Combustíveis

Petrobras teria perdido R$9,4 bi com política para combustíveis, estima Refina Brasil

Reuters, 04/04/2024
04/04/2024 06:44
Visualizações: 2190

A Petrobras teria perdido 9,4 bilhões de reais de receita bruta entre maio do ano passado e março deste ano, após ter abandonado em 2023 a política de preço de paridade de importação (PPI) de combustíveis, segundo estudo da associação de refinarias privadas Refina Brasil, publicado nesta quarta-feira.

A associação -- formada pela Acelen, dona da Refinaria de Mataripe na Bahia, e outras companhias, como a Ream e a 3R -- avalia que as suas empresas vêm sendo prejudicadas pela falta de previsibilidade dos reajustes da Petrobras, além do que considera um represamento de preços pela estatal.

A entidade, que reúne refinarias que respondem por cerca de 20% da produção de derivados do país, confirmou informações publicadas mais cedo pelo jornal Valor Econômico.

O estudo considerou os volumes de diesel e gasolina produzidos pelas refinarias da estatal no período analisado.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente.

Analistas privados têm apontado que a defasagem de preços da Petrobras em relação ao mercado internacional está aumentando, à medida que o mercado de petróleo subiu para uma máxima de cinco meses, e a estatal não faz repasses.

O Brent fechou com leve alta de 0,5% nesta quarta-feira.

DEFASAGEM

No início do dia, a defasagem da Petrobras em relação ao chamado PPI estava em 37 centavos de real o litro para o diesel e também para a gasolina, segundo a metodologia da consultoria StoneX.

"Para o diesel, embora a companhia possa estar utilizando como referencial o produto de origem russa, que tem maior competitividade e compõe 66% do diesel sendo importado pelo Brasil em 2024, avalio que os preços da Petrobras estão ainda abaixo dos preços desta referência em cerca de 13 centavos/litro", disse o analista Thiago Vetter, da StoneX.

Segundo ele, essas não são as maiores defasagens considerando o período desde a publicação da nova estratégia comercial da Petrobras para diesel e gasolina, em maio do ano passado, que foram de 1,17 real/litro para o diesel e 60 centavos/litro para a gasolina -- ambas vistas em agosto do ano passado.

"De relevante, está o fato de que esta defasagem está positiva (Petrobras abaixo do preço internacional) desde 19 de janeiro para o diesel e 7 de fevereiro para a gasolina -- ou seja, um período relativamente longo", afirmou ele.

Entre as altas realizadas desde o lançamento da nova estratégia comercial de diesel e gasolina da estatal, "nota-se que tanto para a gasolina quanto para o diesel os reajustes ocorreram quando a defasagem estava positiva por pelo menos 28 dias úteis e no máximo 45".

"Considerando que a gasolina está com defasagem positiva há 39 dias úteis (desde 08/02) e o diesel há 53 dias úteis (desde 19/01), considerando nossas métricas seria esperado pelo comportamento passado da companhia que pudesse haver um reajuste de preços para ambas ainda no mês de abril."

Questionada sobre a política de preços, a Petrobras não respondeu imediatamente.

PERDA DE PARTICIPAÇÃO

O especialista em combustíveis da Argus, Amance Boutin, destacou que a Petrobras ainda perdeu participação no mercado de gasolina entre os fornecedores nacionais em fevereiro, ao citar dados da reguladora ANP.

Ele disse que há tempos a companhia não ficava com menos de 70% nas vendas, e que a gasolina da Petrobras enfrentou maior competição do etanol hidratado e de importadores, que tinham no início do ano arbitragem mais favorável para importar o combustível, o que não acontece neste momento, após a alta de preços internacionais.

"Em janeiro a gente estava com arbitragem mais favorável, o produto vendido em fevereiro, ele foi comprado muitas vezes em janeiro, eles realmente conseguiram pagar um preço mais baixo, naquele momento a arbitragem estava favorável, hoje ela não é mais."

Em relação ao mercado internacional, Boutin estimou a defasagem da gasolina da Petrobras em 15%, e notou que, com uma recente alta do preço do etanol hidratado, a Petrobras agora teria espaço para aumentar o preço sem prejudicar suas vendas, considerando o combustível concorrente.

Antes, entre os motivos para não aumentar a gasolina, estavam o preço mais baixo do etanol e a concorrência com importadores de gasolina, reiterou o especialista.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Subsea
Priner expande atuação no offshore com lançamento de sol...
13/02/26
Firjan
Recorde no petróleo sustenta crescimento da indústria do...
13/02/26
E&P
Tecnologia brasileira redefine a produção em campos madu...
13/02/26
Bahia Oil & Gas Energy
Produção em campos terrestres de petróleo e gás deve cre...
12/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
Resultado
Com 2,99 milhões boed, produção de petróleo e gás da Pet...
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Oferta Permanente
Manifestação conjunta abrangente e inédita agiliza inclu...
12/02/26
Biometano
Biometano em foco com debate sobre crédito, regulação e ...
12/02/26
Pessoas
Mario Ferreira é o novo gerente comercial da Wiz Corporate
11/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Energia Elétrica
Lançamento de chamada do Lab Procel II reforça o Rio com...
10/02/26
Energia Elétrica
Prime Energy firma novo contrato com o Hotel Villa Rossa...
10/02/26
Energia Elétrica
ABGD apresenta à ANEEL estudo técnico sobre impactos da ...
09/02/26
Tecnologia e Inovação
Brasil estrutura marco normativo para gêmeos digitais e ...
07/02/26
PD&I
Firjan SENAI SESI traz primeira edição do "Finep pelo Br...
06/02/26
Bacia de Campos
Em janeiro, BRAVA Energia renova recorde de produção em ...
06/02/26
Pessoas
Mauricio Fernandes Teixeira é o novo vice-presidente exe...
06/02/26
Internacional
Petrobras fica com 42,5% de bloco exploratório offshore ...
06/02/26
Sergipe Oil & Gas 2026
Ampliação de espaço no Sergipe Oil & Gas vai garantir ma...
05/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.