda maior.

A maior parte desses impactos poderia ter sido evitada com uma rede de incêndio íntegra e operante. Hidrantes sem pressão, válvulas emperradas, tubulações corroídas e bombas inoperantes são recorrentes em fiscalizações. Trata-se de falhas que não dependem de alta tecnologia, mas de planejamento, manutenção preventiva e responsabilidade técnica. Manter o sistema de combate a incêndio adequado não é uma despesa operacional. É uma proteção direta ao faturamento e à continuidade do negócio.

Outro ponto crítico é a corrosão. No ambiente do petróleo, a degradação das estruturas metálicas é acelerada pela umidade, pelos produtos químicos e pela variação térmica. Sem pintura anticorrosiva adequada, tubulações perdem espessura e deixam de resistir à pressão mínima necessária para combate ao fogo. Uma linha corroída pode fraturar no momento mais crítico, inutilizando o sistema inteiro. Prevenir a corrosão é preservar a capacidade operacional.

Ademais, a rede de incêndio também protege quem está na linha de frente. Em inspeções recentes, a ANP interditou uma plataforma inteira porque a resistência ao fogo não garantiria o tempo mínimo de uma hora para fuga dos trabalhadores. Esse dado expõe o ponto mais importante: uma rede mal mantida coloca vidas em risco antes mesmo de impactar a produção.

A adequação dessas estruturas não deve ser vista como uma exigência distante. É um compromisso diário. É planejamento, inspeção, documentação e resposta rápida. É proteger o ativo contra falhas previsíveis e reduzir a exposição ao risco mais caro da indústria: a paralisação forçada por insegurança.

Quando a rede de incêndio funciona, o ativo opera com estabilidade. Quando falha, interrompe produção, destrói faturamento e expõe pessoas a riscos graves. No petróleo e gás, não existe produtividade sem proteção. E não existe futuro quando a prevenção é negligenciada.

Sobre a autora: Maria Gabriela de Moraes é diretora comercial da Private Oil & Gas.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pessoas
Bow-e anuncia Ciro Neto como CEO
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
IBEM26
Encontro internacional de energia vai abrir calendário m...
30/03/26
Biodiversidade
Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região...
30/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Combustíveis
Etanol recua no indicador semanal e fecha a sexta-feira ...
30/03/26
Diesel
ANP aprova medidas relativas à subvenção ao óleo diesel
29/03/26
Pessoas
Ocyan anuncia seu novo diretor Jurídico e de Governança
29/03/26
Energia Elétrica
USP desenvolve modelos para reduzir curtailment e amplia...
29/03/26
Biocombustíveis
Acelen Renováveis e Dia Mundial da Água: cultivo da maca...
29/03/26
iBEM26
Goldwind avança na Bahia com fábrica em Camaçari e proje...
27/03/26
iBEM26
Bahia apresenta potencial da bioenergia e reforça protag...
27/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
IBEM26
Práticas ESG do setor de energias renováveis são destaqu...
26/03/26
IBEM26
Jerônimo Rodrigues destaca potencial da Bahia na transiç...
26/03/26
Bacia de Campos
Petrobras irá investir R$ 25,4 milhões em novos projetos...
26/03/26
IBEM26
ABPIP destaca papel dos produtores independentes na inte...
25/03/26
Workshop
Governo de Sergipe e FGV Energia debatem futuro do offsh...
25/03/26
iBEM26
Bahia Gás aposta em gás natural e biometano para impulsi...
25/03/26
iBEM26
iBEM 2026 começa em Salvador com debates sobre segurança...
25/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23