Meio Ambiente

Aperam BioEnergia fecha contrato inédito na América Latina para venda de remoções de carbono

Reduzir emissões não será suficiente para limitar aquecimento global a 1,5ºC, e mundo se volta para novas tecnologias de remoção de CO2; Uma delas é o Biochar, uma biomassa de carvão que, aplicada ao solo, retém dióxido de carbono por centenas de anos

Redação TN Petróleo/Assessoria
22/07/2022 01:16
Aperam BioEnergia fecha contrato inédito na América Latina para venda de remoções de carbono Imagem: Daniel Mansur Visualizações: 1980

As mais variadas opções de gerar créditos de carbono têm um elo: todas representam uma tonelada a menos de gases de efeito estufa na atmosfera. Em alguns casos, um projeto pode reduzir emissões futuras, como uma indústria que adota fontes renováveis de energia para abastecer suas máquinas. Em outros, é possível retirar o carbono existente na atmosfera de diversas formas, inclusive com aplicação de uma biomassa conhecida como Biochar no solo.

Foi graças ao Biochar que a Aperam BioEnergia fechou um contrato inédito na América Latina para a venda de créditos de remoção de carbono para a empresa canadense Invert Inc, especializada na remoção e compensação de emissões de CO2e. Localizada no Vale do Jequitinhonha (MG), a BioEnergia é uma subisidiária da Aperam South America - que por sua vez é a primeira do mundo em seu segmento a obter a neutralidade em carbono nos escopos 1 e 2- tal unidade, a BioEnergia está dedicada ao cultivo de florestas renováveis e produção de carvão vegetal utilizado para a produção do Aço Verde Aperam, na usina de Timóteo (MG).

 A transação concretizada pela empresa é a primeira de uma empresa brasileira nesse novo segmento do mercado de créditos de carbono, em que se negocia a quantidade de gases de efeito estufa efetivamente removidos da atmosfera e não apenas as emissões evitadas. A empresa comprovou uma remoção de 1.122 toneladas de CO2e com a aplicação de Biochar no solo das florestas da Aperam BioEnergia. A perspectiva é chegar, num futuro próximo, a 40 mil toneladas de biochar por ano, o que representaria um potencial valor entre R$ 38 milhões a R$ 40 milhões de reais.

As vendas de Certificados de Remoção de CO2e (CORCs) retirados da atmosfera foram emitidas e transacionadas em uma plataforma dedicada a esse mercado, com enorme potencial de crescimento. O CORC referente ao volume de 1.122 t de CO2e comercializado pela BioEnergia foi negociado a um valor de 112 mil euros. 

O Biochar é obtido do carvão, por meio da separação de faixas específicas de tamanho. Aplicado ao solo, o material ajuda a reter água e a condicionar a terra, auxiliando na disponibilização de nutrientes, garantindo também a retenção do carbono por centenas de anos, evitando sua liberação para a atmosfera.

Embora fundamentais para que o mundo alcance a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C neste século, as estratégias que têm sido adotadas para zerar as emissões de gases de efeito estufa – como aumentar a energia renovável, melhorar a eficiência energética e evitar o desmatamento – não serão suficientes para atingi-la. Além de reduzir a emissão desses poluentes, é urgente agregar a esse processo técnicas efetivas de remoção de carbono da atmosfera, como o Biochar, o que explica o grande potencial desse mercado.

Estima-se que o setor movimente US$ 2,1 bilhões no mundo em 2022, valor que pode parecer pequeno diante dos US$ 800 bilhões de todas as transações envolvendo CO2e no planeta. Porém, o que chama a atenção é a estimativa de que esse montante de US$ 2,1 bilhões salte para US$ 7 bilhões nos próximos seis anos, com um crescimento médio anual estimado em 20%. As projeções são da Fortune Business Insights.

O presidente da Aperam South America e da BioEnergia, Frederico Ayres Lima, destaca que o contrato fechado com a Invert reforça a posição de vanguarda da Aperam em operações de baixo carbono e os seus altos padrões de sustentabilidade. "Com múltiplas certificações ambientais, operações auditadas de forma transparente e forte reconhecimento de marca, a Aperam torna-se um fornecedor confiável nesse novo mercado de remoção de carbono”, afirma.

"Acreditamos que este projeto abrirá as portas para mais oportunidades a serem desenvolvidas na indústria siderúrgica, tendo a Aperam mostrado que é possível que as empresas produtoras de aço participem do mercado global de remoção de carbono, que está em processo de crescimento”, acrescenta Ayres Lima.

Já o diretor de Operações da Aperam BioEnergia, Edimar de Melo Cardoso, afirma que os volumes de remoção de CO2e da atmosfera que a empresa pode alcançar com o Biochar podem ser ainda mais expressivos, uma vez que a tendência é de crescimento.

Rade Kovacevic, Co-CEO da Invert, celebrou a parceria com a empresa brasileira: “Quando se trata de ação climática e sustentabilidade, simplesmente cumprir os regulamentos não é suficiente, e é por isso que estamos entusiasmados em trabalhar com a Aperam BioEnergia, uma empresa que supera as expectativas e elevou o padrão de excelência ambiental”.

Kovacevic reforçou que fontes de energia renováveis como o Biochar são extremamente eficazes em sequestrar carbono da atmosfera. "Estamos ansiosos para trabalhar em estreita colaboração com a equipe da Aperam BioEnergia para fornecer os créditos e continuar a combater as mudanças climáticas juntos no longo prazo.”  

Esse projeto só é possível devido à existência de um marketplace onde esses créditos podem ser negociados, tornando a inovação da plataforma e a robustez operacional da Aperam BioEnergia uma combinação perfeita em favor do clima.

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