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Anpei: ações voltadas à inovação empresarial

Redação/Assessoria Fapesp
04/07/2018 16:25
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A FAPESP sediou a reunião de dois comitês da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), no dia 28 de junho.

O objetivo do encontro foi discutir ações em andamento em dois comitês, de Fomento à Inovação e de Interação ICT-Empresa. O primeiro foi constituído em 2013 pela Anpei, com o intuito de mapear, interpretar e difundir as melhores práticas corporativas e institucionais vinculadas ao uso e à adequação dos instrumentos de fomento no Brasil voltados ao estímulo à inovação.

O comitê de Interação ICT-Empresa, em atividade desde 2007, tem funcionado como um fórum de discussão para aproximar academia e setor empresarial para promover inovação.

“Começamos a realizar recentemente reuniões conjuntas dos dois comitês e essa experiência tem se revelado muito boa porque há alguns temas convergentes entre eles”, disse Alessandro Rizzato, coordenador do comitê de Interação ICT-Empresa da Anpei na abertura do evento.

Além dos dois comitês, a Anpei também operacionaliza três outros comitês: os de Gestão da Inovação, de Propriedade Intelectual e de Corporate Venture.

Criada há 33 anos, a Anpei é uma associação brasileira multissetorial e independente que tem como missão estimular a inovação como fator estratégico para a competitividade e produtividade das empresas e instituições e para as políticas econômica, industrial, científica e tecnológica do país, explicou Marcela Flores, gerente executiva da Anpei.

“Reunimos mais de 200 associados, entre empresas, universidades, centros de pesquisa e consultorias especializadas, e representamos mais de 60% do investimento privado em pesquisa, desenvolvimento e inovação no país”, afirmou Flores. “Temos conseguido defender mais de R$ 1,6 bilhão em incentivos para inovação no país por ano”, disse.

José Goldemberg, presidente da FAPESP, ressaltou que a Fundação tem muito interesse nas atividades da Anpei, especialmente nos indicadores de investimentos privados em pesquisa, desenvolvimento e inovação levantados periodicamente pela entidade.

“O papel da FAPESP [no apoio à inovação] é muito significativo e está aumentando, não só porque temos recursos, mas porque temos dentro dos quadros da instituição pessoas interessadas em abrir atividades para a inovação”, disse.

Programas em andamento

Durante o evento também foram apresentadas ações voltadas à inovação empresarial lançadas por agências de fomento e instituições federais e estaduais.

Isabela Brod, gerente de Inovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresentou o programa BNDES Piloto IoT, de internet das coisas. O programa, que recebe propostas até 31 de agosto, visa testar soluções tecnológicas de IoT em três ambientes: Cidades, Saúde e Rural e, posteriormente, Indústria.

“A iniciativa é uma das recomendações do estudo ‘Internet das Coisas: um plano de ação para o Brasil’, realizado em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e um consórcio que envolveu a Mckinsey e a Fundação CPqD”, disse Brod.

O BNDES vai apoiar, com até 50% de recursos não reembolsáveis, projetos apresentados por Instituições Tecnológicas (IT) que serão responsáveis por sua execução. Integrarão os pilotos os demandantes de soluções, os ofertantes de tecnologias e avaliadores que analisarão o projeto. “O valor do apoio do Banco a cada projeto será de R$ 1 milhão”, sublinhou Brod. A íntegra do BNDES Piloto IoT está disponível na página do BNDES.

José Luiz Gordon, diretor de Planejamento e Gestão da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), explicou o modelo de operação da entidade – organização social qualificada pelo MCTIC e pelo Ministério da Educação – que financia, com recursos não reembolsáveis, o equivalente a um terço do valor de projetos do setor empresarial com centros de pesquisa credenciados, as Unidades Embrapii.

“Os outros dois terços são financiados divididos entre as empresas e as Unidades Embrapii”, disse Gordon, mencionando também o apoio de parceiros como BNDES, Finep, Banco do Nordeste, Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap), FAPESP e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia. “Já foram qualificados 42 centros, por meio de processos de seleção ‘rigorosos e concorridíssimos’, que envolvem avaliadores externos de P&D do setor empresarial”, disse.

Marcelo Prim, gerente executivo de Inovação e Tecnologia do Senai, apresentou as cinco categorias contempladas no Edital Inovação para a Indústria, que totaliza R$ 55 milhões em 2018 e envolve também a participação do Sesi e do Sebrae.

Inovação e competitividade

“O Brasil precisa ampliar os gastos em P&D, especialmente os das empresas”, disse Sergio Queiroz, membro da Coordenação Adjunta - Pesquisa para Inovação da FAPESP, justificando os esforços da Fundação de incentivar a inovação em empresas por meio de três programas: Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE) e Centros de Pesquisa em Engenharia (CPE).

O PIPE, explicou, tem como objetivo aumentar a competitividade, estimular a cultura de inovação de forma permanente e ampliar postos de trabalhos em empresas com até 250 funcionários. Além de detalhar o programa, Queiroz deu exemplo de sucessos como os da I.Systems, Altave, Braincare, Xmobots, entre outras.

O PITE tem foco na cooperação entre universidades e empresas. “O programa tem duas modalidades de implementação: o PITE Convênio, em que a FAPESP e a empresa propõem o tema da pesquisa, e o PITE Demanda espontânea”, disse Queiroz.

Ele mencionou exemplos de empreendimentos como o Laboratório de Estruturas Leves (LEL) – implantado em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Embraer (saiba mais sobre o projeto em http://agencia.fapesp.br/17385) – e o Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (SGC-Unicamp), em parceria com a Aché Laboratórios Farmacêuticos, vinculado ao Structural Genomics Consortium (SGC) – parceria público-privada que reúne universidades, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos de diversos países na investigação de proteínas do tipo quinase.

“Embora sejam consideradas alvos prioritários para o desenvolvimento de fármacos, estima-se que apenas 40 das cerca de 500 proteínas desse tipo identificadas no genoma humano já tenham sido bem estudadas”, disse Queiroz.

Os CPEs, disse Queiroz, integram um programa de pesquisa em colaboração e de longo prazo (até 10 anos). Cada Centro é cofinanciado pela FAPESP e pela empresa parceira e cogerido por universidades e institutos de pesquisas – o vice-diretor do Centro é indicado pela empresa – selecionados por meio de edital.

Seis CPEs estão em operação e quatro em fase de implantação, tendo como parceiros Shell, Statoil, Peugeot Citroën, GlaxoSmithKline (GSK), Embrapa, Usina São Martinho, Koppert e Natura.

 

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